Lactente de 14 meses apresenta palidez cutâneo mucosa detectada em consulta de rotina. Realizou hemograma, que mostrou hemoglobina (Hb) de 9,2 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) de 68 fL e RDW normal. Foi iniciado sulfato ferroso na dose de 5 mg/kg/dia de ferro elementar. Após 6 semanas, encontra-se em bom estado geral, com crescimento e desenvolvimento adequados. A mãe refere boa adesão ao tratamento. Exames atuais: Ferritina: 75 ng/mL, Hemácias: 5,8 milhões/mm3, Hb de 9,4 g/dL, sem reticulocitose, VCM: 66 fL, RDW: normal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso clínico, residente. Primeiro, a idade da criança é um dado importante para o contexto da anemia.
- A palidez cutâneo mucosa é o sintoma inicial que levou à investigação, mas é um achado inespecífico, não é mesmo?
- O hemograma inicial mostra uma hemoglobina de 9,2 gramas por decilitro, confirmando a anemia.
- E o volume corpuscular médio de 68 fL nos indica que essa anemia é microcítica.
- Um dado crucial aqui é o RDW normal, que já nos faz pensar em algumas possibilidades e afastar outras.
- Diante desse quadro, foi iniciado sulfato ferroso na dose de 5 miligramas por quilo por dia de ferro elementar, uma conduta padrão para anemia ferropriva.
- O acompanhamento foi feito após seis semanas, um tempo adequado para avaliar a resposta ao tratamento.
- A mãe relata boa adesão, o que é fundamental para descartar falha terapêutica por falta de uso da medicação.
- Agora, vamos aos exames atuais. A ferritina de 75 nanogramas por mililitro é um achado muito importante, pois indica que os estoques de ferro estão cheios, não é mesmo?
- As hemácias estão em 5,8 milhões por milímetro cúbico, o que é considerado uma eritrocitose, ou seja, um número elevado de glóbulos vermelhos.
- A hemoglobina subiu muito pouco, de 9,2 para 9,4 gramas por decilitro, mostrando que a anemia persiste e não houve uma resposta significativa ao ferro.
- A ausência de reticulocitose também reforça a falta de resposta medular ao tratamento com ferro.
- O volume corpuscular médio continua baixo, em 66 fL, mantendo o padrão de microcitose.
- E, novamente, o RDW se mantém normal, o que é um achado muito importante para o nosso diagnóstico diferencial.
- Então, temos uma criança com anemia microcítica e RDW normal que foi tratada com ferro por seis semanas, com boa adesão, mas sem melhora da hemoglobina.
- A ferritina alta nos exames de controle indica que o ferro foi absorvido e os estoques estão cheios, ou seja, não se trata de uma anemia ferropriva.
- Além disso, a presença de eritrocitose e a persistência da microcitose com RDW normal, mesmo após a reposição de ferro, são dados que nos direcionam para uma causa específica...
- A alternativa A sugere anemia ferropriva por perda sanguínea crônica gastrointestinal. Isso é incorreto porque a ferritina de 75 nanogramas por mililitro mostra que os estoques de ferro estão cheios, o que não aconteceria em uma perda crônica que consumiria o ferro.
- A alternativa C fala em anemia da inflamação crônica subclínica. Essa condição geralmente não causa um volume corpuscular médio tão baixo, nem eritrocitose, e a criança está em bom estado geral, crescendo e se desenvolvendo bem, o que afasta uma doença crônica significativa.
- A alternativa D propõe anemia ferropriva refratária por falha de absorção intestinal de ferro. Isso também está incorreto, pois se houvesse falha de absorção, a ferritina não teria subido para 75 nanogramas por mililitro com a reposição oral de ferro.
- A alternativa B, anemia por talassemia minor com ausência de resposta ao ferro, é a mais provável. A microcitose persistente, o RDW normal, a eritrocitose e a falta de resposta da hemoglobina ao ferro, mesmo com os estoques de ferro cheios, são características clássicas de um traço talassêmico.
- Lembre-se, residente: em uma criança com anemia microcítica e RDW normal, que não responde ao tratamento com ferro e tem ferritina normal ou alta, pense sempre em talassemia minor.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Anaemia — diagnóstico diferencial e deficiências nutricionaisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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