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Desenvolvimento · Para profissionais

TEA na criança: triagem, diagnóstico e farmacoterapia

Da triagem aos 18 e 24 meses ao manejo da irritabilidade: SBP 2024, Linha de Cuidado do MS de 2025, PCDT de 2022, UpToDate e Lexidrug lado a lado.

Equipe editorial Pediatrando Atualizado em 12 min de leitura
SBPMinistério da SaúdeUpToDateLexidrug

Pontos-chave

  • Diagnóstico clínico pelo DSM-5-TR: déficits persistentes nos 3 itens de comunicação social (A) e em pelo menos 2 dos 4 itens de comportamentos restritos e repetitivos (B), com nível de suporte 1, 2 ou 3 em cada domínio.1
  • Triagem universal com M-CHAT-R/F aos 18 e 24 meses (SBP e AAP); o MS aplica dos 16 aos 30 meses. Escore 3–7: entrevista de seguimento; 8–20: encaminhar direto.2,3
  • Investigação: audiologia, X-frágil para todos, microarray, MECP2 na menina com regressão; RM e EEG só com indicação clínica.1,4
  • Nenhum fármaco trata os sintomas nucleares. Risperidona (PCDT, > 5 anos) para agressividade grave refratária às intervenções; reavaliar em 3–4 semanas e suspender sem resposta em 6 semanas.5
Neste artigo
  1. Definição, epidemiologia e níveis de suporte
  2. Triagem: M-CHAT-R/F
  3. Investigação diagnóstica
  4. Diagnóstico diferencial e comorbidades
  5. Intervenções não farmacológicas
  6. Farmacoterapia: como iniciar, monitorar, trocar e encaminhar
  7. Crise e urgência
  8. Pegadinhas de prova
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

1Definição, epidemiologia e níveis de suporte

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento com déficits na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. A prevalência mundial gira em torno de 1%, com predomínio masculino de 4,2:1. A herdabilidade é estimada entre 50% e 90%, com recorrência de 6,1% a 18,7% entre irmãos.1

Critério (DSM-5-TR)Exigência
A. Comunicação e interação socialOs 3 itens: reciprocidade socioemocional; comunicação não verbal; desenvolver, manter e compreender relações
B. Padrões restritos e repetitivos2 de 4: estereotipias motoras, de uso de objetos ou de fala (ecolalia); insistência na mesmice; interesses fixos anormais em intensidade; hiper ou hiporreatividade sensorial
C. InícioPrecoce no desenvolvimento (pode só se manifestar quando a demanda social excede a capacidade)
D. PrejuízoClinicamente significativo no funcionamento atual
E. ExclusãoNão mais bem explicado por deficiência intelectual ou atraso global

Tabela do Manual de Orientação da SBP de 2024, que reproduz o DSM-5-TR (APA, 2022).1

Níveis de suporte: 1 (requer suporte), 2 (requer suporte substancial) e 3 (requer suporte muito substancial), definidos separadamente para cada domínio; os termos leve, moderado e grave foram abandonados, e o nível pode mudar com o tempo e o contexto.1 A CID-11 (6A02) codifica, em subcategorias, a presença de transtorno do desenvolvimento intelectual e o grau de comprometimento da linguagem funcional.6

2Triagem: M-CHAT-R/F

O M-CHAT-R/F tem 20 perguntas de sim ou não, respondidas pelos pais de crianças de 16 a 30 meses, e está na Caderneta da Criança. Todos os itens pontuam com "não", exceto os itens 2, 5 e 12, que pontuam com "sim". É ferramenta de alta sensibilidade, com falsos-positivos, e a triagem positiva pode apontar outros transtornos do desenvolvimento.2

Escore totalRiscoConduta
0–2BaixoSe < 24 meses, repetir aos 24 meses; vigilância de rotina
3–7ModeradoEntrevista de seguimento só dos itens em que falhou: ≥ 2 itens falhos = positivo (encaminhar); 0–1 = negativo
8–20AltoDispensa a entrevista: encaminhar para avaliação diagnóstica e intervenção

SBP, Manual de Orientação nº 150, de 2024, e Caderneta da Criança, 7ª ed.2,3 A suspeita da família ou do profissional justifica encaminhar mesmo com baixo risco.3

Na criança com sinais clínicos de TEA, a avaliação não depende do resultado da triagem; a que tem triagem negativa aos 18 ou 24 meses segue com vigilância de rotina.7 No SUS, a avaliação de risco do desenvolvimento psíquico nas consultas de puericultura é obrigatória pela Lei 13.438/2017.2

