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Respiratório · Para famílias

Bronquiolite no bebê: sinais de alerta e cuidados em casa

Começa como um resfriado e, em poucos dias, o bebê pode cansar para respirar e para mamar. Saber os sinais de alerta é o que mais protege.

Equipe editorial Pediatrando Atualizado em 7 min de leitura
SBPMinistério da SaúdeUpToDate

Resposta rápida

  • Bronquiolite é uma infecção por vírus dos bronquíolos, os canais mais finos do pulmão. Atinge bebês e crianças de até 2 anos, e o vírus mais comum é o vírus sincicial respiratório (VSR).1,2
  • Não existe remédio que cure: o tratamento é lavar o nariz com soro, manter o bebê mamando e hidratado e vigiar a respiração. A piora costuma acontecer entre o 3º e o 5º dia.2
  • Procure atendimento logo se o bebê respirar com esforço, gemer, ficar roxo, fizer pausas na respiração, recusar a mamada ou fizer pouco xixi.2
Neste artigo
  1. O que é a bronquiolite
  2. Como a bronquiolite evolui, dia a dia
  3. Sinais de alerta: quando procurar atendimento
  4. O que fazer em casa
  5. O que o médico faz, e o que não precisa ser feito
  6. Como proteger o bebê
  7. Mitos e verdades sobre a bronquiolite
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

1O que é a bronquiolite

Os bronquíolos são os tubinhos mais finos do pulmão. Na bronquiolite, um vírus inflama esses tubinhos e eles se enchem de secreção. Como no bebê eles já são estreitos, respirar e mamar ficam cansativos.2

O principal culpado é o vírus sincicial respiratório (VSR), mas outros vírus também causam o quadro. Quase toda criança pega o VSR até os 2 anos, e a primeira infecção costuma ser a mais forte.1,2

No Brasil, o VSR circula mais de fevereiro a agosto, e é nessa época que os prontos-socorros e as enfermarias de pediatria lotam.2

2Como a bronquiolite evolui, dia a dia

  1. Dias 1 e 2: parece um resfriadoNariz entupido, coriza clara, tosse e, às vezes, febre baixa. O bebê pode ficar irritado e mamar menos.1,2
  2. Dias 2 e 3: o pulmão entra na históriaA tosse aumenta, a respiração fica rápida e pode aparecer chiado no peito.2
  3. Dias 3 a 5: o picoÉ a fase em que o quadro mais piora. Fique atento aos sinais de alerta e volte para reavaliação se o médico pediu.2
  4. Depois: melhora lentaA doença dura cerca de 10 dias. A tosse some em até 3 semanas em 9 de cada 10 crianças, mas pode durar até 4 semanas.2

Têm mais risco de quadro grave os bebês com menos de 6 meses, os prematuros, os que nasceram com baixo peso e os que têm doença do coração, do pulmão, da imunidade, síndrome de Down ou doença neuromuscular. Fumaça de cigarro e desmame precoce também pesam.1,2

3Sinais de alerta: quando procurar atendimento

Procure atendimento médico imediatamente se o bebê:

  • Tem dificuldade para respirar: respiração rápida, costelas afundando, nariz abrindo e fechando, gemido ao respirar ou chiado alto.2
  • Faz pausas na respiração ou fica com lábios, pele ou dedos arroxeados.2
  • Não consegue mamar, recusa a mamada ou vomita depois de quase todas.2
  • Faz pouco xixi (fraldas mais secas), está com a boca seca ou os olhos fundos.2
  • Está muito sonolento, mole, difícil de acordar, ou agitado sem parar; tem choro fraco.2
  • Tem convulsão ou movimentos estranhos.2
  • Tem menos de 2 meses, nasceu prematuro ou tem doença do coração ou do pulmão e está com sinais de bronquiolite.2

O Ministério da Saúde indica internação para todo bebê com menos de 2 meses que tenha bronquiolite, mesmo que pareça bem, porque nessa idade a piora pode ser rápida e as pausas na respiração são mais comuns.2

