Um escolar de 9 anos de idade chegou à sala de emergência em parada cardiorrespiratória, recebendo ressuscitação pela equipe que o resgatou, com compressões torácicas e ventilação com bolsa-máscara. No momento, o paciente prontamente é monitorizado e estabelecido dois acessos venosos periféricos e administrada adrenalina endovenosa. Ao eletrocardiograma, se evidencia ritmo desorganizado, sem onda p, com complexo QRS alargado, monomórfico, com frequência de 120/min. O paciente continua sem pulso, arresponsivo e sem movimentos respiratórios. Qual a conduta adequada para esse paciente nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos um escolar de nove anos de idade, o que já nos diz que estamos falando de uma criança maior, e não de um bebê ou recém-nascido, o que influencia as doses e algoritmos.
- Ele chegou em parada cardiorrespiratória, o que é a situação mais grave e exige intervenção imediata.
- A equipe já iniciou a ressuscitação com compressões torácicas e ventilação com bolsa-máscara, ou seja, o suporte básico de vida já está sendo feito.
- Além disso, já foram estabelecidos acessos venosos e administrada adrenalina endovenosa, o que indica que o suporte avançado já começou.
- Agora, o dado mais importante: o eletrocardiograma mostra um ritmo desorganizado, sem onda P, com QRS alargado, monomórfico e uma frequência de 120 por minuto.
- E o paciente continua sem pulso, arresponsivo e sem movimentos respiratórios, confirmando que ele segue em parada.
- Com base no eletrocardiograma, um ritmo desorganizado, com QRS alargado e frequência rápida, na ausência de pulso, nos indica que estamos diante de uma taquicardia ventricular sem pulso ou uma fibrilação ventricular.
- Esses são ritmos considerados chocáveis, ou seja, a principal intervenção para tentar reverter a parada é a desfibrilação.
- A alternativa B propõe cardioversão sincronizada. No entanto, a cardioversão é indicada para taquiarritmias com pulso que causam instabilidade, não para uma parada cardíaca sem pulso como a do nosso paciente.
- A alternativa C sugere amiodarona. Embora a amiodarona seja um antiarrítmico usado em ritmos chocáveis refratários, ela não deve atrasar a primeira desfibrilação, que é a conduta inicial e mais importante.
- A alternativa D fala em atropina. A atropina é usada para bradicardia sintomática, e não tem papel no tratamento da fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso.
- A alternativa E propõe bicarbonato de sódio. O bicarbonato não é um tratamento rotineiro para a parada cardíaca, a menos que haja uma indicação específica, como acidose metabólica grave ou hipercalemia, que não foram descritas aqui.
- Portanto, a conduta adequada é a desfibrilação. Para um ritmo chocável como a taquicardia ventricular sem pulso ou fibrilação ventricular, a desfibrilação com uma dose de dois joules por quilo é a intervenção prioritária e deve ser integrada à ressuscitação cardiopulmonar de qualidade.
- Então, criança em parada cardiorrespiratória com ritmo de eletrocardiograma que indica taquicardia ventricular sem pulso ou fibrilação ventricular, pense sempre em desfibrilação como a primeira e mais importante conduta.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025AHA/AAP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.