Menina, 1 mês de idade, em consulta de puericultura, em aleitamento materno exclusivo, bom ganho de peso, tem queixa de lacrimejamento em olho direito, com acúmulo de secreções. Ao exame tem conjuntiva clara, as pupilas são fotorreagentes, sem fotofobia, acúmulo de muco e lágrimas na pálpebra inferior e pequenas crostas nos cílios. O diagnóstico e a conduta propostos, são, respectivamente:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Começando a análise do caso, temos uma menina de um mês de idade. Essa informação é super importante porque nos direciona para condições que afetam recém-nascidos e lactentes jovens.
- A queixa principal é lacrimejamento no olho direito, com acúmulo de secreções. Isso nos diz que há um problema na drenagem ou na produção de lágrimas e muco.
- Um dado crucial no exame físico é que a conjuntiva está clara. Isso é um achado negativo muito importante, pois afasta a maioria das conjuntivites inflamatórias.
- Outro ponto relevante é que não há fotofobia. A ausência de sensibilidade à luz é um dado que nos ajuda a descartar algumas condições mais graves.
- Por fim, o exame descreve acúmulo de muco e lágrimas na pálpebra inferior e pequenas crostas nos cílios. Isso detalha a natureza da secreção e reforça a ideia de estagnação.
- Juntando todos esses achados — a idade da paciente, o lacrimejamento e a secreção, mas sem sinais de inflamação conjuntival ou fotofobia —, a hipótese mais provável é uma obstrução das vias lacrimais.
- Para a obstrução congênita das vias lacrimais, a conduta inicial é sempre conservadora, focando na higiene e, muitas vezes, na massagem do saco lacrimal.
- A alternativa A propõe blefarite do recém-nascido. A blefarite é uma inflamação da margem da pálpebra, e o quadro clínico aqui é de lacrimejamento e secreção sem inflamação da pálpebra em si, o que não se encaixa.
- A alternativa B sugere conjuntivite química neonatal. Essa condição geralmente ocorre nos primeiros dias de vida, causada por irritantes, e costuma ser autolimitada. A menina tem um mês e não há histórico de exposição a irritantes.
- A alternativa D fala em glaucoma congênito. O glaucoma congênito apresenta fotofobia, blefaroespasmo e alterações na córnea, como opacificação ou aumento do diâmetro, que não foram descritos na paciente.
- A alternativa E menciona dacriocistite congênita crônica e encaminhamento para cirurgia. A dacriocistite é uma infecção do saco lacrimal, que geralmente se manifesta com inflamação, dor e inchaço na região do canto interno do olho, o que não vemos aqui. Além disso, a cirurgia não é a primeira conduta para obstrução lacrimal congênita.
- A alternativa C, obstrução congênita das vias lacrimais excretoras baixas, é o diagnóstico mais compatível com o quadro de lacrimejamento e secreção sem inflamação em um bebê de um mês. A conduta de limpeza das secreções com algodão e água filtrada é a higiene básica recomendada, que faz parte do tratamento conservador.
- Então, para uma criança de um mês com lacrimejamento e secreção ocular, mas sem sinais de inflamação ou fotofobia, pense sempre em obstrução congênita das vias lacrimais.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Nasolacrimal duct obstructionRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.