Pré-escolar, sexo feminino, 2 anos e 6 meses de idade, previamente hígida, chega ao pronto atendimento com quadro de febre de até 39,5 °C, tosse e coriza iniciados há 36 horas, com vômitos e hiporresponsividade nas últimas 3 horas. Ao exame clínico: regular estado geral; descorada 2+/4+; FC: 170 bpm; PA: 78/44 mmHg; FR: 42 irpm; SpO2: 90% em ar ambiente; tempo de enchimento capilar: 4 segundos; extremidades frias; pulsos filiformes. Exame pulmonar com presença de tiragem subdiafragmática leve, ausculta com murmúrios vesiculares presentes bilateralmente com sopro tubário em ápice direito. Sem outras alterações relevantes. Administrado oxigênio em máscara não reinalante com aumento da SpO2 para 95% e resolução do desconforto respiratório. Após duas tentativas, obtém-se acesso venoso periférico, sendo também colhida hemocultura. Entre as condutas listadas a seguir, qual é a primeira a ser realizada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma pré-escolar, com dois anos e seis meses de idade, o que já nos dá uma ideia dos parâmetros vitais esperados para essa faixa etária e das patologias mais comuns.
- Ela chega com um quadro de febre alta, até 39,5 graus Celsius, tosse e coriza, que começaram há 36 horas. Isso sugere um processo infeccioso, provavelmente respiratório.
- O dado mais preocupante é a piora nas últimas três horas, com vômitos e hiporresponsividade, que são sinais de gravidade e podem indicar um quadro de choque.
- Ao exame, a frequência cardíaca de 170 batimentos por minuto está bem acima do normal para a idade, indicando taquicardia.
- A pressão arterial de 78 por 44 milímetros de mercúrio é um achado crucial, pois indica hipotensão para essa idade, o que é um sinal de choque descompensado em crianças.
- A frequência respiratória de 42 incursões por minuto mostra taquipneia, e a saturação de oxigênio de 90 por cento em ar ambiente indica hipoxemia.
- O tempo de enchimento capilar de 4 segundos, as extremidades frias e os pulsos filiformes são todos sinais clássicos de má perfusão periférica, reforçando a hipótese de choque.
- No exame pulmonar, a presença de sopro tubário em ápice direito sugere uma consolidação pulmonar, ou seja, uma pneumonia, que pode ser o foco infeccioso.
- A administração de oxigênio melhorou a saturação para 95 por cento e resolveu o desconforto respiratório, o que é bom, mas não aborda a questão circulatória principal.
- Um acesso venoso periférico foi obtido e a hemocultura foi colhida, o que é importante para o diagnóstico etiológico, mas ainda não é a primeira conduta terapêutica.
- Juntando todos esses achados – febre, hiporresponsividade, taquicardia, hipotensão, má perfusão periférica e um foco infeccioso – chegamos ao diagnóstico de choque séptico descompensado.
- Diante de um choque séptico, a pergunta é sobre a primeira conduta. Após garantir a via aérea e a respiração, a prioridade máxima é o suporte circulatório para reverter a hipoperfusão.
- A alternativa A sugere iniciar antibiótico endovenoso de amplo espectro. Embora o antibiótico seja urgente na sepse, ele é idealmente administrado em paralelo ao suporte circulatório, e não como a primeira e única medida inicial.
- A alternativa B propõe iniciar sedação para instalação de ventilação não invasiva. A VNI não é a primeira conduta para choque, e a sedação pode até piorar a hipotensão e a instabilidade hemodinâmica do paciente.
- A alternativa C fala em realizar punção torácica de alívio. Não há nenhum sinal no enunciado que sugira pneumotórax hipertensivo, como desvio de traqueia ou ausência de murmúrio vesicular unilateral, então essa conduta não se aplica.
- A alternativa D, realizar expansão com cristaloide de 20 mililitros por quilo endovenosa em 5 a 10 minutos, é a conduta correta. Essa é a pedra angular do tratamento inicial do choque séptico em crianças, visando restaurar a perfusão e a pressão arterial.
- Então, em uma criança com choque séptico descompensado, a primeira medida é sempre a expansão volêmica rápida com cristaloide para restaurar a perfusão.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- International guidelines for management of sepsis and septic shock in childrenSurviving Sepsis Campaign / SCCM, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.