Resposta rápida
- A dipirona (também chamada de metamizol) alivia dor e febre, mas não é anti-inflamatória. Começa a agir em 30 a 60 minutos.1
- Pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pode ser usada a partir dos 3 meses e de 5 kg. A dose é calculada pelo peso e está na receita.1
- "Uma gota por quilo" é dose a mais. Gotas e solução oral têm concentrações diferentes: confira o rótulo antes de medir.1,2
Neste artigo
1O que é a dipirona e para que serve
A dipirona é um remédio para dor e febre. Ela baixa a temperatura e alivia dores leves, moderadas e fortes, mas não tem efeito anti-inflamatório, como o do ibuprofeno. O efeito começa entre 30 e 60 minutos e dura de 4 a 6 horas.1
No Brasil, ela é vendida com dezenas de nomes comerciais, inclusive como genérico ("dipirona" ou "dipirona monoidratada"). Por isso, confira sempre o princípio ativo no rótulo: assim você evita dar o mesmo remédio duas vezes com nomes diferentes.3
Ela faz parte da lista de medicamentos essenciais do SUS, em gotas e em ampola, e é uma das três opções que a SBP indica para febre em criança, ao lado do paracetamol e do ibuprofeno.1,4
Gotas ou solução oral? Não é a mesma coisa
- Frasco pequeno com conta-gotas
- Bem mais concentrada
- Volume pequeno por dose
- Frasco maior, medido em mL
- Dez vezes menos concentrada que as gotas
- Medida com seringa dosadora
Trocar uma pela outra sem refazer a conta é um dos erros mais perigosos. Se a farmácia entregar uma apresentação diferente da receita, pergunte ao pediatra ou ao farmacêutico antes de dar.2
2Quando dar, e quando não dar
Na febre, o remédio serve para aliviar o desconforto, e não para zerar o termômetro. Se a criança está com febre mas brincando e mamando bem, não precisa de remédio só pelo número. Para entender a febre, veja o guia de febre em criança.1,5
Não dê dipirona sem falar com o médico se a criança:
- Tem menos de 3 meses ou menos de 5 kg. Bebê com menos de 3 meses e febre precisa ser avaliado antes de qualquer remédio.1
- Já teve alergia a dipirona, ou reação forte a outros remédios para dor e febre, como AAS ou anti-inflamatórios.6
- Tem ou já teve doença do sangue ou da medula óssea, ou já teve queda grave das células de defesa com algum remédio.6,7
- Tem deficiência de G6PD (uma alteração das hemácias, as células vermelhas do sangue) ou porfiria.6
- Tem doença dos rins ou do fígado, ou usa remédios todos os dias.6
3Como dar a dipirona com segurança
Para não errar a dose
- A dose é calculada pelo peso da criança, não pela idade. Siga exatamente o que está na receita.1
- Nunca use "uma gota por quilo". Esse costume antigo dá mais remédio do que o recomendado.1
- Confira no rótulo se é gotas ou solução oral: a concentração é muito diferente.2
- Use só o conta-gotas do próprio frasco. A gota de uma marca pode ser menor ou maior que a de outra.1
- Para a solução oral, use a seringa dosadora. Colher de casa não serve.
- Respeite o intervalo da receita: pela SBP, de 6 a 8 horas entre uma dose e outra.1
- Não alterne com paracetamol ou ibuprofeno. Isso não ajuda a criança e aumenta o risco de erro e de intoxicação.1,5
- Anote o horário e a dose de cada vez, e guarde o frasco fora do alcance das crianças.
A febre voltou antes da hora? Não antecipe a dose nem troque de remédio. Ofereça líquidos, tire o excesso de roupa e observe. Se a criança estiver muito abatida, procure atendimento.5
4Efeitos colaterais: o que é comum e o que é raro
O efeito mais frequente na prática é a pressão baixa, e a criança pode ficar pálida e mole. Isso acontece sobretudo quando a dose passa do recomendado, e é mais um motivo para seguir a receita à risca.1
Também podem ocorrer reações alérgicas: manchas vermelhas que coçam (urticária), inchaço, chiado no peito e, raramente, uma reação alérgica grave, a anafilaxia.1
A reação mais temida é a agranulocitose, a queda forte das células de defesa do sangue. Ela é excepcional, mas pode aparecer a qualquer momento do uso ou logo depois, até em quem já tomou dipirona antes sem problema. Os sinais são febre, calafrios, dor de garganta e feridas dolorosas na boca.1,7
As fontes divergem: Dipirona é proibida em outros países?
Nos Estados Unidos, a dipirona saiu do mercado em 1977, pelo risco de agranulocitose.9 Mas ela é vendida em mais de 100 países, inclusive na Europa, e a agência europeia de medicamentos revisou o tema em 2024 e concluiu que os benefícios continuam maiores que os riscos.7,10 No Brasil, a Anvisa e a SBP a consideram eficaz e segura nas doses recomendadas.1,10
5Quando procurar atendimento
Procure atendimento médico logo se, depois da dipirona, a criança:
- Fica muito pálida, mole, fria ou desmaia: pode ser pressão baixa.1
- Tem inchaço nos lábios, nos olhos ou na língua, chiado no peito ou falta de ar.1
- Tem manchas pelo corpo que se espalham, bolhas ou pele descamando.6
- Tem febre com dor de garganta ou feridas na boca durante o uso ou logo depois de parar. Suspenda o remédio e avise que ela tomou dipirona.7
- Tomou dose a mais ou pegou o frasco sozinha. Leve a embalagem, mesmo que ela pareça bem.1
- Tem menos de 3 meses e está com febre.1
6O que fazer em casa, além do remédio
- Ofereça líquidos com frequência: água, leite materno, soro de reidratação. A febre aumenta a perda de água.1
- Roupa leve e ambiente arejado. Não agasalhe a criança com febre.
