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Bebês · Para famílias

Cólica do bebê: o que ajuda de verdade

A cólica é comum, passa sozinha e não faz mal ao bebê. Mas cansa muito quem cuida, e cuidar de você também faz parte do tratamento.

Equipe editorial Pediatrando Atualizado em 7 min de leitura
SBPUpToDateMinistério da Saúde

Resposta rápida

  • Cólica é o choro forte, difícil de consolar, que se repete várias vezes na semana em um bebê saudável, que mama e ganha peso bem. Não existe exame: quem faz o diagnóstico é o pediatra, conversando com você e examinando o bebê.1
  • Ela costuma começar nas primeiras semanas, chega ao pico por volta de 6 a 8 semanas e melhora bastante até os 3 ou 4 meses, quase sempre sumindo antes dos 5 meses.1
  • O que mais ajuda é colo, calma e rotina. Chás, remédios para gases e troca de leite não são indicados sem o pediatra, e a amamentação nunca deve ser interrompida por causa da cólica.2
Neste artigo
  1. O que é cólica, e o que não é
  2. Quando procurar atendimento
  3. O que fazer em casa para acalmar o bebê
  4. Remédios, chás e leites especiais
  5. Cuidar de quem cuida, e nunca sacudir o bebê
  6. Mitos e verdades sobre a cólica
  7. Perguntas frequentes
  8. Referências

1O que é cólica, e o que não é

Todo bebê chora, e mais nos primeiros 3 meses: nas primeiras 6 semanas, a média passa de 2 horas por dia.3 Só se pensa em cólica quando fome, frio, calor, fralda e vontade de colo foram resolvidos e o choro continua, várias vezes na semana.1

Choro de cólica ou choro do dia a dia?

Choro de cólica
  • Começa e termina de repente, sem motivo aparente
  • Mais no fim da tarde ou à noite
  • Mais forte e agudo, parece de dor
  • Rosto vermelho, pernas encolhidas, punhos fechados, barriga dura
  • Difícil de acalmar, faça o que fizer
Choro do dia a dia
  • Tem um motivo: fome, sono, fralda, frio ou calor
  • Para quando a necessidade é atendida
  • Acalma no colo ou no peito

Às vezes o choro da cólica alivia depois que o bebê solta gases ou faz cocô.3,4

A causa exata não é conhecida; a explicação mais aceita é a imaturidade do intestino e do sistema nervoso do bebê, que por isso melhora sozinha com o tempo.1 E não é culpa de ninguém: não quer dizer que o leite é fraco nem que o bebê rejeita quem cuida dele.5

2Quando procurar atendimento

Procure atendimento no mesmo dia se o bebê:

  • Tem febre. No bebê com menos de 2 meses, 37,5 °C ou mais na axila já é sinal de perigo.4
  • Tem sangue nas fezes.1,4
  • Vomita muito, vomita tudo o que mama ou tem vômito esverdeado.6,7
  • Não consegue mamar, recusa o peito ou a mamadeira por várias horas ou faz pouco xixi.4,6
  • Está muito mole, sonolento, difícil de acordar, ou diferente do jeito de sempre.4,6
  • Chora sem parar por mais de 2 horas, ou começou a chorar depois de uma queda ou batida.6
  • Não está ganhando peso.1
  • Você sente que pode perder o controle e machucar o bebê, ou alguém o sacudiu.6

3O que fazer em casa para acalmar o bebê

Nenhuma técnica funciona sempre, nem com todo bebê. A ideia é testar uma de cada vez por alguns minutos e, se não der certo, passar para outra. Fique com as que funcionam com o seu filho.5

  • Confira o básico: fome, fralda, frio ou calor, roupa apertada, fio de cabelo enrolado num dedinho.2,6
  • Colo, de preferência pele com pele: a barriga do bebê encostada na barriga da mãe ou do pai. Carregador de pano (sling) também ajuda.2,5
  • Embalar, passear no carrinho ou mudar de ambiente.5
  • Enrolar o bebê numa manta, deixando espaço para as pernas dobrarem e se mexerem. Para dormir, sempre de barriga para cima.2,4,5
  • Dobrar as perninhas sobre a barriga, fazer uma massagem leve na barriga ou dar um banho morno.2,5
  • Menos estímulo: luz baixa, pouco barulho, música suave. Aparelho de ruído branco, só longe do bebê e em volume baixo.2,5
  • Rotina: horários parecidos para banho, sono e passeio.2
  • Na mamadeira, bebê mais em pé e pausas para arrotar ajudam a engolir menos ar. Se a amamentação está difícil, peça ajuda à equipe de saúde.5

4Remédios, chás e leites especiais

Os remédios para "tirar os gases" não tiveram eficácia comprovada na cólica. A simeticona, a mais conhecida, não mostrou benefício nos estudos.2,6

Antes de dar qualquer coisa ao bebê

  • Chá, não. Até os 6 meses, quem mama no peito não precisa de chá nem água; o chá atrapalha a amamentação, e produtos "para cólica" já tiveram álcool e contaminantes.4,6
  • Não pare de amamentar por causa da cólica. Trocar o peito pela fórmula não ajuda.2,6
  • Não troque de leite por conta própria. Trocas sucessivas de fórmula são comuns e quase sempre desnecessárias.2
  • Não corte alimentos da sua dieta sem orientação. A alergia ao leite de vaca raramente causa cólica; a retirada só se faz com o pediatra, por um tempo e com um teste de volta depois.2
  • Probiótico, só com o pediatra. Apenas algumas cepas específicas mostraram efeito, e probiótico não é remédio.2
  • Se o pediatra receitar algo, a dose é calculada pelo peso e está na receita. Use a seringa dosadora ou o conta-gotas do próprio produto e confira a concentração no rótulo.
  • Quiropraxia, osteopatia, acupuntura e homeopatia não têm benefício comprovado na cólica.5
As fontes divergem: Probióticos