4O que fazer em casa

Cuidados que ajudam de verdade

  • Lave o nariz com soro fisiológico 0,9%, sobretudo quando a secreção atrapalha a respiração ou a mamada.2
  • Se usar aspirador nasal, só na entrada do nariz e com delicadeza. Aspiração profunda machuca e incha a mucosa.2
  • Ofereça o peito ou a mamadeira mais vezes, em quantidades menores.2
  • Febre que incomoda pode ser tratada com antitérmico. A dose é calculada pelo peso e está na receita: use a seringa dosadora do remédio e confira a concentração no rótulo.2
  • Lave as mãos com água e sabão ou álcool 70% antes de pegar o bebê, e cubra tosses e espirros.2
  • Ninguém fuma perto do bebê.1,2
  • Se possível, mantenha a criança em casa e longe de outras pessoas enquanto estiver doente.2

Não dê descongestionante nem xarope para tosse. Eles não mostraram benefício na bronquiolite e podem fazer mal ao bebê.2

5O que o médico faz, e o que não precisa ser feito

Nenhum remédio encurta a bronquiolite. No hospital, o cuidado é o mesmo suporte, com mais vigilância: oxigênio, alimentação por sonda ou soro na veia e, nos casos graves, aparelhos que ajudam a respirar.1,2

Na bronquiolite típica

Ajuda
  • Lavagem nasal com soro fisiológico
  • Mamadas frequentes e hidratação
  • Antitérmico se a febre incomodar
  • Oxigênio, se a saturação cair (no hospital)
Não é indicado de rotina
  • Broncodilatador, em inalação ou bombinha
  • Corticoide, em xarope ou inalação
  • Antibiótico, sem infecção por bactéria
  • Fisioterapia respiratória, na criança sem outra doença
  • Xarope para tosse e descongestionante

Lista do Guia de manejo clínico do Ministério da Saúde de 2026.2

As fontes divergem: Inalação com soro mais salgado

A página da SBP para famílias diz que alguns bebês internados podem se beneficiar da inalação com solução salina hipertônica (soro mais concentrado).1 O guia do Ministério da Saúde, de 2026, não recomenda esse uso de rotina, porque os estudos dão resultados conflitantes.2 Em casa, ela não é indicada; no hospital, a decisão é da equipe.

6Como proteger o bebê

Há duas formas de proteger o bebê do VSR nos primeiros meses. A primeira é a vacina na gestante, em dose única a partir da 28ª semana: os anticorpos passam pela placenta. No SUS, ela está nas salas de vacinação de todo o país.2,3

A segunda é o nirsevimabe, um anticorpo pronto aplicado no bebê em injeção única, que protege durante a temporada do vírus. No SUS, ele é oferecido aos prematuros e às crianças de até 2 anos com algumas doenças, como cardiopatia, displasia broncopulmonar, síndrome de Down e fibrose cística.4

As fontes divergem: Nirsevimabe para todos os bebês?

A SBP recomenda, para todo bebê, a vacina na gestação ou o nirsevimabe ao nascer, e os dois juntos em alguns casos, como quando a mãe foi vacinada menos de 14 dias antes do parto.5 O SUS oferece o nirsevimabe só aos prematuros e às crianças com as doenças da lista do Ministério da Saúde.4 Converse com o pediatra no pré-natal.

  • Lave as mãos antes de pegar o bebê e peça o mesmo às visitas.2
  • Evite contato com pessoas gripadas e locais fechados e cheios.2
  • Amamente: o leite materno ajuda a proteger.1
  • Mantenha as vacinas em dia e as consultas de puericultura.2
  • Se puder, adie a entrada na creche do bebê pequeno, principalmente na época do vírus.1,6

7Mitos e verdades sobre a bronquiolite

MitoChiado no peito sempre melhora com inalação de broncodilatador.

Na verdadeNa bronquiolite, o chiado vem de inflamação e secreção, e não do "fechamento" dos brônquios. Por isso o broncodilatador não é recomendado de rotina.2

MitoBronquiolite precisa de antibiótico.

