Lactente, três meses de idade, é levado à emergência pelos pais, inconsciente e apresentando espasmos em extremidades. Mãe relata que o bebê estava chorando muito desde o início da noite e que o fez dormir em seu colo, adormecendo também. Acordou com o menino no chão à sua frente, parecendo dormir e "se batendo sem parar". Exame físico: coma profundo, flexão hipertônica reflexa, Glasgow = 5, respiração ruidosa com esforço, palidez de pele e mucosas. Foi entubado e mantido em ventilação mecânica. RX de crânio: fratura linear de crânio, envolvendo osso parietal à esquerda, hemorragia intracraniana bilateral. Com base no diagnóstico, qual é conduta adequada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico, destacando os pontos mais importantes. Primeiro, temos um lactente de apenas três meses de idade.
- Ele chega à emergência inconsciente e com espasmos nas extremidades, o que já nos indica um quadro neurológico grave.
- A mãe relata que o bebê estava chorando muito desde o início da noite, um sintoma que pode ser inespecífico, mas que vale a pena notar.
- O relato do acidente é que a mãe adormeceu com o bebê no colo e acordou com ele no chão, o que é o mecanismo de trauma sugerido.
- O exame físico confirma a gravidade, com coma profundo e um Glasgow de 5, mostrando um comprometimento neurológico muito sério.
- E, para completar, o RX de crânio revela uma fratura linear e hemorragia intracraniana bilateral, achados muito preocupantes para um lactente.
- Agora, vamos conectar esses achados. Um lactente de três meses (passo 0) com um trauma craniano tão grave (passo 5) e hemorragia bilateral, a partir de uma queda do colo (passo 3), é um cenário que levanta uma bandeira vermelha.
- A gravidade das lesões, especialmente a hemorragia intracraniana bilateral e a fratura de crânio, é altamente inconsistente com uma queda simples do colo.
- Essa discrepância entre o mecanismo relatado e as lesões encontradas nos leva a uma forte suspeita de trauma não acidental, ou seja, violência infantil.
- Diante de uma suspeita tão consistente de violência, a conduta prioritária, além da estabilização médica, é garantir a proteção da criança e acionar os órgãos competentes.
- A alternativa A sugere solicitar mais exames de imagem e EEG para epilepsia. Embora exames sejam importantes, o foco aqui é a causa do trauma e a proteção, não apenas o tratamento sintomático da epilepsia, que é uma consequência.
- A alternativa D menciona investigar osteogênese imperfeita. Embora seja um diferencial para fragilidade óssea, a apresentação clínica com hemorragia intracraniana bilateral e a inconsistência do relato tornam a violência a hipótese mais provável e urgente, não devendo ser excluída pela busca de outra condição.
- A alternativa B propõe solicitar um estudo radiológico de corpo inteiro e só então, se houverem outras fraturas, encaminhar ao serviço social. Isso é um erro grave, pois a suspeita já é consistente com os achados atuais, e esperar por mais lesões atrasa a proteção da criança.
- A alternativa C é a correta. Diante da forte suspeita de violência, é fundamental acionar a polícia, registrar um boletim de ocorrência e fazer a notificação obrigatória ao Conselho Tutelar, garantindo assim as medidas de proteção necessárias para a criança.
- Em um lactente com trauma grave e achados incompatíveis com o relato, pense sempre em violência infantil e na necessidade de proteção imediata.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual de atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violênciaSBP, 2018 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.