Paciente do sexo masculino, de 11 anos, chegou à emergência hospitalar levado por familiares com queimadura por explosão de gasolina há 3 horas. O paciente chegou agitado, apresentando dificuldade respiratória e estridor, saturando a 90% em ar ambiente. No primeiro atendimento foram retiradas as roupas do adolescente, puncionado o acesso venoso, analgesia com opioide e estimada a superfície corporal queimada (SCQ), por meio da fórmula de Lund–Browder, em 44% (queimadura em face, tronco e abdome anterior, períneo e coxas). Assinale a alternativa que apresenta as próximas condutas nesse caso.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um paciente de 11 anos, o que nos lembra que estamos lidando com uma criança maior, mas ainda em pediatria, e que algumas fórmulas, como a de Lund-Browder, são mais adequadas para essa faixa etária.
- A queimadura foi por explosão de gasolina, um mecanismo que sempre nos acende um alerta para a possibilidade de lesão inalatória, devido à inalação de fumaça e gases tóxicos.
- O tempo de evolução é de 3 horas. Isso é importante para o cálculo da ressuscitação volêmica, pois a fórmula de Parkland distribui o volume total em 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura.
- O paciente chegou agitado, com dificuldade respiratória e estridor. O estridor é um sinal gravíssimo de obstrução de via aérea superior, que indica edema ou lesão na laringe ou traqueia alta.
- Além disso, ele estava saturando a 90 por cento em ar ambiente, o que confirma a hipoxemia e a gravidade do quadro respiratório.
- A superfície corporal queimada foi estimada em 44 por cento e inclui face, tronco, abdome anterior, períneo e coxas. Queimaduras em face e tronco, associadas ao mecanismo de explosão e aos sinais respiratórios, reforçam muito a suspeita de lesão inalatória.
- Com esses dados, o estridor e a queimadura em face, somados ao mecanismo de explosão, nos levam a pensar fortemente em uma lesão inalatória grave e em iminente comprometimento da via aérea.
- Diante de uma suspeita de lesão inalatória e hipoxemia, a prioridade máxima é proteger a via aérea do paciente, pois o edema pode progredir rapidamente e levar à obstrução total.
- Uma queimadura de 44 por cento da superfície corporal é considerada extensa e exige uma ressuscitação volêmica agressiva para prevenir o choque hipovolêmico.
- Lembre-se sempre da sequência do ABCDE no trauma e nas emergências: a via aérea vem em primeiro lugar. Portanto, qualquer conduta que atrase a proteção da via aérea deve ser evitada.
- Analisando a alternativa B, que sugere realizar uma broncoscopia para identificar a lesão inalatória, vemos que, embora a broncoscopia seja um exame importante, ela não deve atrasar a proteção da via aérea. Em um paciente com estridor e hipoxemia, a prioridade é garantir a permeabilidade da via aérea, e não apenas diagnosticar a lesão.
- A alternativa C propõe iniciar a ressuscitação pela fórmula de Parkland e passar uma sonda vesical de demora. Embora a ressuscitação seja fundamental, essa alternativa omite completamente a avaliação e proteção da via aérea, que é a conduta mais urgente nesse cenário de estridor e hipoxemia.
- Já a alternativa D sugere passar uma sonda vesical e mensurar a diurese para decidir a necessidade de ressuscitação. Não podemos aguardar a diurese para iniciar a ressuscitação em uma queimadura tão extensa. A ressuscitação é iniciada com base na superfície corporal queimada e peso, e a diurese é usada para ajustar o volume, mas não para decidir se a ressuscitação será iniciada.
- A alternativa E fala em ofertar oxigênio por máscara não reinalante, realizar expansão com soro fisiológico e iniciar antibioticoterapia. O oxigênio é importante, mas em um paciente com estridor e hipoxemia grave, pode ser insuficiente para proteger a via aérea. Além disso, a antibioticoterapia profilática sistêmica não é uma conduta rotineira em queimaduras, sendo reservada para casos específicos ou infecção confirmada.
- Por fim, a alternativa A, que indica proceder à intubação e iniciar a ressuscitação pela fórmula de Parkland, é a mais adequada. A intubação é a medida mais eficaz para proteger a via aérea em um paciente com estridor e hipoxemia por lesão inalatória. E a ressuscitação volêmica pela fórmula de Parkland é essencial para uma queimadura de 44 por cento da superfície corporal.
- Então, em uma criança com queimadura extensa e sinais de lesão inalatória, como estridor e hipoxemia, pense sempre em intubação orotraqueal precoce para proteção da via aérea, seguida da ressuscitação volêmica adequada.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Burns — acute managementRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.