Na verdadeÉ causada por vírus. Antibiótico só entra se houver uma infecção por bactéria junto, como otite ou pneumonia, e quem decide é o médico.2,7

MitoSe o bebê melhorou no 2º dia, o pior já passou.

Na verdadeA piora costuma vir entre o 3º e o 5º dia. Continue observando a respiração e as mamadas.2

MitoQuem teve bronquiolite vai ter asma.

Na verdadeO risco de chiado de repetição e de asma é maior depois de uma bronquiolite, mas a maioria das crianças não desenvolve asma.2,6

Perguntas frequentes

Bronquiolite é contagiosa?

Sim. O vírus passa por gotículas de tosse e espirro, pelo contato com as mãos e com objetos. Lavar as mãos, cobrir a tosse e evitar contato com pessoas gripadas reduzem a transmissão. Bebês pequenos podem eliminar o vírus por até 3 a 4 semanas.

Quantos dias dura a bronquiolite?

Cerca de 10 dias. A fase mais difícil costuma ser entre o 3º e o 5º dia. A tosse pode continuar por 2 a 4 semanas; se passar de 4 semanas, a criança precisa ser reavaliada.

Como fazer lavagem nasal no bebê com bronquiolite?

Com soro fisiológico 0,9%, sempre que a secreção atrapalhar a respiração ou a mamada. Se usar aspirador, só na entrada do nariz e sem força: a aspiração profunda machuca e não é recomendada.

Quando o bebê com bronquiolite precisa ser internado?

Quando tem pausas na respiração, esforço para respirar, saturação baixa, sinais de desidratação, recusa da mamada ou está muito sonolento. Pelo Ministério da Saúde, todo bebê com menos de 2 meses e bronquiolite deve ser internado.

O bebê pode ir para a creche com bronquiolite?

Enquanto estiver doente, o melhor é ficar em casa, para se recuperar e não transmitir o vírus. A volta deve ser combinada com o pediatra, depois que a respiração e as mamadas voltarem ao normal.

Quem tem direito ao nirsevimabe pelo SUS?

Prematuros (nascidos com até 36 semanas e 6 dias) com menos de 6 meses, o ano todo, e crianças de até 2 anos com algumas doenças, como cardiopatia importante, displasia broncopulmonar, síndrome de Down ou fibrose cística, de fevereiro a agosto.

Equipe editorial Pediatrando

Conteúdo conferido em 4 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Bronquiolite aguda. Departamento Científico de Pneumologia, publicado/atualizado em janeiro de 2026. sbp.com.br ↗
  2. Ministério da Saúde. Guia de manejo clínico: bronquiolite viral aguda. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, 1ª edição. Brasília, 2026 (com participação da SBP). bvsms.saude.gov.br ↗
  3. Ministério da Saúde. Estratégia de vacinação contra o vírus sincicial respiratório em gestantes. 1ª edição. Brasília, 2026. gov.br ↗
  4. Ministério da Saúde. Estratégia de imunização contra o vírus sincicial respiratório para crianças prematuras e com comorbidades: anticorpo monoclonal. 1ª edição revisada. Brasília, 2026. gov.br ↗
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário de Vacinação da SBP: Atualização 2025-2026 (nota 18, anticorpo monoclonal contra VSR). Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia, divulgado em 3 de novembro de 2025. sbp.com.br ↗
  6. Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 2017. Departamentos Científicos de Cardiologia, Imunizações, Infectologia, Neonatologia e Pneumologia. sbp.com.br ↗
  7. Schroeder A, Nicholson E. Bronchiolitis in infants and children: Treatment, outcome, and prevention. UpToDate, tópico atualizado em 30 de julho de 2026. uptodate.com ↗

Questões comentadas sobre o tema

Este conteúdo informa e não substitui a consulta. Em caso de dúvida sobre a saúde da criança, procure o pediatra ou um serviço de saúde.

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A versão técnica deste guia traz a classificação de gravidade do Ministério da Saúde, critérios de internação e alta, suporte ventilatório, doses do nirsevimabe e as diferenças entre as diretrizes.