As fontes divergem: Quando aplicar o M-CHAT

A SBP e a AAP indicam a triagem nas consultas de 18 e 24 meses, em todas as crianças.2 O UpToDate também faz a triagem aos 18 e 24 meses, com recomendação fraca (grau 2C).7 A Linha de Cuidado do MS de 2025 fala em rastreio na APS de toda criança entre 16 e 30 meses, a faixa de validação do instrumento, sem fixar as duas consultas.6

3Investigação diagnóstica

Anamnese: fatores de risco gestacionais e perinatais (idade parental avançada, pré-eclâmpsia, valproato, prematuridade, infecções congênitas), história familiar, marcos, regressão e comunicação verbal e não verbal. Exame: perímetro cefálico (macrocefalia em 20% a 30%; microcefalia sugere síndrome ou infecção congênita), pele (manchas café com leite, angiofibromas), dismorfias e exame neurológico.1

Instrumentos: o M-CHAT-R/F, o RITA-T e o IRDI são de triagem; ADI-R, CARS-2, ABC, SRS, ADOS-2 (considerado padrão-ouro) e a Escala Labirinto, brasileira, apoiam o diagnóstico, sem substituir a avaliação clínica.1,4

ExameQuando pedir
Avaliação audiológicaSempre; PEATE (BERA) na criança pequena que não colabora com a audiometria
X-frágil (DNA)Todos com TEA; é a alteração genética mais prevalente (1% a 2%)
Microarray cromossômicoPrimeira linha; achado em 10% a 20%
ExomaAchado em cerca de 15%; o rendimento genético total chega a cerca de 25%
MECP2 (síndrome de Rett)Toda menina com regressão do neurodesenvolvimento
CariótipoBaixo rendimento; reservar para suspeita de translocação balanceada (ex.: ≥ 2 abortos)
RM de crânio e EEGNão rotineiros: alteração neurológica, crises, regressão ou cefaleia; EEG na regressão de linguagem para afastar Landau-Kleffner
Laboratório geralGuiado pela clínica: anemia ferropriva, B12 e vitamina D na seletividade alimentar, hipotireoidismo, erros inatos

SBP 2024 e UpToDate 2026.1,4 Sem indicação: metabólitos de fungos, permeabilidade intestinal, metais pesados (exceto chumbo), oligoelementos e testes imunológicos.4

As fontes divergem: Chumbo, exoma e estabilidade do diagnóstico precoce

O UpToDate inclui dosagem de chumbo na investigação de rotina e coloca microarray e X-frágil como testes-padrão; a SBP não cita chumbo e lista também o exoma.1,4 Sobre a idade: a SBP lembra que não há idade mínima para o diagnóstico,8 e o UpToDate considera o diagnóstico estável a partir de 24 meses, mas até 30% dos diagnosticados antes dos 3 anos deixam de preencher critérios no seguimento.4 O PCDT registra que o diagnóstico, em geral, ocorre aos 4 anos ou mais.5

4Diagnóstico diferencial e comorbidades

Diferenciais que mais confundem

Com atraso de fala
  • Deficiência auditiva
  • Transtorno do desenvolvimento da linguagem
  • Apraxia de fala na infância
  • Nesses, a comunicação não verbal e a intenção comunicativa estão preservadas1
Outros
  • Deficiência intelectual e atraso global
  • TDAH, ansiedade, TOC (início mais tardio)
  • Síndrome de Landau-Kleffner (2 a 8 anos)
  • Mutismo seletivo, TEPT, esquizofrenia (adolescentes)1

Comorbidades pela SBP: deficiência intelectual em 30% a 35%, TDAH em 28%, ansiedade em 20%, depressão em 11%; epilepsia em 21% com deficiência intelectual e 8% sem ela; constipação em 22%. TEA ocorre em 20% a 40% na esclerose tuberosa, em 30% no X-frágil e em 16% na síndrome de Down.1

5Intervenções não farmacológicas

As intervenções comportamentais e educacionais são o tratamento dos sintomas nucleares: análise do comportamento aplicada (ABA), Early Start Denver Model (ESDM), TEACCH, terapia cognitivo-comportamental, comunicação alternativa e aumentativa, intervenções mediadas pelos pais e musicoterapia. As revisões sistemáticas reconhecem benefício de vários modelos, sem superioridade de nenhum.5,9

