Menina, 9 anos de idade, há 8 meses não quer viajar de avião nas férias programadas porque teme que seu irmão vomite perto dela. O irmão de 6 anos de idade teve coqueluche aos 4 anos e vomitava após crises de tosse, com alguma frequência. Está no 4º ano do ensino fundamental, tem bom aproveitamento, conversa pouco, tem alguns amigos. Pratica natação 1 vez por semana, experimentou balé, circo e teatro, mas não se adaptou. Tem alimentação regular, a mãe precisa se deitar ao seu lado até adormecer. Entre 4 e 5 horas vai para a cama dos pais. O diagnóstico provável para o quadro é um transtorno
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. O enunciado nos apresenta uma menina de nove anos de idade.
- Ela não quer viajar de avião há oito meses, o que já nos mostra um comportamento de evitação e a cronicidade do problema.
- O motivo é que ela teme que seu irmão vomite perto dela, revelando um medo específico e desproporcional.
- Esse medo tem uma origem, já que o irmão teve coqueluche e vomitava após as crises de tosse, mas a reação atual da menina é exagerada para a situação.
- Observamos que ela conversa pouco e tem alguns amigos, o que pode indicar um certo retraimento social, mas não um isolamento completo.
- A dificuldade em se adaptar a novas atividades como balé, circo e teatro, também sugere uma evitação ou desconforto em situações novas.
- Por fim, a necessidade da mãe se deitar ao lado dela para adormecer e o fato de ir para a cama dos pais de quatro a cinco horas da manhã, mostram uma dependência excessiva e dificuldade com a separação, especialmente no sono.
- Juntando esses pontos, a gente vê um medo específico e persistente, que leva a um comportamento de evitação, como não querer viajar, e também uma dependência acentuada da mãe para dormir.
- Esses comportamentos estão causando um prejuízo funcional claro na vida da menina, afetando suas atividades e autonomia.
- Apesar do bom aproveitamento escolar, que é um ponto positivo, isso não exclui a presença de sofrimento emocional ou de um transtorno.
- Considerando o medo persistente, a evitação e a dependência, o quadro aponta para um transtorno de ansiedade.
- A alternativa B, que fala em transtorno de conduta, não se encaixa aqui, porque não há descrição de violação de regras ou direitos de outras pessoas, que são características desse transtorno.
- A alternativa C, transtorno de oposição desafiante, também não é a correta. A menina não apresenta um padrão de desafio, irritabilidade ou confronto com figuras de autoridade.
- A alternativa D, transtorno disruptivo da regulação do humor, está incorreta. Faltam as explosões recorrentes de raiva e a irritabilidade crônica que definem esse transtorno.
- A alternativa E, com sintomas somáticos de conversão, não se aplica. Não foram descritos sintomas neurológicos funcionais, como paralisia ou cegueira, que seriam esperados em um transtorno de conversão.
- A alternativa A, transtorno de ansiedade, é a mais provável. O medo persistente, a evitação de situações que causam ansiedade, a dificuldade de adaptação e a dependência materna são todos sinais que se encaixam no diagnóstico de um transtorno de ansiedade.
- Em uma criança de nove anos, com medo persistente e evitação de situações específicas, além de dependência para dormir, pense sempre em um transtorno de ansiedade.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Social anxiety disorder — recognition, assessment and treatmentNICE, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.