Menina de 1 ano e 8 meses, previamente saudável, apresenta febre há 3 dias, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos isolados. Ao exame, encontra-se em mau estado geral, febril (38,8 ºC), taquicárdica, com dor à palpação do flanco esquerdo. Exames laboratoriais revelam leucocitose de 16.000/mm3 , neutrofilia, leucocitúria +++, hematúria microscópica e nitrito positivo. Urocultura por cateterismo foi coletada, e o antibiograma estará disponível em 72h. Frente aos achados clínico-laboratoriais, qual o manejo terapêutico apropriado?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Primeiro, temos uma menina de 1 ano e 8 meses, o que já nos alerta para uma paciente pediátrica em uma faixa etária onde infecções urinárias podem ser mais graves e atípicas.
- Ela apresenta febre há 3 dias, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos isolados. Esses são sinais sistêmicos que sugerem uma infecção mais séria, não apenas uma cistite simples.
- Ao exame físico, a criança está em mau estado geral, febril com 38,8 graus Celsius e taquicárdica. Esses achados confirmam o comprometimento sistêmico e a gravidade do quadro.
- A dor à palpação do flanco esquerdo é um achado importante, pois localiza a infecção e sugere um envolvimento renal, ou seja, uma pielonefrite.
- Os exames laboratoriais revelam leucocitose de 16.000 por milímetro cúbico, neutrofilia, leucocitúria de três cruzes, hematúria microscópica e nitrito positivo. Tudo isso reforça o diagnóstico de infecção urinária e a presença de inflamação significativa.
- Por fim, a urocultura por cateterismo foi coletada, mas o antibiograma só estará disponível em 72 horas. Isso significa que não podemos esperar para iniciar o tratamento, dada a gravidade do quadro.
- Juntando todos esses dados, temos uma criança pequena com sinais e sintomas de infecção urinária alta, ou seja, pielonefrite, e com comprometimento do estado geral. Isso indica a necessidade de tratamento imediato e parenteral.
- A idade da criança e o mau estado geral são fatores que nos levam a optar por uma internação e um tratamento antibiótico por via intravenosa inicialmente, sem aguardar o resultado da urocultura.
- Analisando a alternativa B, que propõe Cefalexina por via oral por 10 dias, com reavaliação ambulatorial em 48 horas. Esta opção é incorreta porque a criança está em mau estado geral e tem uma forte suspeita de pielonefrite, o que exige tratamento intravenoso inicial.
- A alternativa C sugere a manutenção de suporte clínico até que saia o resultado da urocultura. Isso é incorreto, pois esperar 72 horas para iniciar o antibiótico em um quadro de pielonefrite com comprometimento sistêmico pode levar a complicações graves.
- A alternativa D propõe Ciprofloxacina por via intravenosa até que saia o resultado da urocultura. Esta é incorreta porque o Ciprofloxacino não é a escolha empírica de primeira linha para infecção urinária em crianças pequenas, devido a preocupações com efeitos adversos e resistência, sendo reservado para casos específicos.
- Finalmente, a alternativa A, que indica Ceftriaxona intravenosa e troca para antibiótico oral após 48 horas sem febre, é a correta. A Ceftriaxona intravenosa é uma excelente escolha empírica para pielonefrite em crianças, e a transição para via oral após melhora clínica é a conduta adequada.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança pequena com febre, mau estado geral e sinais de infecção urinária alta, pense sempre em pielonefrite e inicie o tratamento antibiótico por via intravenosa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevençãoSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.