Lactente, sexo feminino, 2 meses de idade, com antecedente de prematuridade de 34 semanas, está internada em enfermaria devido a quadro de bronquiolite, com painel respiratório positivo para vírus sincicial respiratório (VSR). Hoje, após 24 horas de internação, a mãe acha que a paciente está mais cansada. Ao exame clínico, paciente está em regular estado geral, letárgica e hipoativa. No exame pulmonar, apresenta sibilos difusos, tiragem subcostal intensa, com balanço de cabeça e gemência expiratória, frequência respiratória de 76 irpm e SatO2 de 84% em ar ambiente. É instalado cateter nasal de alto fluxo com 2 L/kg e FiO₂ de 60%, com aumento da SatO2 para 89%; contudo, nota-se que a paciente está fazendo pausas respiratórias de 10 a 15 segundos, com queda de saturação. Qual é a conduta imediata mais indicada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Temos uma lactente, uma menina de dois meses de idade, o que já nos alerta para a gravidade de qualquer infecção respiratória nessa faixa etária.
- Além disso, ela tem um antecedente de prematuridade de 34 semanas. Isso é um fator de risco importante para complicações respiratórias, inclusive para bronquiolite.
- O diagnóstico de bronquiolite está confirmado, com painel respiratório positivo para vírus sincicial respiratório, o VSR, que é o principal agente causador de bronquiolite grave.
- A paciente está internada há 24 horas, e a mãe percebe que ela está mais cansada. A percepção da mãe é sempre um dado valioso, indicando uma piora clínica.
- Ao exame, ela está letárgica e hipoativa. Esses são sinais de comprometimento neurológico e de gravidade, que vão além do simples desconforto respiratório.
- No exame pulmonar, temos sibilos difusos, tiragem subcostal intensa, balanço de cabeça e gemência expiratória. Tudo isso aponta para um esforço respiratório muito significativo.
- A frequência respiratória é de 76 incursões por minuto, o que é uma taquipneia bastante importante para uma criança de dois meses.
- A saturação de oxigênio em ar ambiente é de 84 por cento, indicando uma hipoxemia grave que precisa ser corrigida.
- Mesmo após a instalação de cateter nasal de alto fluxo com dois mililitros por quilo e fração inspirada de oxigênio de 60 por cento, a saturação de oxigênio subiu apenas para 89 por cento. Isso mostra que o suporte atual é insuficiente para manter uma oxigenação adequada.
- E o dado mais alarmante: a paciente está fazendo pausas respiratórias, as apneias, de dez a quinze segundos, com queda de saturação. Apneias em lactentes com bronquiolite são um sinal de falência respiratória iminente.
- Juntando todos esses achados, temos uma lactente muito jovem, prematura, com bronquiolite grave por VSR, que está piorando, letárgica, com desconforto respiratório intenso, taquipneia, hipoxemia persistente mesmo com suporte de alto fluxo e, o mais grave, apresentando apneias.
- Esses sinais, especialmente as apneias e a hipoxemia que não melhora adequadamente, indicam que a paciente está evoluindo para uma falência respiratória.
- O suporte ventilatório atual não é suficiente. Precisamos de uma intervenção mais agressiva para garantir a ventilação e oxigenação da paciente.
- A alternativa A sugere a introdução de cafeína via oral para tratamento de apneias da prematuridade. A cafeína é usada para apneia da prematuridade, mas não é o tratamento rotineiro para apneias causadas por bronquiolite grave, que têm uma fisiopatologia diferente e exigem suporte ventilatório.
- A alternativa B propõe inalação com epinefrina e corticoide sistêmico. Embora a epinefrina possa ser usada em alguns casos de bronquiolite, e o corticoide em outras obstruções, eles não são a conduta principal para corrigir uma insuficiência bronquiolar grave com apneias e hipoxemia persistente.
- A alternativa C fala em antibioticoterapia endovenosa empírica com ceftriaxone para tratamento de apneias secundárias a sepse. Embora a sepse possa causar apneias, o quadro clínico é claramente de bronquiolite grave, e a prioridade imediata é o suporte ventilatório. Investigar infecção associada pode ser feito, mas não deve atrasar a ventilação.
- A alternativa D é a mais indicada. Escalonar o suporte ventilatório para ventilação não invasiva ou intubação orotraqueal é a conduta correta diante de apneias e hipoxemia persistente em um quadro de bronquiolite grave. Isso garante a ventilação e oxigenação adequadas para a paciente.
- Então, uma criança de dois meses, com bronquiolite grave, letargia e apneias, sempre nos faz pensar em falência respiratória e na necessidade de um suporte ventilatório mais avançado.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bronquiolite agudaSBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.