A SBP diz que só algumas cepas reduzem o choro e que o uso deve ser orientado pelo pediatra.2 O UpToDate não recomenda probiótico de rotina e considera razoável oferecer uma única cepa (Lactobacillus reuteri DSM 17938), apenas para bebês amamentados, depois de conversar com a família sobre benefícios e incertezas.5

5Cuidar de quem cuida, e nunca sacudir o bebê

Cansaço, frustração, raiva, culpa e sensação de impotência são sentimentos normais diante de um bebê que não para de chorar. Eles não querem dizer que você é um mau pai ou uma má mãe.5,6

A cólica aumenta o risco de depressão da mãe. Se a tristeza ou o desânimo não passam, fale com a equipe de saúde: há ajuda para você também.2,3

  • Revezem com alguém da família no horário em que o choro costuma piorar.5
  • Tenha um plano de socorro: uma pessoa de confiança que possa vir ajudar quando você estiver no limite.5
  • Sozinho e perdendo a paciência? Faça uma pausa. Coloque o bebê de barriga para cima no berço, sem travesseiro, manta solta ou brinquedos, saia do quarto por alguns minutos, respire e ligue para alguém.6
  • Se suspeitar que alguma criança sofre violência, ligue 100: a ligação é gratuita e anônima.4
As fontes divergem: Deixar o bebê chorando no berço?

A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, orienta evitar deixar o bebê chorando sozinho.4 O UpToDate orienta que o cuidador no limite coloque o bebê em segurança no berço e se afaste por alguns minutos, para não correr o risco de machucá-lo.6

6Mitos e verdades sobre a cólica

MitoCólica é sinal de que o leite materno é fraco.

Na verdadeNão existe leite fraco. A cólica acontece na mesma frequência em bebês que mamam no peito e nos que tomam fórmula, e parar de amamentar não ajuda.2,3

MitoO que a mãe come dá cólica no bebê.

Na verdadeNa quase totalidade dos casos, os alimentos da mãe não têm relação com a cólica, e cortá-los por conta própria não se justifica.2

MitoMuito colo deixa o bebê mal-acostumado.

Na verdadeBebê não fica viciado em colo. O colo acalma e faz o bebê se sentir seguro.4

MitoA cólica deixa sequelas.

Na verdadeO choro da cólica não faz mal ao bebê nem prejudica o desenvolvimento.1,3

Perguntas frequentes

Até quando dura a cólica do bebê?

Costuma começar nas primeiras semanas de vida, chegar ao pico por volta de 6 a 8 semanas e melhorar bastante até os 3 ou 4 meses. Quase sempre desaparece antes dos 5 meses. Se o choro forte continuar depois disso, converse com o pediatra.

Existe remédio para cólica de bebê?

Não há remédio para gases com eficácia comprovada na cólica, nem a simeticona. Alguns probióticos específicos podem reduzir o choro, mas só com orientação do pediatra.

A mãe precisa fazer dieta para o bebê não ter cólica?

Em geral, não: os alimentos da mãe quase nunca têm relação com a cólica. Só quando o pediatra suspeita de alergia ao leite de vaca ele pode orientar a retirada do leite e derivados da dieta da mãe por um tempo, seguida de um teste de volta.

Cólica pode ser alergia ao leite?

Raramente. A alergia costuma vir com outros sinais, como sangue nas fezes, vômitos, manchas na pele ou dificuldade para ganhar peso. Sem esses sinais, o mais provável é a cólica comum.

O que fazer quando eu não aguento mais o choro?

Coloque o bebê de barriga para cima no berço e saia do quarto por alguns minutos. Peça ajuda. Nunca sacuda o bebê: isso pode causar lesões graves no cérebro.

Equipe editorial Pediatrando

Conteúdo conferido em 4 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença.

Referências

  1. Carvalho SR. Pediatria para Famílias: Perguntas complementares sobre cólica do lactente. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Gastroenterologia, setembro de 2025. sbp.com.br ↗
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Cólica do lactente. Departamento Científico de Gastroenterologia Pediátrica, julho de 2023. sbp.com.br ↗
  3. Turner TL, Palamountain S. Infantile colic: Clinical features and diagnosis. UpToDate, tópico atualizado em 29 de julho de 2026. uptodate.com ↗
  4. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania. 7ª edição. Brasília, 2024. bvsms.saude.gov.br ↗
  5. Turner TL, Palamountain S. Infantile colic: Management and outcome. UpToDate, tópico atualizado em 13 de fevereiro de 2026. uptodate.com ↗
  6. Turner TL, Palamountain S. Patient education: Colic (excessive crying) in infants (Beyond the Basics). UpToDate, tópico atualizado em 13 de fevereiro de 2026. uptodate.com ↗
  7. Sociedade Brasileira de Pediatria. Distúrbios gastrointestinais funcionais no lactente e na criança abaixo de 4 anos: um guia para a prática diária. Departamento Científico de Gastroenterologia, abril de 2022. sbp.com.br ↗

Questões comentadas sobre o tema

Este conteúdo informa e não substitui a consulta. Em caso de dúvida sobre a saúde da criança, procure o pediatra ou um serviço de saúde.

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A versão técnica deste guia traz os critérios de Roma IV e o que muda no Roma V, os sinais de alarme, a conduta na suspeita de alergia ao leite, a evidência dos probióticos e as diferenças entre as diretrizes.