Lactente chega à emergência com história de vômitos e diarreia persistentes. Ao exame físico, está letárgico, taquicárdico, com olhos encovados e sem lágrimas, fontanela deprimida, hálito cetônico, respiração rápida e profunda, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, extremidades frias e diurese diminuída. Seus primeiros exames laboratoriais mostraram glicemia: 87; Na: 136 mEq/l e K: 3,2 mEq/l. O diagnóstico e a conduta mais adequados neste momento seriam?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, notamos que se trata de um lactente, uma faixa etária mais vulnerável à desidratação e suas complicações.
- A história de vômitos e diarreia persistentes já nos alerta para uma possível desidratação e perda de eletrólitos.
- A letargia é um sinal de gravidade, indicando comprometimento neurológico e possível choque.
- A taquicardia é um mecanismo compensatório do organismo para manter o débito cardíaco diante da hipovolemia.
- Olhos encovados e a ausência de lágrimas são sinais clássicos de desidratação grave.
- A fontanela deprimida também é um forte indicativo de desidratação significativa em lactentes.
- O hálito cetônico, junto com a respiração rápida e profunda, que é a respiração de Kussmaul, sugere que o corpo está tentando compensar uma acidose metabólica.
- Um tempo de enchimento capilar de cinco segundos, bem acima do normal de dois segundos, e as extremidades frias são sinais claros de má perfusão periférica, caracterizando choque.
- A diurese diminuída, ou oligúria, é outro sinal de que a perfusão renal está comprometida devido à desidratação e ao choque.
- O potássio de 3,2 miliequivalentes por litro está um pouco abaixo do normal, indicando uma hipocalemia leve, mas não é a prioridade imediata diante do quadro de choque.
- Juntando a letargia, olhos encovados, sem lágrimas, fontanela deprimida e a diurese diminuída, temos um quadro inequívoco de desidratação grave.
- Além disso, a letargia, taquicardia, tempo de enchimento capilar de cinco segundos e extremidades frias, junto com a diurese diminuída, confirmam a presença de choque hipovolêmico.
- O hálito cetônico e a respiração rápida e profunda nos indicam que há uma acidose metabólica sendo compensada.
- Diante de um quadro de desidratação grave com choque e acidose metabólica, a conduta inicial é a reposição volêmica rápida por via venosa, preferencialmente com cristaloides.
- A alternativa A afirma que não há sinais de choque, o que é incorreto, pois o paciente apresenta letargia, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades frias. Além disso, a solução coloide não é a primeira escolha para a reposição volêmica inicial em desidratação por perdas gastrointestinais.
- A alternativa B sugere desidratação leve e sem sinais de choque, o que é claramente refutado pelos múltiplos sinais de gravidade que já discutimos. A hidratação oral também é contraindicada em pacientes letárgicos e em choque.
- A alternativa D classifica a desidratação como moderada, quando na verdade é grave, e ainda nega a presença de acidose metabólica, que é evidenciada pelo hálito cetônico e pela respiração de Kussmaul.
- A alternativa C descreve corretamente o diagnóstico de desidratação grave com sinais de choque e acidose metabólica, e propõe a conduta adequada de hidratação venosa com solução cristaloide, que é o tratamento de escolha para a reposição volêmica inicial nesses casos.
- Então, lembre-se: uma criança com letargia, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades frias, associado a vômitos e diarreia, tem desidratação grave com choque hipovolêmico, e precisa de hidratação venosa imediata com cristaloide.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diarreia aguda infecciosaSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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