Lactente, feminino, dois anos de idade, apresenta manchas roxas e puntiformes, espalhadas pelo corpo, iniciadas há dois dias, com piora progressiva. Nega febre e mãe relata "virose" há nove dias. Exame físico: bom estado geral, anictérica, acianótica, afebril, corada. Pele: petéquias e equimoses disseminadas. Sem adenomegalias palpáveis. Fígado e baço não palpáveis Exames de laboratório: hemoglobina 12g/dl; hematócrito = 42%; VCM 82 fL; HCM = 26 pg: leucócitos = 5.600/mm³; plaquetas = < 5000/mm³. Qual é a hipótese diagnóstica?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Primeiro, a idade da paciente, que é de dois anos. Isso nos situa na faixa etária pediátrica, onde algumas doenças são mais comuns.
- A queixa principal são as "manchas roxas e puntiformes", que já nos direcionam para um problema de sangramento ou coagulação.
- O quadro é agudo, iniciado "há dois dias, com piora progressiva", indicando uma evolução rápida.
- É importante notar que a mãe "nega febre" e a criança está afebril no exame, o que afasta um processo infeccioso agudo grave como causa primária.
- No entanto, a mãe relata uma "virose" há nove dias, o que é um dado muito relevante para algumas condições hematológicas.
- Ao exame físico, a criança está em "bom estado geral", o que é um sinal tranquilizador, mostrando que ela não está prostrada ou gravemente doente.
- A descrição da pele confirma a queixa: "petéquias e equimoses disseminadas", ou seja, sangramentos cutâneos generalizados.
- A ausência de "adenomegalias palpáveis. Fígado e baço não palpáveis" é crucial, pois afasta organomegalias que poderiam indicar doenças mais graves, como leucemias.
- Nos exames de laboratório, a série vermelha está normal, com "hemoglobina 12 gramas por decilitro; hematócrito = 42 por cento; VCM 82 fL; HCM = 26 pg".
- A série branca também está normal, com "leucócitos = 5.600/mm³".
- E o dado mais importante: as "plaquetas = menor que 5000/mm³", que é uma plaquetopenia extremamente grave e isolada, já que as outras séries estão normais.
- Juntando todos esses achados, temos uma criança em bom estado geral, sem febre, sem organomegalias, com histórico de virose recente e uma plaquetopenia isolada e grave. Isso nos leva a pensar em uma causa específica de plaquetopenia.
- A Síndrome de Wiskott Aldrich é uma imunodeficiência primária que geralmente se manifesta com eczema, infecções recorrentes e plaquetopenia desde o nascimento ou primeiros meses de vida, o que não se encaixa no quadro da nossa paciente.
- A aplasia de medula óssea comprometeria outras linhagens celulares, como a série vermelha e a série branca, o que não vemos nos exames da paciente, que tem hemoglobina e leucócitos normais.
- A leucemia linfoide aguda geralmente apresenta outros achados, como organomegalia, adenomegalias, febre, e alterações em outras linhagens do hemograma, que não estão presentes no nosso caso. A criança está em bom estado geral e sem febre.
- A Trombocitopenia Imune Primária, ou PTI, é a hipótese mais provável aqui. Temos uma criança em bom estado generalizado, com plaquetopenia isolada e grave, sem outras alterações no hemograma ou no exame físico, e com histórico de infecção viral recente, o que é um gatilho comum para a PTI.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança de dois anos, com plaquetopenia isolada e grave após um quadro viral, sem outros achados sistêmicos, pense sempre em Trombocitopenia Imune Primária.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Immune thrombocytopenic purpuraRoyal Children's Hospital, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.