Adolescente, masculino, 12 anos apresenta tosse seca persistente há 10 dias, febre baixa (tax 37,8C) e cefaleia moderada. Exame físico: bom estado geral, corado, afebril, com acessos de tosse seca, eupneico. AR: poucos estertores difusos. RX de tórax: infiltrado intersticial bilateral. O agente etiológico mais provável e o tratamento indicado são:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o enunciado passo a passo para identificar as informações cruciais. Primeiro, temos um adolescente, do sexo masculino, com doze anos de idade.
- Ele apresenta tosse seca persistente há dez dias, o que já nos indica um quadro subagudo ou arrastado, não agudo.
- A febre é baixa, com temperatura axilar de 37,8 graus Celsius, o que é um dado importante para diferenciar de infecções bacterianas típicas mais graves.
- Ele também refere cefaleia moderada, um sintoma sistêmico que pode acompanhar infecções respiratórias.
- Ao exame físico, o paciente está em bom estado geral, corado e afebril, sem sinais de toxemia, o que sugere uma doença menos grave.
- Na ausculta respiratória, foram encontrados poucos estertores difusos. Esse achado é muitas vezes desproporcional ao que se vê na radiografia em casos de pneumonias atípicas.
- Por fim, a radiografia de tórax revela um infiltrado intersticial bilateral, um padrão radiológico clássico de pneumonia atípica.
- Juntando todos esses dados, temos um adolescente com um quadro respiratório arrastado, tosse seca, febre baixa, bom estado geral, e um infiltrado intersticial bilateral na radiografia, mas com ausculta pulmonar relativamente pouco alterada.
- Essa combinação de achados é muito sugestiva de uma pneumonia atípica, que é mais comum em escolares e adolescentes.
- O principal agente etiológico para pneumonia atípica nessa faixa etária é o Mycoplasma pneumoniae, e o tratamento de escolha para ele são os macrolídeos.
- Analisando a alternativa B, que sugere Streptococcus pneumoniae e amoxicilina, vemos que o pneumococo geralmente causa pneumonia lobar, com início abrupto, febre alta e toxemia, o que é bem diferente do quadro arrastado e de bom estado geral do nosso paciente.
- A alternativa C menciona o Vírus Respiratório Sincicial e suporte clínico. O Vírus Sincicial Respiratório é um agente de bronquiolite e pneumonia viral, mas principalmente em lactentes, não em adolescentes de doze anos com esse tipo de apresentação subaguda e infiltrado intersticial.
- Já a alternativa D, com Haemophilus influenzae e cefalosporina de terceira geração, também não se encaixa. O Haemophilus influenzae tipo B é muito raro hoje em dia devido à vacinação, e o não tipável costuma causar pneumonia em pacientes com doenças pulmonares de base, o que não é o caso aqui. Cefalosporinas de terceira geração são reservadas para casos mais graves ou internados.
- Portanto, a alternativa correta é a A. Todos os achados do nosso paciente, como a idade de doze anos, a tosse seca arrastada, a febre baixa, a cefaleia, o bom estado geral, a ausculta com poucos estertores e o infiltrado intersticial bilateral no raio-X, são clássicos de pneumonia atípica por Mycoplasma pneumoniae. O tratamento de escolha para o Mycoplasma é o macrolídeo.
- Para finalizar, lembre-se que em um adolescente de doze anos, com tosse seca arrastada, febre baixa e infiltrado intersticial, pense sempre em pneumonia atípica por Mycoplasma pneumoniae.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.