A intervenção não espera o diagnóstico conclusivo: na APS, ausência de marco ou triagem positiva já disparam estímulo e o Projeto Terapêutico Singular (PTS), construído com a família.6 Diante de comportamento desafiador, a análise funcional (gatilho, comportamento, consequência) vem antes de qualquer intervenção, e dor, constipação, sono ruim e sobrecarga sensorial devem ser procurados.5,10

6Farmacoterapia: como iniciar, monitorar, trocar e encaminhar

Os fármacos tratam sintomas associados e comorbidades, nunca os sintomas nucleares, e entram depois de as intervenções não farmacológicas estarem otimizadas. Crianças com TEA têm mais efeitos adversos: comece baixo e suba devagar.5,10

  1. Defina o alvoIdentifique o sintoma mais prejudicial (agressividade, desatenção e hiperatividade, ansiedade, sono) e uma medida de resposta, como a escala ABC.5,10
  2. Inicie em dose baixaUse a menor dose eficaz; em mais de um psicotrópico, atenção a sedação somada, interações e prolongamento do QT.5,10
  3. Reavalie cedoRevisão em 3–4 semanas pelo PCDT; o UpToDate sugere retorno a cada 4–6 semanas na titulação e a cada 3–6 meses na fase estável.5,10
  4. Planeje a retiradaApós 6–12 meses de controle do alvo, considerar retirada gradual e reavaliar a necessidade.5,10
FármacoUso no TEAInício e titulaçãoFaixa e máximo
Risperidona (PCDT/SUS)Agressividade e irritabilidade; > 5 anos< 20 kg: 0,25 mg/dia nos dias 1–3, 0,5 mg/dia do 4º dia em diante; ≥ 20 kg: 0,5 mg/dia, depois 1 mg/dia. Avaliar no 14º dia; subir 0,25 mg (< 20 kg) ou 0,5 mg (≥ 20 kg) com intervalo ≥ 2 semanas< 20 kg: 0,5–1,5 mg/dia; ≥ 20 kg: 1–2,5 mg/dia; > 45 kg: até 3,5 mg/dia (máximo estudado)
Aripiprazol (fora do PCDT)Irritabilidade; ≥ 6 anos2 mg 1×/dia por 7 dias, depois 5 mg 1×/dia; subir 5 mg a cada ≥ 7 diasMáximo 15 mg/dia
Metilfenidato de liberação imediataTDAH comórbido; ≥ 6 anos2,5–5 mg 2×/dia (antes do café e do almoço); subir 5–10 mg/dia por semanaMáximo usual 60 mg/dia, sem passar de 2 mg/kg/dia
Clonidina de liberação imediataTDAH (2ª linha) ou insôniaTDAH, ≥ 6 anos e 27–45 kg: 0,05 mg à noite, +0,05 mg a cada 2–3 dias. Insônia, ≥ 4 anos: 25–50 mcg ao deitar, +25 mcg a cada 1–2 semanasTDAH: 0,2 mg/dia (27–40,5 kg) a 0,4 mg/dia (> 45 kg). Insônia < 27 kg: até 10 mcg/kg/dia
MelatoninaInsônia de início, após higiene do sonoSBP: 1–5 mg, 30 min antes de dormir. UpToDate: 0,5–1 mg, +1 mg se preciso, 30–60 min antesUpToDate: 6 mg; ver o status no Brasil

Risperidona: Quadro 1 do PCDT de 2022; solução oral de 1 mg/mL e comprimidos de 1, 2 e 3 mg.5 Aripiprazol, metilfenidato e clonidina: Lexidrug.11,12,13 Melatonina: SBP 2023 e UpToDate.10,14

As fontes divergem: Risperidona: PCDT, Lexidrug e UpToDate

O esquema de início é o mesmo no PCDT e no Lexidrug.5,15 O Lexidrug acrescenta que o efeito atingiu platô em 1 mg/dia abaixo de 20 kg e em 2,5 mg/dia a partir de 20 kg (3 mg/dia acima de 45 kg); o PCDT lista 1,5, 2,5 e 3,5 mg/dia como as máximas estudadas.5,15 Na monitorização, o PCDT pede prolactina só diante de sintomas, e o Lexidrug a inclui entre os parâmetros de rotina; o UpToDate faz rastreio metabólico a cada 6–9 meses.5,10,15

