Lactente de 11 meses, sexo masculino, com febre (38 – 38,5 graus), tosse, coriza e recusa alimentar. Não tem doenças de base e nunca fez uso de antibióticos. No exame físico, estava em bom estado geral, eupneico, com hiperemia de orofaringe. A otoscopia apresentava abaulamento da membrana timpânica bilateralmente. Para esse paciente, a conduta mais adequada é:
Alternativa E separada da linha contínua da alternativa D no PDF.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos um lactente de 11 meses.
- Ele apresenta febre entre 38 e 38,5 graus, tosse, coriza e recusa alimentar.
- É importante notar que ele não tem doenças de base e nunca usou antibióticos.
- No exame físico, o achado mais relevante é o abaulamento da membrana timpânica bilateralmente.
- A presença de abaulamento da membrana timpânica, especialmente bilateral, em um lactente com sintomas de infecção respiratória superior e febre, é um critério diagnóstico forte para otite média aguda.
- A idade do paciente, 11 meses, o coloca em uma faixa etária com maior risco de complicações e onde a conduta de observação é menos indicada, especialmente com envolvimento bilateral.
- A ausência de uso prévio de antibióticos nos sugere que podemos iniciar com um antibiótico de primeira linha, sem preocupações imediatas com resistência.
- Analisando a alternativa A, que sugere cefalosporina oral de terceira geração como escolha inicial, vemos que ela está incorreta.
- Cefalosporinas de amplo espectro não são a primeira escolha universal para otite média aguda não complicada, reservando-se para falha terapêutica ou casos específicos.
- A alternativa B propõe apenas anti-inflamatório, por via oral, evitando o uso de antibioticoterapia.
- Embora a analgesia seja muito importante para o conforto da criança, a idade e a bilateralidade da otite média aguda indicam a necessidade de antibioticoterapia, e não apenas a observação.
- A alternativa D sugere a aplicação de corticosteroide tópico para analgesia local.
- Corticosteroides tópicos não são recomendados como analgesia padrão para otite média aguda, e não há evidências que suportem seu uso para esse fim.
- Por fim, a alternativa E fala em miringotomia para alívio da dor e coleta de material.
- A miringotomia não é necessária rotineiramente em casos de otite média aguda não complicada, sendo reservada para situações de falha terapêutica, complicações ou dor intensa refratária.
- Isso nos leva à alternativa C, que afirma que a amoxicilina, por via oral, é o antibiótico de escolha, independentemente da vacina contra o pneumococo.
- A amoxicilina é, de fato, a primeira escolha para o tratamento da otite média aguda em crianças sem fatores de risco para resistência, como é o caso aqui.
- A vacinação pneumocócica, embora reduza o risco de otite, não exclui a possibilidade de otite bacteriana e não altera a escolha inicial do antibiótico quando a doença está instalada.
- Então, em uma criança de 11 meses com otite média aguda bilateral, pense sempre na amoxicilina como primeira escolha de antibiótico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Acute otitis mediaRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.