Escolar com antecedente de asma apresenta tosse seca, com vômitos e febre, há 10 dias. Refere que o quadro iniciou com rouquidão. Nunca foi internado e está com as vacinas em dia. Ao exame físico, apresenta hiperemia de membrana timpânica bilateral com ausência de cone luminoso à direita, sibilos e estertores finos em lobo inferior direito. Está em uso de amoxicilina há 5 dias, houve melhora da rouquidão, mas persiste tosse e febre. Qual é o diagnóstico para o caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um paciente em idade escolar, o que já nos direciona para alguns agentes etiológicos mais comuns nessa faixa etária.
- Ele apresenta tosse seca, vômitos e febre, sintomas que já duram dez dias. Essa persistência e a combinação de sintomas são importantes para nosso raciocínio.
- O quadro iniciou com rouquidão, o que pode sugerir um componente viral inicial ou uma inflamação das vias aéreas superiores.
- Ao exame físico, encontramos hiperemia de membrana timpânica bilateral, indicando uma otite média aguda, e ausência de cone luminoso à direita, que é um sinal de alteração na membrana timpânica.
- A presença de sibilos e estertores finos em lobo inferior direito é um achado crucial, pois aponta para envolvimento do trato respiratório inferior, caracterizando uma pneumonia.
- O paciente já está em uso de amoxicilina há cinco dias, um antibiótico comum para pneumonias bacterianas típicas.
- Apesar do tratamento, houve melhora da rouquidão, mas a tosse e a febre persistem. Isso sugere uma falha terapêutica para o agente que está causando a pneumonia.
- A persistência da febre e da tosse, junto com os achados de pneumonia no exame físico, mesmo após cinco dias de amoxicilina, nos faz pensar em um agente que não é coberto por esse antibiótico.
- Em escolares, a falha de tratamento com beta-lactâmicos para pneumonia frequentemente aponta para patógenos atípicos, como o Mycoplasma pneumoniae, que não respondem a essa classe de antibióticos.
- A alternativa B, que fala em exacerbação de asma induzida por vírus, não se encaixa bem porque a febre persistente e os sinais focais de pneumonia, como os estertores, não são típicos de uma exacerbação asmática isolada.
- A alternativa C, bronquite bacteriana protraída, é incorreta porque esse quadro geralmente se manifesta com tosse úmida e por um período mais longo, geralmente acima de quatro semanas, o que não é o caso aqui.
- A alternativa D, tuberculose, não é a melhor hipótese aguda. Embora seja uma doença importante, o caso não apresenta fatores de risco ou um contexto que a sugira como primeira opção, e a investigação seria mais complexa.
- A alternativa E, coqueluche, é incorreta. A coqueluche se caracteriza por paroxismos de tosse e guincho inspiratório, e a febre é geralmente ausente ou baixa, o que difere do quadro de febre persistente que temos no paciente.
- A alternativa A, pneumonia por Mycoplasma, é o diagnóstico mais provável. A idade escolar, a tosse seca persistente, a febre e, principalmente, a falha terapêutica à amoxicilina, são características que apontam para um agente atípico como o Mycoplasma pneumoniae.
- Em uma criança em idade escolar, com pneumonia que não melhora após o uso de amoxicilina, pense sempre em Mycoplasma pneumoniae, um agente atípico que requer outro tipo de antibiótico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
- Pneumonias adquiridas na comunidade complicadasSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.