  • Antes do antipsicótico (PCDT): peso, altura, cintura e quadril; 3 medidas de pressão arterial em dias diferentes; colesterol total e frações, triglicerídeos e glicemia de jejum; história pessoal e familiar de obesidade, diabetes, dislipidemia, hipertensão, doença cardiovascular, síndrome neuroléptica maligna e discinesia. ECG inicial na cardiopatia, repetido a cada 3 meses.5
  • Seguimento (PCDT): antropometria e PA em 3, 6 e 12 meses; hemograma, perfil lipídico e glicemia em 3 e 12 meses; depois, anual. Prolactina se houver galactorreia, alteração menstrual ou da libido.5
  • Lexidrug: sintomas extrapiramidais e escala AIMS, PA ortostática na titulação, peso com 4, 8 e 12 semanas e depois a cada trimestre, enzimas hepáticas na criança obesa ou que ganha peso rápido, glicemia ou HbA1c antes, em 3 meses e anual.11,15
  • Suspender (PCDT): sem resposta após 6 semanas na dose máxima; ganho de peso excessivo, sintomas extrapiramidais ou outro evento com risco maior que o benefício; prolactina > 25 ng/mL (sexo feminino) ou > 20 ng/mL (masculino) com galactorreia, irregularidade menstrual ou alteração da libido; neutropenia grave (< 1 × 10⁹/L); gestação e lactação.5

Trocar de antipsicótico. O PCDT não encontrou diferença entre risperidona e aripiprazol (certeza baixa) e preconiza a risperidona.5 O Lexidrug sugere considerar outro antipsicótico quando o ganho de peso chega a 5% do peso inicial e descreve três estratégias de troca (titulação cruzada, sobreposição e retirada, troca abrupta), com evidência limitada; a suspensão deve ser gradual, para evitar abstinência e recaída.11,15

TDAH comórbido. A abordagem é a mesma da criança sem TEA: estimulante primeiro, em geral metilfenidato, na menor dose disponível e com titulação lenta. O efeito é menor e os eventos adversos, mais frequentes (18% de abandono num ensaio no TEA). Na intolerância ou falha, alfa-2 agonista ou atomoxetina; nos refratários com sintomas graves, risperidona. Com alfa-2 agonista, aferir PA e FC em toda consulta.10,12

Sono. Primeiro, higiene do sono e intervenções comportamentais; depois, melatonina, que tem a melhor evidência; clonidina fica para quem não respondeu. Evitar benzodiazepínicos, e não usar antipsicótico ou anticrise como primeira linha para o sono sem comorbidade.10,14

Comportamentos repetitivos. Não há tratamento farmacológico dos sintomas nucleares.5 Faltam evidências de qualidade de que os ISRS reduzam estereotipias e rigidez; o efeito, quando existe, é pequeno, e o UpToDate os reserva para quando há ansiedade ou TOC associados.10

As fontes divergem: Melatonina e aripiprazol no Brasil

Pelo Ministério da Saúde, a melatonina não é aprovada como medicamento no Brasil: é permitida só como suplemento alimentar, até 0,21 mg/dia, para maiores de 19 anos, e não deve ser usada por crianças.16 A SBP, em 2023, cita doses de 1 a 5 mg à noite.14 O aripiprazol tem aprovação do FDA para irritabilidade no TEA a partir de 6 anos, mas no Brasil não tem essa indicação em bula e não está no PCDT; a risperidona tem indicação em bula da Anvisa para irritabilidade associada ao TEA.5,10

Quando encaminhar. Sempre que possível, a prescrição deve ser feita ou acompanhada por especialista familiarizado com TEA (pediatra do desenvolvimento, neuropediatra ou psiquiatra infantil); na falta dele, o médico da APS pode prescrever ou manter o tratamento.5,10 Neuropediatra diante de crises epilépticas, regressão ou alteração neurológica;1 psiquiatra infantil na suspeita de transtorno do pensamento;10 CAPSi nas crises e no sofrimento psíquico grave.6

7Crise e urgência

A crise de desregulação (meltdown) é uma resposta explosiva à sobrecarga sensorial, emocional ou social, com gritos, choro e às vezes autoagressão; no shutdown, a comunicação fica limitada ou ausente. O manejo começa por reduzir estímulos, falar com calma e usar comunicação alternativa; medidas involuntárias são exceção.6

8Pegadinhas de prova

  • No M-CHAT-R/F, "sim" pontua só nos itens 2, 5 e 12; nos demais, pontua o "não".2
  • Escore 8–20 dispensa a entrevista de seguimento; 3–7 exige; na entrevista, falhar em ≥ 2 itens é positivo.2
  • Atraso de fala não é obrigatório para o diagnóstico.1
  • X-frágil para todos; MECP2 na menina com regressão; RM e EEG não são rotina.1
  • Risperidona no PCDT: acima de 5 anos, comportamento agressivo grave, sem efeito sobre sintomas nucleares.5
  • Vacina tríplice viral não causa autismo.1
  • Meltdown (crise de desregulação) é resposta à sobrecarga sensorial, emocional ou social; já caiu como diferencial de crise epiléptica (INEP 2026).6

Perguntas frequentes

Como pontuar o M-CHAT-R/F?

