Escolar de 8 anos é levado ao consultório por queixa, iniciada há cerca de um ano, de dor em membros inferiores (bilateral em coxas, panturrilhas e região pré-tibial), de caráter intermitente, predominantemente noturna, e que cede com massagem com álcool, acordando bem no dia seguinte. Os exames complementares mostram hemograma e provas de atividade inflamatória normais e valores elevados de antiestreptolisina O (ASO ou ASLO de 400UI; valor de normalidade até 200UI). Com base na principal hipótese diagnóstica para esse caso, a melhor conduta seria:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar este caso de pediatria. Primeiro, a idade: temos um escolar de 8 anos. Isso já nos direciona para um grupo etário específico, onde algumas doenças são mais comuns que outras.
- A queixa de dor começou há cerca de um ano, o que indica um quadro crônico, não agudo. Isso é importante para descartar condições de início súbito.
- A dor é em membros inferiores, bilateral, e afeta coxas, panturrilhas e região pré-tibial. A bilateralidade e a localização são características importantes para a nossa hipótese.
- O caráter da dor é intermitente e predominantemente noturno. Essa periodicidade e o horário são dados cruciais para o diagnóstico diferencial.
- Um dado muito relevante é que a dor cede com massagem com álcool e a criança acorda bem no dia seguinte. Isso sugere que não há um processo inflamatório ou lesão grave persistente.
- Os exames complementares mostram hemograma e provas de atividade inflamatória normais. Isso é fundamental, pois afasta processos inflamatórios ou infecciosos sistêmicos.
- Porém, temos valores elevados de antiestreptolisina O, ou ASLO, de 400 unidades internacionais, sendo que o valor de normalidade é até 200 unidades internacionais. Este é um achado que pode confundir, mas precisamos interpretá-lo no contexto clínico.
- Juntando os pontos, temos uma criança em idade escolar com dor crônica, bilateral, noturna, que melhora com massagem e sem sinais inflamatórios nos exames. Isso tudo aponta para uma dor benigna dos membros, popularmente conhecida como 'dor do crescimento'.
- Apesar do ASLO elevado, o quadro clínico não se encaixa em febre reumática. O ASLO pode estar elevado por infecções estreptocócicas recentes ou passadas, sem que isso signifique febre reumática, especialmente na ausência de outros critérios clínicos.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere iniciar anti-inflamatório não hormonal. No entanto, a dor é intermitente, sem sinais de inflamação nos exames, e cede com medidas simples. Um anti-inflamatório contínuo não seria a conduta apropriada aqui.
- A alternativa B propõe iniciar profilaxia para febre reumática. Como já discutimos, o ASLO elevado isolado não é suficiente para diagnosticar febre reumática ou indicar profilaxia. Precisaríamos de critérios clínicos de Jones para isso.
- A alternativa D combina as duas condutas anteriores: iniciar anti-inflamatório não hormonal e profilaxia para febre reumática. Esta opção está incorreta pelos mesmos motivos das alternativas A e B, pois não há critérios inflamatórios ou de Jones que justifiquem essa combinação.
- Por fim, a alternativa C sugere tranquilizar os pais orientando tratar-se de uma condição funcional. Esta é a conduta mais adequada. O padrão bilateral e noturno da dor, a melhora com massagem e os exames normais são muito característicos das dores benignas dos membros, que são consideradas funcionais, ou seja, sem uma causa orgânica grave.
- Para revisar rapidamente: em uma criança em idade escolar com dor em membros inferiores bilateral e noturna, que melhora com massagem e tem exames laboratoriais normais, pense sempre em dor benigna dos membros, mesmo que o ASLO esteja um pouco elevado.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Dores comuns em pediatria — dores nos membrosSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.