Criança de 5 anos de idade, chega ao pronto atendimento em crise convulsiva, que se iniciou há cerca de 20 minutos. Os pais referem que o filho já havia apresentado crise convulsiva por duas vezes antes dos dois anos de idade, fazendo uso de levetiracetam desde então. Há 2 dias, ele apresentou tosse e coriza hialina, sem febre. Nega diarreia ou vômitos. Ao exame físico, o paciente apresenta-se inconsciente, com movimentos tônico-clônicos generalizados, cianose central, afebril. O paciente foi monitorizado, posicionado para abertura de vias aéreas com sucesso e ofertado uma máscara não-reinalante a 100%, com melhora da saturação para 98%, FC: 110bpm, FR: 15ipm, pulsos cheios e simétricos. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Foi puncionado acesso venoso calibroso em antebraço. Qual a medicação de escolha a ser realizada nesse paciente, nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar o caso. Temos uma criança de cinco anos de idade, e a idade é importante para direcionar o raciocínio diagnóstico e terapêutico em pediatria.
- O enunciado nos diz que a crise convulsiva se iniciou há cerca de vinte minutos. Esse tempo é crucial, pois uma crise que dura mais de cinco minutos já é considerada prolongada e nos alerta para um estado de mal epiléptico.
- Os pais relatam que o filho já havia apresentado crises convulsivas antes dos dois anos de idade. Isso nos indica um histórico de epilepsia ou crises febris anteriores, que é um dado relevante para o manejo.
- E, por conta desse histórico, ele já faz uso de levetiracetam desde então. Ou seja, a criança já está em tratamento anticonvulsivante de manutenção.
- Há dois dias, ele apresentou tosse e coriza hialina, mas sem febre. Isso sugere um quadro viral leve, mas o mais importante é a ausência de febre, o que afasta a crise febril simples como causa atual.
- Ao exame físico, o paciente está inconsciente, com movimentos tônico-clônicos generalizados e cianose central, e continua afebril. Isso confirma que a crise está ativa e que não há febre no momento.
- Ele foi monitorizado, posicionado para abertura de vias aéreas e recebeu oxigênio por máscara não-reinalante, com melhora da saturação para noventa e oito por cento. Isso significa que as medidas de suporte iniciais, como a garantia da via aérea e oxigenação, já foram realizadas com sucesso.
- Os sinais vitais, como frequência cardíaca de cento e dez batimentos por minuto e frequência respiratória de quinze incursões por minuto, além de pulsos cheios e simétricos, indicam que, após o suporte, o paciente está hemodinamicamente estável.
- E, por fim, foi puncionado um acesso venoso calibroso. Isso é fundamental, pois a medicação de escolha para o estado de mal epiléptico precisa ser administrada por via intravenosa.
- Com uma crise convulsiva que já dura vinte minutos, estamos diante de um estado de mal epiléptico. A duração prolongada é o principal critério para essa definição.
- Nesse cenário de estado de mal epiléptico, a primeira linha de tratamento, após as medidas de suporte e a garantia de acesso venoso, é um benzodiazepínico.
- As medidas de suporte, como oxigênio e acesso venoso, já foram realizadas, conforme o enunciado. Isso nos permite avançar para a medicação.
- A alternativa A, Levetiracetam, não é a medicação de primeira escolha para interromper um estado de mal epiléptico. Ele é uma opção de segunda linha, após a administração de um benzodiazepínico.
- A alternativa B, Fenitoína, também não é a primeira escolha. Ela não costuma preceder a primeira dose de benzodiazepínico no manejo do estado de mal epiléptico.
- A alternativa C, Fenobarbital, pode ser empregado em etapas específicas do tratamento do estado de mal, mas não é a medicação de escolha inicial para interromper a crise aguda.
- A alternativa D, Valproato de sódio, é uma alternativa posterior no tratamento do estado de mal epiléptico, e ainda exige a avaliação de possíveis contraindicações antes de ser utilizada.
- A alternativa E, Diazepam, é a medicação de escolha. O Diazepam intravenoso é a opção inicial para o tratamento do estado de mal epiléptico, após o suporte e o acesso venoso estarem garantidos, e se o paciente ainda não recebeu uma dose suficiente de benzodiazepínico.
- Então, lembre-se: em uma criança de cinco anos, com crise convulsiva prolongada, pense sempre em estado de mal epiléptico e na necessidade de um benzodiazepínico como primeira linha de tratamento.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Seizures — acute managementRoyal Children's Hospital, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.