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Pediatrando

Paciente do sexo masculino, 3 anos de idade, avaliado em pronto atendimento com febre baixa há 3 dias, coriza hialina, conjuntivite, tosse seca e diarreia. Nas ultimas 12 horas, a febre tornou mais alta (máxima de 38,5 C), e a prostração e o cansaco se tornaram mais intensos. Mãe se diz exausta, já que e a quinta infecção de via aérea da criança, previamente hígida nos últimos 3 meses. Durante avaliação, foi observada prostração, taquipneia (FR: 42 irpm com uso de musculatura acessoria e taquicardia (120 bpm). Além disso, notou-se distensão abdominal, com dor difusa a palpação superficial e profunda, mas Blumberg negativo, o paciente apresentou sinais de conjuntivite com leve edema bipalpebral 1+/4+. A radiografia torácica mostrou aumento do infiltrado intersticial e a ultrassonografia abdominal mostrou leve hepatoesplenomegalia. Exames laboratoriais: creatinina e ureia sem anormalidades, discreta elevação de transaminases, hemoglobina 9,5 mg/dL, plaquetas 99.000/mm3, neutrófilos 16000 mm3 com predomínio de neutrófilos. Sob observação, o quadro evoluiu com nova piora, febre de 39 C, hipotensão, taquidispneia, frequência respiratória de 60 irpm, saturação 88% em ar ambiente, redução do murmúrio vesicular à direita com crepitações e sibilos difusos. Com a piora do quadro, foi realizada tomografia computadorizada de tórax, que mostrou pulmão em padrão de vidro fosco, com derrame pleural bilateral (maior à direita), discreto aumento de área cardíaca. Solicitado ecocardiograma, que apontou leve aumento de câmaras cardíacas, com leve insuficiência mitral, aumento de câmaras cardíacas direita e esquerda, manutenção do desempenho sistólico ventricular, hipertensão arterial pulmonar, fração de ejeção de 64% e leve derrame pericárdico. O exame para covid-19 foi positivo para a imunoglobulina lgG e negativo para IgM. O diagnóstico foi então estabelecido como Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pelo vírus SARS-CoV-2. Com relação ao quadro clinico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA.

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Resposta: C

  1. A) O diagnóstico de SIM-P pelo vírus SARS-CoV-2 não poderia ser dado, já que a lgM foi negativa.

    SIM-P é frequentemente pós-infecciosa; IgM negativa não a exclui.

  2. B) A presença de manifestações cardíacas afasta o diagnóstico de SIM-P pelo vírus SARSCoV-2, apesar da IgG positiva.

    Comprometimento cardíaco é manifestação importante de SIM-P.

  3. C) A presença de neutrofilia, plaquetopenia e manifestações cardiovasculares corroboram o diagnóstico de SIM-P pelo vírus SARS-CoV-2.

    Inflamação com alterações hematológicas e cardiovasculares apoia a hipótese no contexto adequado.

  4. D) A Síndrome de Weil, forma grave da leptospirose, cursa com a tríade edema bipalpebral, pneumonite e diarreia, sendo o diagnóstico mais provável.

    Síndrome de Weil caracteriza-se por icterícia, lesão renal e manifestações hemorrágicas, não essa tríade.

Resumo para lembrar

SIM-P pode envolver choque e disfunção cardíaca após infecção pelo SARS-CoV-2. Diagnóstico exige critérios e exclusão de outras causas graves.

Explicação

Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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