Menino de 14 anos apresenta febre alta há 7 dias, dor de garganta e surgimento de exantema maculopapular disseminado. Nega uso recente de antibióticos. Ao exame físico, observam-se exsudato amarelado em amídalas, linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e hepatomegalia discretas. O exantema acomete tronco, face e membros, sem prurido. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual achado laboratorial é mais característico?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um menino de 14 anos, e a idade é super importante aqui, porque a mononucleose infecciosa é bem comum nessa faixa etária.
- Ele apresenta febre alta que já dura 7 dias, o que nos indica um quadro infeccioso prolongado, não agudo e autolimitado de poucas horas.
- A dor de garganta é um sintoma clássico e nos direciona para uma faringite ou faringoamigdalite.
- E, ao exame físico, a gente vê exsudato amarelado nas amídalas, confirmando essa inflamação da garganta.
- Outro achado crucial é a linfadenopatia generalizada, ou seja, gânglios aumentados em várias regiões do corpo, o que é bem típico de algumas infecções virais.
- A presença de esplenomegalia e hepatomegalia discretas, ou seja, aumento do baço e do fígado, mesmo que leves, reforça a suspeita de uma infecção sistêmica, como a mononucleose.
- Ele também tem um exantema maculopapular disseminado, que é uma erupção cutânea que pode aparecer em alguns casos de mononucleose infecciosa.
- É importante notar que ele nega uso recente de antibióticos, pois alguns antibióticos, como a amoxicilina, podem causar um rash semelhante em pacientes com mononucleose, mas aqui o rash faz parte da doença.
- Juntando todos esses dados — adolescente, febre prolongada, faringite exsudativa, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e exantema — a principal hipótese diagnóstica é a síndrome mononucleósica.
- E a causa mais comum dessa síndrome em adolescentes é a infecção pelo vírus Epstein-Barr, que causa a mononucleose infecciosa.
- Agora, pensando nos achados laboratoriais característicos da mononucleose infecciosa, vamos analisar as alternativas.
- A alternativa A fala em anemia normocítica com reticulocitose. Embora a mononucleose possa, raramente, causar anemia hemolítica autoimune, isso não é o achado mais característico e a reticulocitose seria uma resposta a essa anemia, não a alteração primária esperada.
- A alternativa B sugere leucopenia intensa com neutropenia absoluta. Na mononucleose, é mais comum vermos leucocitose, ou seja, aumento dos glóbulos brancos, com predomínio de linfócitos, e não uma neutropenia profunda.
- Já a alternativa C menciona eosinofilia periférica significativa. A eosinofilia é mais associada a parasitoses ou reações alérgicas, e não é um achado típico da infecção pelo vírus Epstein-Barr.
- A alternativa D, por sua vez, descreve linfocitose com presença de linfócitos atípicos. Este é o achado hematológico clássico da mononucleose infecciosa, onde vemos um aumento do número de linfócitos, muitos deles com características morfológicas atípicas, as chamadas células de Downey.
- Então, criança ou adolescente com febre prolongada, faringite, adenopatia e hepatoesplenomegalia, pense sempre em mononucleose infecciosa, e o hemograma com linfocitose e linfócitos atípicos vai te ajudar muito no diagnóstico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Clinical overview of Epstein–Barr virusCDC, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.