Paciente de 1 ano e 2 meses de idade, foi levado ao pronto atendimento com história de febre há 3 dias, sem sintomas respiratórios associados. Hoje apresentou um episódio de vômito e está mais prostrado. A mãe nega presença de diarreia. O exame de urina tipo 1 mostrou leucocitúria sem hematúria e com pesquisa de nitrito positiva. Ao exame físico, encontra-se afebril no momento, descorado +/4+, hidratado, anictérico, acianótico. Está sonolento, com períodos de choro ao ser manipulado. FC: 152 bpm; FR: 50 ipm; saturação de oxigênio em ar ambiente: 92%. Sem uso de musculatura acessória à respiração. Murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios. Bulhas cardíacas rítmicas em 2 tempos e sem sopros. Abdome flácido sem visceromegalias. Foi colhido hemograma completo, mostrando Hb: 11,5 g/dL e Ht: 35%, leucocitose com desvio à esquerda, plaquetas: 90.000/μLd; e RNI: 1,5. Com base no Escore de Sepse de Phoenix, o diagnóstico de Choque Séptico para esse paciente pode ser feito se
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um paciente de um ano e dois meses de idade, o que já nos diz que estamos lidando com um lactente maior ou uma criança pequena, e os parâmetros vitais e critérios de sepse serão específicos para essa faixa etária.
- Ele apresenta uma história de febre há três dias, o que é um sinal importante de processo infeccioso.
- A mãe relata que ele está mais prostrado e teve um episódio de vômito, o que sugere um quadro de maior gravidade e possível desidratação ou comprometimento sistêmico.
- O exame de urina tipo um mostrou leucocitúria e nitrito positivo, o que é um forte indicativo de infecção do trato urinário, a provável fonte da sepse.
- No exame físico, ele está sonolento e chora ao ser manipulado, o que aponta para uma alteração do nível de consciência, um sinal de disfunção neurológica.
- A frequência cardíaca é de 152 batimentos por minuto. Para a idade dele, isso está dentro da normalidade para o Escore de Phoenix, que considera taquicardia acima de 160 batimentos por minuto.
- A frequência respiratória é de 50 incursões por minuto, o que é um sinal de taquipneia para a idade e sugere disfunção respiratória.
- A saturação de oxigênio de 92 por cento em ar ambiente também indica hipoxemia e reforça a disfunção respiratória.
- Nos exames laboratoriais, a plaquetopenia, com plaquetas em 90.000 por microlitro, é um critério de disfunção hematológica.
- O RNI de 1,5 também indica uma alteração da coagulação, que é outro critério de disfunção hematológica.
- Com base nesses achados, o paciente já apresenta uma infecção provável (ITU) e múltiplos sinais de disfunção orgânica, como neurológica, respiratória e hematológica, o que configura um quadro de sepse.
- A questão nos pede o que definiria o choque séptico para esse paciente, usando o Escore de Sepse de Phoenix. O choque séptico, pelo Phoenix, é a presença de sepse mais disfunção cardiovascular.
- Vamos analisar as alternativas incorretas primeiro. A alternativa B menciona que o tempo de enchimento capilar maior que três segundos definiria o choque.
- Embora o tempo de enchimento capilar seja um sinal importante de hipoperfusão e oriente a conduta, ele não é um componente formal para pontuar disfunção cardiovascular no Escore de Phoenix.
- A alternativa C sugere que um Glasgow menor que doze definiria o choque.
- Um Glasgow reduzido pontua disfunção neurológica, que o paciente já pode ter, mas não é o critério de disfunção cardiovascular que define o choque séptico pelo Phoenix.
- A alternativa D fala sobre a necessidade de ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva.
- Isso seria um critério de disfunção respiratória, que o paciente também já apresenta, mas não é o componente cardiovascular necessário para definir choque séptico pelo Escore de Phoenix.
- Por fim, a alternativa E propõe que a taquicardia maior que 160 batimentos por minuto definiria o choque.
- Embora a taquicardia seja um sinal de alerta, a taquicardia isolada não preenche o componente cardiovascular do Escore de Phoenix para definir choque séptico. É preciso ter hipotensão ou necessidade de vasopressores.
- A alternativa correta é a A, que afirma que o choque séptico seria definido se a pressão arterial média estivesse menor ou igual a 43 milímetros de mercúrio.
- Para uma criança de um ano e dois meses, o Escore de Phoenix define disfunção cardiovascular por hipotensão quando a pressão arterial média é menor ou igual a 43 milímetros de mercúrio, ou pela necessidade de vasopressores. Essa é a condição que, somada à sepse já presente, caracterizaria o choque séptico.
- Então, para uma criança de um ano e dois meses, com suspeita de sepse e sinais de disfunção orgânica, a definição de choque séptico pelo Escore de Phoenix exige um critério de disfunção cardiovascular, como a hipotensão pela pressão arterial média.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- International consensus criteria for pediatric sepsis and septic shockSCCM / JAMA, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.