Lactente, sexo feminino, com 11 meses de idade é trazida ao pronto-socorro pelos pais, que relatam que a criança apresentou um episódio de febre (39 °C) e, subitamente, ficou com o corpo rígido e apresentou movimentos rítmicos nos quatro membros, com duração aproximada de 2 minutos. Após o episódio, a criança ficou sonolenta por cerca de 10 minutos, mas agora está responsiva e interage com os pais. Não há histórico de convulsões anteriores sem febre, e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade. Ao exame físico, a criança apresenta hiperemia de orofaringe e otoscopia normal. Diante do exposto, qual é a conduta mais apropriada nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma lactente, uma menina de 11 meses de idade, e essa idade é super importante porque a crise febril é mais comum nessa faixa etária.
- Os pais relatam que ela teve um episódio de febre, que chegou a 39 graus Celsius. A febre é o gatilho essencial para a crise febril.
- A descrição da crise é de que ela ficou com o corpo rígido e apresentou movimentos rítmicos nos quatro membros, o que caracteriza uma crise convulsiva generalizada.
- A duração aproximada foi de 2 minutos, o que é um tempo curto e nos ajuda a classificar a crise como simples, já que crises febris simples duram menos de 15 minutos.
- Após a crise, a criança ficou sonolenta por cerca de 10 minutos, mas agora está responsiva e interage com os pais. Essa recuperação completa e rápida é um dado muito importante para a benignidade do quadro.
- O enunciado também nos diz que não há histórico de convulsões anteriores sem febre, o que afasta a possibilidade de epilepsia.
- Além disso, o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade, o que nos tranquiliza quanto a doenças neurológicas de base.
- No exame físico, a criança apresenta hiperemia de orofaringe e otoscopia normal. Isso sugere uma infecção viral comum, sem sinais de infecção grave como meningite.
- Juntando todos esses dados, temos uma criança na idade típica para crise febril, com febre, uma crise convulsiva generalizada de curta duração, recuperação completa e sem histórico de outras convulsões ou atraso no desenvolvimento. Tudo isso aponta para um diagnóstico de crise febril simples.
- A crise febril simples é uma condição benigna e autolimitada, o que significa que a conduta deve ser focada em tranquilizar os pais e manejar a febre, sem necessidade de investigações invasivas ou tratamentos anticonvulsivantes contínuos.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A sugere solicitar imediatamente um eletroencefalograma e ressonância magnética de crânio. Esses exames não são rotina após uma crise febril simples, especialmente quando a criança se recupera completamente e não há sinais de alerta.
- A alternativa B propõe realizar punção lombar para descartar meningite. Embora a meningite seja uma preocupação em lactentes, a punção lombar não é obrigatória em uma primeira crise febril simples, sem outros fatores de risco ou sinais de infecção do sistema nervoso central, como fontanela abaulada, rigidez de nuca ou letargia persistente.
- A alternativa D sugere iniciar profilaxia contínua com fenobarbital. A profilaxia contínua com anticonvulsivantes não é recomendada para crises febris simples, pois não previne o desenvolvimento de epilepsia e os riscos dos medicamentos superam os benefícios.
- A alternativa E propõe administrar diazepam retal profilaticamente para ser usado em casa em caso de nova febre. O uso preventivo de benzodiazepínicos a cada episódio de febre não é uma indicação universal e deve ser reservado para casos muito específicos, com um plano de resgate bem definido, e não como profilaxia generalizada.
- A alternativa C é a conduta mais apropriada. Devemos orientar os pais sobre a benignidade do quadro, explicar o que é a crise febril simples e como agir em caso de uma nova crise. Prescrever um antipirético, como paracetamol ou ibuprofeno, ajuda a melhorar o conforto da criança, mas é importante ressaltar que ele não previne novas crises febris. E, finalmente, liberar a criança para casa, com orientação de retornar se houver sinais de alarme ou uma nova convulsão.
- Para revisar rapidamente, em uma criança de 11 meses, com crise convulsiva generalizada e febre, pense sempre em crise febril simples.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Febrile seizure — avaliação e manejoRoyal Children's Hospital, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.