Primigesta, 23 anos de idade, iniciou acompanhamento pré-natal com 10 semanas de gestação. Na primeira consulta, realizou exames, apresentou IgM e IgG positivos para toxoplasmose. Foram realizados IgA para toxoplasmose com resultado negativo e teste de avidez de IgG de 70%. Não recebeu medicação e repetiu os exames no último trimestre de gestação com resultados semelhantes. Ao nascimento, por parto normal, com 38 semanas de gestação, o recém-nascido do sexo masculino, peso = 2.980 g, comprimento = 48 cm, apgar 9/10. De acordo com os dados apresentados, tem indicação de
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- A primigesta iniciou o acompanhamento pré-natal com 10 semanas de gestação, o que é um dado importante para datar a possível infecção.
- Na primeira consulta, ela apresentou IgM e IgG positivos para toxoplasmose, o que indica que houve contato com o parasita.
- Um dado crucial é o teste de avidez de IgG de 70 por cento, que foi realizado no início da gestação.
- Os exames foram repetidos no último trimestre e apresentaram resultados semelhantes, ou seja, a sorologia persistiu, mas a avidez alta se manteve.
- Ao nascimento, o recém-nascido era a termo, com peso e comprimento adequados e Apgar excelente, sem nenhum sinal clínico de toxoplasmose congênita.
- A avidez de IgG de 70 por cento na primeira consulta, lá com 10 semanas de gestação, é um dado muito importante. Ela indica que a infecção materna por toxoplasmose é antiga, provavelmente anterior à gestação.
- Mesmo com a persistência do IgM positivo, a alta avidez de IgG no início da gravidez nos tranquiliza, pois o IgM pode permanecer positivo por meses ou até anos após a infecção aguda.
- Como o recém-nascido não apresenta nenhum sinal clínico de toxoplasmose congênita ao nascer e a infecção materna é considerada antiga, a probabilidade de transmissão congênita é muito baixa.
- Diante desse cenário, não há indicação para uma investigação ou tratamento específico para toxoplasmose congênita no recém-nascido.
- A alternativa B sugere agendar uma consulta em ambulatório especializado para avaliação no primeiro mês de vida. No entanto, o encaminhamento especializado não se justifica apenas por um IgM materno persistente quando há evidência clara de infecção antiga, como a alta avidez de IgG.
- A alternativa C propõe uma investigação mais aprofundada com sorologia, fundo de olho e ultrassonografia transfontanela. Essa investigação só seria necessária se houvesse uma forte suspeita de exposição fetal recente, o que não é o caso aqui, dada a alta avidez de IgG.
- A alternativa D sugere iniciar tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O tratamento neonatal não se justifica somente pela sorologia materna apresentada, sem evidências de infecção fetal ou congênita.
- A alternativa E sugere realizar sorologia, teste de avidez, ultrassonografia transfontanela e análise de líquido cefalorraquidiano, além de iniciar ácido folínico. O ácido folínico isolado não trata a toxoplasmose, e toda essa investigação invasiva não é indicada sem suspeita de infecção congênita.
- A alternativa A, por sua vez, está correta. Com a alta avidez de IgG no início da gestação e um recém-nascido assintomático, a infecção materna é considerada antiga e não há indicação de condutas adicionais além dos cuidados habituais ao recém-nascido.
- Então, uma gestante com IgM e IgG positivos para toxoplasmose e alta avidez de IgG no início da gestação, com um recém-nascido sem sinais clínicos, indica que a infecção é antiga e o bebê não precisa de investigação ou tratamento específico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Toxoplasmose congênitaSBP, 2020 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.