Pré-escolar, sexo feminino, 3 anos de idade, é encontrada com uma cartela de paracetamol na mão. Pela estimativa dos familiares, ela ingeriu 4 comprimidos de 750 mg cada. Chega ao atendimento médico aproximadamente 4 horas após a ingestão. Está assintomática. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, consciente e orientada; PA: 96/54 mmHg; FC: 108 bpm; FR: 26 irpm; sem alterações significativas. Peso de 15 kg. A conduta mais apropriada é
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos uma pré-escolar, uma menina de 3 anos de idade, que é uma faixa etária importante para a gente considerar a vulnerabilidade e o manejo.
- Ela foi encontrada com uma cartela de paracetamol na mão, o que já nos direciona para o agente tóxico em questão.
- Os familiares estimam que ela ingeriu 4 comprimidos de 750 miligramas cada, o que é uma dose bem alta para uma criança.
- A criança chega ao atendimento médico aproximadamente 4 horas após a ingestão. Esse tempo é crucial para definir a janela de intervenção e a necessidade de exames.
- No momento da chegada, ela está assintomática, o que pode ser enganoso em casos de intoxicação por paracetamol, já que a hepatotoxicidade pode demorar a se manifestar.
- Por fim, o peso da criança é de 15 quilos, dado essencial para calcular a dose por quilo e avaliar a toxicidade.
- Com base nos dados, a dose total ingerida foi de 3000 miligramas. Dividindo pelos 15 quilos da criança, temos uma dose de 200 miligramas por quilo.
- Essa dose de 200 miligramas por quilo é considerada uma dose tóxica para paracetamol, o que nos coloca em uma situação de alto risco para hepatotoxicidade.
- Mesmo que a criança esteja assintomática, a alta dose ingerida e o tempo de 4 horas após a ingestão nos obrigam a agir preventivamente contra o dano hepático.
- A N-acetilcisteína é o antídoto específico para a intoxicação por paracetamol e é indicada quando há critérios de risco, como a dose ingerida neste caso, ou quando a concentração sérica indica tratamento.
- A alternativa A sugere realizar apenas lavagem gástrica. No entanto, a lavagem gástrica não é uma medida rotineira e, após 4 horas da ingestão, sua eficácia é mínima, além de não substituir o antídoto necessário para a toxicidade sistêmica.
- A alternativa B propõe administrar lavagem gástrica seguida de carvão ativado. Assim como na alternativa anterior, a lavagem gástrica não é indicada. O carvão ativado pode ser útil em até uma ou duas horas após a ingestão, mas após 4 horas, seu benefício é limitado e não é a conduta principal para uma dose tão elevada.
- A alternativa D sugere alta hospitalar com observação domiciliar. Isso seria um erro grave, pois a ausência inicial de sintomas não exclui a possibilidade de hepatotoxicidade grave, que pode se manifestar horas ou dias depois. A criança está em alto risco e precisa de tratamento.
- A alternativa C, que indica a infusão de acetilcisteína endovenosa, é a conduta mais apropriada. Diante de uma dose tóxica de 200 miligramas por quilo de paracetamol e o tempo de 4 horas, a N-acetilcisteína é o tratamento de escolha para prevenir a hepatotoxicidade, conforme os critérios de risco.
- Então, para revisar rapidamente: uma criança de 3 anos, com intoxicação por paracetamol em dose tóxica, pense sempre em N-acetilcisteína como antídoto.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Paracetamol poisoningRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.