Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos e 8 meses de idade, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro por episódio convulsivo tônico-clônico generalizado iniciado há poucos minutos. A mãe refere febre baixa notada desde hoje pela manhã, associada à sonolência e à recusa alimentar. Não há história familiar de epilepsia. Na chegada, encontra-se em atividade convulsiva contínua, escala de coma de Glasgow: 10; SatO2: 91% em ar ambiente; FC: 142 bpm; PA: 88/52 mmHg; temperatura: 38,3 °C; glicemia capilar: 88 mg/dL. É levado à sala de emergência, onde é obtido acesso venoso periférico, iniciada administração de oxigênio por máscara não reinalante e colocada monitorização cardíaca. Qual deve ser a conduta imediata?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um pré-escolar, um menino de três anos e oito meses de idade.
- O enunciado nos diz que ele era previamente hígido, o que é importante para descartar condições neurológicas preexistentes.
- O ponto crucial aqui é que ele está em atividade convulsiva contínua na chegada ao pronto-socorro, o que configura um estado de mal epiléptico.
- A saturação de oxigênio de noventa e um por cento em ar ambiente indica que ele está hipoxêmico e precisa de suporte ventilatório.
- A temperatura de trinta e oito vírgula três graus Celsius nos mostra que há febre, o que nos direciona para uma possível convulsão febril, mas a prioridade ainda é a crise contínua.
- A glicemia capilar de oitenta e oito miligramas por decilitro está normal, o que é bom, pois afasta a hipoglicemia como causa da convulsão.
- É importante notar que o acesso venoso periférico já foi obtido, o oxigênio já foi iniciado e a monitorização cardíaca já está em curso. Isso significa que as medidas iniciais de estabilização já foram tomadas.
- Então, temos um pré-escolar previamente hígido, com febre e em estado de mal epiléptico, com hipoxemia, mas com as medidas iniciais de suporte já implementadas.
- Apesar da estabilização inicial, a convulsão ainda está ativa, e a prioridade máxima é interrompê-la o mais rápido possível para evitar danos cerebrais.
- Vamos analisar a alternativa A. Administrar antitérmico endovenoso e aguardar resolução da febre para decidir sobre a necessidade da abordagem da crise convulsiva.
- Essa alternativa está incorreta porque o antitérmico não tem efeito direto na interrupção da crise convulsiva. Esperar a febre baixar enquanto a convulsão continua é perigoso e pode levar a sequelas neurológicas graves.
- Agora, a alternativa C. Realizar intubação orotraqueal sem necessidade de pré-medicação e só administrar benzodiazepínico após garantir via aérea avançada.
- Essa alternativa também está incorreta. A intubação orotraqueal é uma medida de via aérea avançada que pode ser necessária, mas não é a primeira conduta para parar a convulsão. A prioridade é interromper a crise com medicação, e atrasar o benzodiazepínico para intubar primeiro não é o recomendado.
- Analisando a alternativa D. Realizar tomografia de crânio e punção lombar antes de qualquer outra medida, para não ter risco de prejudicar a investigação etiológica.
- Essa alternativa está incorreta. Exames de imagem e punção lombar são importantes para a investigação da causa da convulsão, mas devem ser feitos apenas depois que o paciente estiver estabilizado e a crise convulsiva controlada. A prioridade é sempre a vida e a função cerebral.
- Por fim, a alternativa B. Administrar benzodiazepínico de ação rápida por via endovenosa, monitorando permeabilidade da via aérea e controle da ventilação.
- Esta é a conduta correta. Em um estado de mal epiléptico, o benzodiazepínico de ação rápida, como o midazolam ou o lorazepam, é a medicação de primeira linha para interromper a crise. É fundamental monitorar a via aérea e a ventilação, pois esses medicamentos podem causar depressão respiratória.
- Então, uma criança de três anos e oito meses com convulsão contínua e febre, pense sempre em estado de mal epiléptico e trate imediatamente com benzodiazepínico, garantindo o suporte ventilatório.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Seizures — acute managementRoyal Children's Hospital, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.