Paciente do sexo masculino, 10 anos, é atendido na unidade básica de saúde com queixa de urina avermelhada há dois dias; nega febre, disúria ou queixas abdominais. Refere ter apresentado episódio de faringoamigdalite há aproximadamente 2 semanas, tratado ambulatorialmente. Ao exame físico, apresenta edema palpebral discreto (1+/4+) e pressão arterial de 130 x 85 mmHg, compatível com valores acima do percentil 95 para idade. Foram solicitados exames complementares, e o paciente permanece em acompanhamento na unidade. Com base na hipótese diagnóstica mais provável, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Começando a análise do caso, temos um paciente do sexo masculino, com dez anos de idade.
- Ele apresenta uma queixa de urina avermelhada, ou seja, hematúria, que começou há dois dias.
- É importante notar que ele nega outros sintomas comuns, como febre, dor ao urinar ou queixas abdominais.
- Um dado crucial é a história de uma faringoamigdalite tratada há cerca de duas semanas.
- No exame físico, ele tem um edema palpebral discreto, que indica alguma retenção hídrica.
- E a pressão arterial está elevada, 130 por 85 milímetros de mercúrio, o que é acima do percentil noventa e cinco para a idade dele, confirmando hipertensão.
- Juntando a idade do paciente, a hematúria, o edema, a hipertensão e, principalmente, a história de infecção de vias aéreas superiores recente, o quadro clínico é muito sugestivo de uma Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica aguda.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A afirma que a presença de hipocomplementemia é achado patognomônico dessa glomerulopatia. Embora a hipocomplementemia seja comum na Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica, ela não é patognomônica, ou seja, exclusiva dessa condição, podendo ocorrer em outras doenças renais.
- A alternativa B sugere que a biópsia renal revela depósitos de IgA no mesângio. Essa característica, de depósitos mesangiais de IgA, é típica de outro grupo de glomerulopatias, como a Nefropatia por IgA, e não da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica.
- A alternativa C menciona que a hematúria observada nesses casos é predominantemente formada por hemácias isomórficas. Na verdade, a hematúria de origem glomerular, como na Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica, tende a apresentar hemácias dismórficas, devido à passagem por glomérulos lesados, e não predominantemente isomórficas.
- Por fim, a alternativa D afirma que a hematúria microscópica persistente pode durar até dezoito meses, sem representar critério de mau prognóstico. Isso está correto. Após a fase aguda da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica, a hematúria microscópica pode persistir por vários meses, até dezoito, sem que isso, isoladamente, indique um mau prognóstico, desde que outros parâmetros como pressão arterial, função renal, proteinúria e o complemento sérico se normalizem.
- Então, em uma criança com quadro de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica, a persistência de hematúria microscópica por até dezoito meses, na ausência de outros sinais de gravidade, é um achado esperado e não indica mau prognóstico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Post-streptococcal glomerulonephritisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.