Some 1 ponto para cada resposta de risco: "não" em todos os itens, exceto 2, 5 e 12, em que o risco é o "sim". De 0 a 2, baixo risco (repetir aos 24 meses se a criança for menor); de 3 a 7, aplicar a entrevista de seguimento; de 8 a 20, encaminhar direto para avaliação diagnóstica e intervenção.

Em que idade fazer a triagem de autismo?

A SBP e a AAP recomendam o M-CHAT-R/F nas consultas de 18 e 24 meses em todas as crianças. O instrumento é validado de 16 a 30 meses, faixa usada pelo Ministério da Saúde na Linha de Cuidado de 2025.

Quais exames pedir na criança com TEA?

Audiologia, X-frágil e microarray; MECP2 na menina com regressão. RM e EEG só com indicação clínica, como crises ou regressão.

Qual a dose de risperidona no autismo?

Pelo PCDT, acima de 5 anos: abaixo de 20 kg, 0,25 mg/dia nos 3 primeiros dias e 0,5 mg/dia a partir do 4º; com 20 kg ou mais, 0,5 mg/dia e depois 1 mg/dia. Aumentos a cada 2 semanas ou mais, até 1,5 mg/dia (< 20 kg), 2,5 mg/dia (20–45 kg) ou 3,5 mg/dia (> 45 kg).

Quando suspender a risperidona?

Sem resposta clinicamente significativa após 6 semanas na dose máxima, com eventos adversos que superem o benefício, hiperprolactinemia sintomática, neutropenia grave, gestação ou lactação. Após 6 a 12 meses de controle, considerar retirada gradual.

Metilfenidato funciona no TEA com TDAH?

Sim, mas com efeito menor e mais eventos adversos que no TDAH isolado. Comece com a menor dose e suba devagar; na falha, alfa-2 agonista ou atomoxetina.

Equipe editorial Pediatrando

Conteúdo conferido em 7 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação nº 176: Transtorno do Espectro do Autismo em Pediatria: etiologia, triagem e diagnóstico. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, 14 de outubro de 2024. sbp.com.br ↗
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação nº 150: Triagem Precoce para Autismo, Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT-R/F). Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, 25 de abril de 2024. sbp.com.br ↗
  3. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania. 7ª edição. Brasília, 2024. Transtorno do Espectro Autista, p. 55; M-CHAT-R, p. 87. bvsms.saude.gov.br ↗
  4. Autism spectrum disorder in children and adolescents: Evaluation and diagnosis. UpToDate, tópico atualizado em 17 de abril de 2026. uptodate.com ↗
  5. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 7, de 12 de abril de 2022. gov.br ↗
  6. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA. 1ª edição. Brasília, 2025. bvsms.saude.gov.br ↗
  7. Autism spectrum disorder in children and adolescents: Surveillance and screening in primary care. UpToDate, tópico atualizado em 20 de abril de 2026. uptodate.com ↗
  8. Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota de Alerta nº 146: Diagnóstico e Atendimento pelo Sistema Único de Saúde para crianças com Espectro Autista. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, 8 de abril de 2024. sbp.com.br ↗
  9. Autism spectrum disorder in children and adolescents: Overview of management and prognosis. UpToDate, tópico atualizado em 8 de julho de 2025. uptodate.com ↗
  10. Weissman Hale L, Harris HK. Autism spectrum disorder in children and adolescents: Pharmacologic interventions. UpToDate, tópico atualizado em 8 de dezembro de 2025. uptodate.com ↗
  11. Lexidrug. Aripiprazole (oral and long-acting injectable): Pediatric drug information. Consultado em 7 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
  12. Lexidrug. Methylphenidate: Pediatric drug information. Consultado em 7 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
  13. Lexidrug. Clonidine: Pediatric drug information. Consultado em 7 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
  14. Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento Científico nº 121: Distúrbios do sono no Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Neurologia e Medicina do Sono, 7 de dezembro de 2023. sbp.com.br ↗
  15. Lexidrug. Risperidone: Pediatric drug information. Consultado em 7 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
  16. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z: Melatonina. Página consultada em 7 de outubro de 2026. gov.br ↗

Questões comentadas sobre o tema

Material de apoio para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico, a bula nem as diretrizes originais.

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