Menino, 10 anos de idade, caiu em pista de skate, enquanto descia rampa de cerca de 1 metro de altura. Perdeu a consciência de imediato, foi transportado para a Emergência, em carro particular. Apresenta laceração em couro cabeludo, em região parietal direita e fratura com desvio em antebraço direito. Foi colocado colar cervical, a expansão torácica é simétrica, com ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. O abdome é flácido, sem massas palpáveis. Tem FC = 110 bpm, FR = 24 mrm, PA 100/70 mmHg, SatO₂ 95%, pulsos palpáveis, Tec = 2 seg. Tem pupilas isocóricas e fotorreagentes, abre os olhos ao ser chamado, está confuso e retira o braço quando se toca o local da fratura. Foram puncionados 2 acessos venosos. A seguir, além de avaliação laboratorial da função renal, indica-se a realização de:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um menino de 10 anos de idade, o que é importante porque a abordagem do trauma pediátrico pode variar com a faixa etária.
- Ele sofreu uma queda em pista de skate, um mecanismo de trauma que pode gerar lesões significativas, especialmente em alta velocidade ou altura.
- A rampa tinha cerca de 1 metro de altura, o que é uma altura considerável para uma queda e aumenta a energia do impacto, sugerindo um trauma de maior gravidade.
- Um dado crucial é que ele perdeu a consciência de imediato, o que é um sinal de alerta para lesão cerebral traumática, mesmo que transitória.
- Ele apresenta uma laceração em couro cabeludo, que é uma lesão externa comum em traumas de crânio, e uma fratura com desvio em antebraço direito, que é uma lesão ortopédica que precisará de atenção, mas não é a prioridade imediata.
- Os sinais vitais estão relativamente estáveis: frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24 incursões por minuto, pressão arterial de 100 por 70 milímetros de mercúrio e saturação de oxigênio de 95 por cento. Isso nos dá um pouco de tranquilidade hemodinâmica, mas não exclui lesões graves.
- No exame neurológico, as pupilas estão isocóricas e fotorreagentes, o que é um bom sinal, indicando que não há uma lesão de massa evidente ou herniação cerebral no momento.
- No entanto, ele abre os olhos ao ser chamado e está confuso, o que, junto com a perda de consciência inicial, indica uma alteração persistente do nível de consciência.
- Ele retira o braço quando se toca o local da fratura, mostrando que ele localiza a dor, o que é um bom sinal motor, mas não anula a confusão.
- Juntando a perda de consciência inicial com a confusão atual, temos um quadro de trauma craniano com alteração do nível de consciência, que é um sinal de alerta importante.
- Mesmo com os sinais vitais estáveis e as pupilas normais, a alteração do nível de consciência impede uma avaliação clínica segura e completa do trauma craniano.
- Portanto, a presença de qualquer alteração de consciência após um trauma, como a confusão que o paciente apresenta, é uma indicação clara para a realização de exames de imagem para investigar possíveis lesões intracranianas e de coluna cervical, dado o mecanismo de trauma.
- Analisando a alternativa B, iniciar soro de manutenção com volume de um terço da necessidade diária é incorreto. A restrição hídrica fixa não é uma medida universal e pode até prejudicar a perfusão cerebral em pacientes com trauma craniano, especialmente se houver instabilidade hemodinâmica ou risco de hipovolemia.
- A alternativa C propõe sequência rápida para intubação nasotraqueal. No trauma, a intubação nasal não é a via preferida, especialmente se houver suspeita de lesão craniofacial ou de base de crânio, pelo risco de lesões adicionais. A intubação orotraqueal é geralmente a escolha.
- A alternativa D sugere infusão de soro a 25 graus para diminuir o consumo de oxigênio. A hipotermia induzida com soro frio não é uma conduta inicial rotineira descrita ou recomendada para diminuir o consumo de oxigênio no trauma craniano agudo, e pode ter efeitos adversos.
- A alternativa E fala em inserção de cateter para monitoração de pressão intracraniana e redução da fratura de antebraço. A monitorização invasiva da pressão intracraniana depende da gravidade e de uma avaliação especializada, não sendo a primeira medida após a estabilização inicial. A redução da fratura de antebraço, embora necessária, não é a prioridade imediata diante da suspeita de lesão intracraniana.
- Portanto, a alternativa correta é a A. Diante da alteração de consciência após o trauma, a tomografia de crânio é fundamental para avaliar lesões intracranianas. Além disso, o mecanismo de trauma e a perda de consciência também justificam a tomografia de coluna cervical, para descartar lesões nessa região, que poderiam ser graves.
- Em uma criança de 10 anos, com perda de consciência e confusão após um trauma, pense sempre em trauma craniano e cervical e na necessidade de exames de imagem para descartar lesões graves.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Head injuryRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.