Menino, 10 anos, morador de área urbana, está em avaliação no pronto-atendimento por apresentar dor em cotovelo direito há 1 dia. Há 1 semana, iniciou quadro de febre de 38,5 °C, 1 a 2 picos ao dia, associada à dificuldade de deambular devido ao joelho direito apresentar-se "doloroso e inchado". Após 4 dias, percebeu melhora da dor no joelho, porém o tornozelo direito começou a ficar "inchado e um pouco avermelhado", doloroso, com melhora em 2 dias. Há 3 semanas, havia se queixado de dor de garganta. Sem outras queixas. Nega contato com animais domésticos. No momento do atendimento, está com dificuldade para movimentar o cotovelo direito por causa da dor e do edema, frequência cardíaca de 110 bpm e 2 bulhas rítmicas normofonéticas, com sopro sistólico de 3+/6+. Restante do exame físico sem anormalidades. Considerando o quadro clínico apresentado, o agente etiológico e o tratamento de escolha são, respectivamente,
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de pediatria. Temos um menino de dez anos, que é uma idade importante para pensarmos em algumas doenças.
- Ele está no pronto-atendimento com dor no cotovelo direito há um dia, que é a queixa atual.
- Há uma semana, ele começou com febre de 38,5 graus Celsius, com um a dois picos ao dia, o que indica um processo inflamatório ou infeccioso.
- Essa febre estava associada à dificuldade de andar por causa do joelho direito, que estava doloroso e inchado. Isso nos mostra um acometimento articular inicial.
- Quatro dias depois, o joelho melhorou, mas o tornozelo direito começou a inchar, ficar avermelhado e doloroso, melhorando em dois dias. Essa característica de dor que migra de uma articulação para outra é um dado muito importante.
- E, há três semanas, ele teve dor de garganta. Essa informação é crucial, pois sugere uma infecção prévia que pode ser a causa do quadro atual.
- No exame físico, ele está com dificuldade de movimentar o cotovelo direito devido à dor e ao inchaço, confirmando o acometimento articular atual.
- Além disso, a frequência cardíaca é de cento e dez batimentos por minuto e ele apresenta um sopro sistólico de três em seis cruzes. Um sopro novo, especialmente em um contexto de artrite migratória, é um achado cardíaco de grande relevância.
- A idade do paciente, de dez anos, é típica para a febre reumática, que é uma doença inflamatória que geralmente afeta crianças em idade escolar.
- A história de dor de garganta há três semanas é um forte indicativo de uma infecção estreptocócica prévia, que é o gatilho para a febre reumática.
- A artrite migratória, que começou no joelho, foi para o tornozelo e agora está no cotovelo, é um dos critérios maiores de Jones para o diagnóstico de febre reumática.
- O sopro cardíaco sistólico, especialmente em um paciente com esse quadro, sugere cardite, que é outro critério maior de Jones e uma complicação grave da febre reumática.
- Com esses achados, a hipótese mais provável é a de febre reumática, que é uma sequela não supurativa de uma infecção por Streptococcus pyogenes.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere Borrelia burgdorferi e doxiciclina. A doença de Lyme, causada pela Borrelia, não se encaixa bem no contexto pós-estreptocócico e na epidemiologia apresentada, como o comentário nos lembra.
- A alternativa B fala em Staphylococcus aureus e oxacilina. Embora o S. aureus possa causar infecções graves, ele não é o agente etiológico da febre reumática, que é uma doença autoimune desencadeada por um estreptococo.
- A alternativa C menciona Treponema pallidum e penicilina G benzatina. A sífilis, causada pelo Treponema, não tem relação com a síndrome reumática que estamos vendo aqui.
- Por fim, a alternativa D propõe Streptococcus pyogenes e penicilina G benzatina. Esta é a resposta correta. A febre reumática é uma complicação de uma infecção por Streptococcus pyogenes, e a penicilina G benzatina é o tratamento de escolha para erradicar o agente e também para a profilaxia secundária da febre reumática.
- Então, em uma criança de dez anos, com história de dor de garganta prévia, artrite migratória e sopro cardíaco novo, pense sempre em febre reumática.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diretrizes brasileiras para febre reumática — guia de bolsoSBC/SBP/SBR, 2009 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.