Escolar, sexo masculino, 6 anos de idade, com antecedente de asma em uso de beclometasona inalatória continua, deu entrada no pronto-socorro com desconforto respiratório iniciado nas últimas 12 horas. Mãe administrou salbutamol 100 mcg, 2 puffs com espaçador a cada 6 horas, sem sinais de melhora. Na triagem, paciente hiporresponsivo, com FC: 52 bpm, SpO2: 78% em ar ambiente. Levado imediatamente à sala de emergência, monitorizado, oferecido oxigênio em máscara não reinalante, evoluiu com inconsciência. Como paciente estava sem pulso palpável, foram iniciadas compressões torácicas de alta qualidade (frequência 100–120/min) associadas à ventilação com bolsa-válvula-máscara na relação de 15 compressões para duas ventilações. Após 2 minutos, a RCP é interrompida para a checagem de ritmo, e o monitor demonstra os seguintes parâmetros:

Paciente segue sem pulso palpável. Qual é a medida imediata nesse contexto?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar o caso clínico. Temos um escolar, um menino de seis anos de idade, que já tem um histórico de asma em tratamento contínuo.
- Ele deu entrada no pronto-socorro com desconforto respiratório que começou nas últimas doze horas, e a mãe já tinha tentado salbutamol sem sucesso.
- Na triagem, o paciente estava hiporresponsivo, o que já indica uma deterioração neurológica importante.
- A frequência cardíaca estava muito baixa, cinquenta e duas batimentos por minuto, e a saturação de oxigênio era de setenta e oito por cento em ar ambiente. Isso é uma bradicardia grave e hipoxemia severa, sinais de iminência de parada.
- Mesmo após oxigênio e monitorização, ele evoluiu para inconsciência e, o mais grave, sem pulso palpável, caracterizando uma parada cardíaca.
- Foram iniciadas as compressões torácicas e ventilação, e após dois minutos, na checagem do ritmo, o monitor demonstra parâmetros elétricos, mas o paciente continua sem pulso palpável.
- A bradicardia e a hipoxemia grave que vimos no início são sinais de que a parada cardíaca estava se aproximando, especialmente em uma criança com histórico de asma.
- A ausência de pulso palpável, mesmo com atividade elétrica no monitor, define a condição de atividade elétrica sem pulso, ou AESP.
- Nesse cenário de AESP, que é um ritmo não chocável, a prioridade é continuar a reanimação cardiopulmonar de alta qualidade e administrar adrenalina o mais rápido possível.
- A alternativa B sugere manter apenas ventilações e administrar sulfato de magnésio. Isso está incorreto porque a ventilação isolada não garante circulação, e o magnésio não é a conduta inicial para AESP.
- A alternativa C propõe infundir atropina. A atropina não é o tratamento padrão para parada cardíaca sem pulso, e a dose mencionada também não seria a adequada para essa situação.
- Já a alternativa D sugere manter apenas ventilações e aplicar desfibrilação. A AESP é um ritmo não chocável, então a desfibrilação não está indicada aqui.
- Portanto, a alternativa correta é a A. Em casos de atividade elétrica sem pulso, a medida imediata é administrar adrenalina na dose de 0,01 miligramas por quilo por via intravenosa ou intraóssea em bolus, e retornar imediatamente às compressões de alta qualidade, enquanto se busca a causa reversível da parada.
- Para resumir, em uma criança de seis anos com parada cardíaca por atividade elétrica sem pulso, pense sempre em adrenalina e reanimação cardiopulmonar de alta qualidade.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025AHA/AAP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.