- Observe como ela está: se brinca, mama, responde. Isso diz mais que o termômetro.5
- Não guarde sobras com o rótulo apagado nem passe o remédio para outro frasco.
7Mitos e verdades sobre a dipirona
MitoUma gota por quilo é a dose certa de dipirona.
Na verdadeNão. Com o produto de referência em gotas, "uma gota por quilo" passa da dose recomendada para a criança. A dose certa sai da conta do pediatra, pelo peso.1
MitoDipirona é perigosa e foi proibida no mundo todo.
Na verdadeFoi retirada nos Estados Unidos, mas é vendida em dezenas de países, inclusive da Europa, onde a revisão de 2024 manteve o remédio no mercado.7,9
MitoDipirona é anti-inflamatório.
Na verdadeNão. Ela baixa a febre e alivia a dor, mas não tem efeito anti-inflamatório como o ibuprofeno.1
MitoNa dengue, não pode dar dipirona.
Na verdadePode. Na dengue, os remédios indicados são o paracetamol e a dipirona; os proibidos são o AAS e os anti-inflamatórios.2,8
MitoSe a febre não baixou, dá para completar com paracetamol.
Na verdadeA SBP não recomenda alternar nem associar antitérmicos: o risco de erro e de intoxicação aumenta sem benefício para a criança.1
Perguntas frequentes
A partir de que idade a criança pode tomar dipirona?
Pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a partir dos 3 meses de idade e de 5 kg. Bebê com menos de 3 meses e febre deve ser avaliado por um médico antes de qualquer remédio.
Quantas gotas de dipirona posso dar para meu filho?
O número de gotas depende do peso da criança e da concentração do produto, e deve estar na receita do pediatra. Não use a regra de "uma gota por quilo", que dá mais remédio que o recomendado, e use sempre o conta-gotas do próprio frasco.
De quanto em quanto tempo posso dar dipirona?
No intervalo que está na receita. Pela SBP, a dipirona é dada a cada 6 a 8 horas. Se a febre voltar antes, não antecipe a dose: ofereça líquidos, tire o excesso de roupa e observe.
Dipirona gotas e solução oral são a mesma coisa?
Não. As gotas são dez vezes mais concentradas que a solução oral. Trocar uma pela outra sem refazer a conta pode causar dose dez vezes maior ou menor. Na dúvida, pergunte ao pediatra ou ao farmacêutico.
Pode dar dipirona com suspeita de dengue?
Sim. O Ministério da Saúde e a SBP indicam paracetamol ou dipirona para febre e dor na dengue. O que não pode é AAS e anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, pelo risco de sangramento.
Por que a dipirona é proibida nos Estados Unidos?
Ela foi retirada do mercado americano em 1977 pelo risco de agranulocitose, uma queda grave das células de defesa. Essa reação é excepcional, e o remédio continua vendido em muitos países, inclusive da Europa e no Brasil.
Posso alternar dipirona e paracetamol?
Não é recomendado. A SBP orienta usar um só antitérmico, na dose e no intervalo indicados pelo pediatra: alternar não traz benefício e aumenta o risco de erro de dose e de intoxicação.
Conteúdo conferido em 4 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento Científico nº 206: Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia, 15 de maio de 2025. sbp.com.br ↗
- Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança. 6ª edição. Brasília, 2024. Apêndice H: uso de medicamentos para dengue. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br ↗
- Lexidrug. Dipyrone (metamizole): International drug information (concise). Consultado em 4 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
- Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename 2024. 2ª edição. Brasília, 2025. gov.br ↗
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Febre, cuidado com a febrefobia. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial, janeiro de 2023. sbp.com.br ↗
- Ministério da Saúde. Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010. 2ª edição. Brasília, 2010. Monografia "dipirona sódica" e capítulo de analgésicos não opioides. bvsms.saude.gov.br ↗
- European Medicines Agency. Metamizole-containing medicinal products: referral (art. 107i). Recomendação do PRAC de 5 de setembro de 2024, endossada pelo CMDh em 18 de setembro de 2024. ema.europa.eu ↗
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: O que os adultos precisam saber sobre dengue nas crianças. Abril de 2018. sbp.com.br ↗
- Drug-induced neutropenia and agranulocytosis. UpToDate, tópico atualizado em 16 de julho de 2025. uptodate.com ↗
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Painel Internacional de Avaliação da Segurança da Dipirona: relatório final. Brasília, 3 e 4 de julho de 2001 (cópia arquivada). web.archive.org ↗
Questões comentadas sobre o tema
Este conteúdo informa e não substitui a consulta. Em caso de dúvida sobre a saúde da criança, procure o pediatra ou um serviço de saúde.