Pular para o conteúdo
Pediatrando

Uma criança de 8 anos é atendida no ambulatório geral de pediatria devido a baixo rendimento escolar. Há 3 meses, vem sendo observadas dificuldades como falta de atenção nos afazeres escolares e domésticos, dificuldade em manter a concentração durante as atividades de lazer e nas aulas de educação física, além de dificuldade em seguir instruções e concluir os deveres. A mãe relata que o comportamento desatento é frequente e que a criança rotineiramente perde objetos e se distrai facilmente com estímulos externos. O pré-natal e parto foram sem intercorrências e não tem antecedentes familiares de doenças neurológicas. O exame neurológico não tem sinais de focalização. Qual é a conduta mais adequada?

Ver o gabarito comentado

Resposta: D

  1. A) Iniciar carbamazepina e checar níveis séricos no retorno.

    Carbamazepina é anticonvulsivante e não trata desatenção; não há crise epiléptica no relato e o exame neurológico é normal. O fármaco pode ainda piorar o desempenho cognitivo.

  2. B) Solicitar eletroencefalograma com fotoestimulação.

    EEG não é exame de rotina na investigação de TDAH. Só se indica diante de suspeita de crises, como episódios breves de olhar parado com interrupção da atividade (ausências), que não são descritos; aqui a desatenção é contínua e ligada às tarefas.

  3. C) Iniciar metilfenidato 30 minutos antes de ir para escola.

    O metilfenidato é primeira linha no TDAH confirmado a partir dos 6 anos, junto com intervenção comportamental. Com só 3 meses de sintomas e sem dados da escola, tratar antes de fechar os critérios expõe a criança a um diagnóstico e a um medicamento possivelmente desnecessários.

  4. D) Manter seguimento e solicitar relatórios acadêmicos.

    A desatenção existe há apenas 3 meses, abaixo dos 6 meses exigidos pelo DSM-5, e só há o relato materno. Manter o seguimento, pedir relatórios e escalas dos professores e investigar causas alternativas (visão, audição, sono, transtornos de aprendizagem, estressores) é o passo correto.

Resumo para lembrar

O diagnóstico de TDAH é clínico e exige sintomas por pelo menos 6 meses, início antes dos 12 anos, presença em dois ou mais ambientes e prejuízo funcional, com informação de pais e professores (escalas como SNAP-IV). Com 3 meses de desatenção, o pediatra investiga causas alternativas (visão, audição, sono, aprendizagem, ansiedade), pede relatórios escolares e reavalia antes de tratar.

Reportar
Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

Questões do mesmo tema