Escolar de 7 anos, sexo feminino, apresenta urgência miccional, manobras de contenção (agachamento sobre o calcanhar) e episódios frequentes de incontinência urinária diurna há 1 ano. A mãe relata que a criança evacua a cada 3 ou 4 dias, com fezes endurecidas e esforço. O exame físico é normal, exceto por massa palpável em hipogástrio. O diário miccional revela alta frequência miccional e volume urinário funcional reduzido para a idade. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar essa questão de pediatria, que traz um caso bem comum na prática ambulatorial.
- É uma menina, o que é relevante para algumas condições urológicas, mas aqui a idade é o principal.
- Ela apresenta urgência para fazer xixi, e faz umas manobras para segurar, como agachar no calcanhar, além de perder xixi durante o dia há um ano.
- Essa duração de um ano indica que não é um quadro agudo, mas sim crônico, o que é importante para o diagnóstico diferencial.
- A mãe relata que a criança evacua com dificuldade, fezes endurecidas e a cada três ou quatro dias, o que caracteriza constipação.
- No exame físico, o achado mais importante é uma massa palpável no hipogástrio, que, junto com a história de constipação, sugere um fecaloma.
- O diário miccional confirma que ela faz xixi muitas vezes e com pouco volume, o que é típico de uma bexiga hiperativa.
- Então, temos uma criança com sintomas urinários de urgência e incontinência, manobras de contenção, e também constipação com fecaloma.
- Essa tríade de sintomas urinários e intestinais é o que chamamos de disfunção vesicointestinal.
- O fecaloma, essa massa palpável, comprime a bexiga e mantém a hiperatividade detrusora, ou seja, a bexiga fica irritada.
- Por isso, o tratamento da constipação é o primeiro passo e é fundamental para resolver os sintomas urinários.
- Além disso, a uroterapia padrão, que inclui micções programadas e postura correta, é a base do tratamento comportamental.
- A alternativa A sugere solicitar uretrocistografia miccional e iniciar profilaxia antibiótica.
- Essa conduta não se justifica, pois a criança não tem infecção urinária febril documentada, e mesmo que houvesse refluxo, o tratamento da disfunção vesicointestinal é o que reduz as recorrências.
- A alternativa B propõe realizar estudo urodinâmico e programar cateterismo intermitente limpo.
- Esses procedimentos são para casos de bexiga neurogênica ou disfunção grave refratária, e não para um quadro típico de bexiga hiperativa com constipação como este, que pede tratamento conservador inicial.
- A alternativa D sugere realizar ultrassonografia de rins e vias urinárias e prescrever oxibutinina.
- Embora o ultrassom possa complementar a avaliação, prescrever oxibutinina antes de tratar a constipação é um erro grave, pois o anticolinérgico piora a constipação e, consequentemente, o quadro miccional.
- A alternativa C, então, é a conduta mais adequada.
- Ela propõe iniciar a terapia comportamental, ou uroterapia padrão, que inclui micção a cada duas a três horas, postura relaxada e boa ingestão de água, associada ao tratamento da constipação intestinal crônica, com desimpactação e laxativo osmótico.
- Essa abordagem é a primeira linha e resolve a maioria dos sintomas urinários, pois o fecaloma comprime a bexiga, e sem esvaziar o reto, nenhum tratamento vesical funciona bem.
- Então, criança de sete anos, com incontinência urinária diurna e constipação intestinal, pense sempre em disfunção vesicointestinal e trate a constipação primeiro, junto com a uroterapia.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Treatment of daytime urinary incontinence: a standardization document from the International Children's Continence SocietyICCS (Neurourol Urodyn, PubMed), 2017 · conferida em 03/10/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em