Adolescente, masculino, 13 anos apresenta disúria, TAX 37,7 °C e dor lombar à direita há 48 horas. Hoje apresentou náuseas e vomitou 2x. HPP: quadro semelhante há 8 meses, tratado com amoxicilina-clavulanato por 7 dias. História familiar de urolitíase. Exame físico: bom estado geral, fácies de dor e sinal de Giordano positivo à direita. Além do exame parcial de urina, qual exame solicitar no primeiro momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico, que é de um adolescente, do sexo masculino, com 13 anos de idade. Essa idade é importante porque nos ajuda a contextualizar os achados, não é um lactente, nem um adulto, e isso muda um pouco a abordagem.
- Ele apresenta disúria, ou seja, dor ao urinar, uma temperatura axilar de 37,7 graus Celsius e dor lombar à direita. Esses são sintomas clássicos que nos fazem pensar em uma infecção do trato urinário alto, a pielonefrite.
- Esses sintomas estão presentes há 48 horas, o que indica um quadro agudo, mas já com alguma evolução.
- E hoje ele apresentou náuseas e vomitou duas vezes. Esses são sinais de que a infecção pode estar mais sistêmica, reforçando a suspeita de pielonefrite.
- Na história patológica pregressa, ele teve um quadro semelhante há oito meses, que foi tratado com amoxicilina-clavulanato por sete dias. A recorrência é um dado fundamental, pois nos obriga a investigar a causa dessa infecção.
- Além disso, ele tem história familiar de urolitíase, ou seja, cálculos renais na família. Isso é um fator de risco importante para a formação de cálculos no próprio paciente, que podem ser a causa da infecção recorrente.
- No exame físico, ele está em bom estado geral, mas com fácies de dor e um sinal de Giordano positivo à direita. O Giordano positivo confirma a dor lombar e reforça a suspeita de pielonefrite aguda.
- A questão nos pergunta qual exame solicitar no primeiro momento, além do exame parcial de urina, que já está subentendido que será feito.
- Com todos esses dados, temos um adolescente com quadro clínico de pielonefrite aguda, que é uma infecção do trato urinário alto, confirmada pela febre, dor lombar e Giordano positivo, além dos sintomas sistêmicos de náuseas e vômitos.
- A presença de recorrência do quadro e a história familiar de urolitíase são pontos cruciais que nos indicam a necessidade de uma investigação mais aprofundada para identificar a causa subjacente dessa infecção.
- Portanto, precisamos de um exame que identifique o agente causador da infecção e um exame de imagem para rastrear possíveis anomalias anatômicas ou cálculos que justifiquem a recorrência.
- A alternativa A propõe ressonância magnética e tomografia computadorizada de abdome. Essas duas juntas são redundantes e caras, e a tomografia ainda expõe o paciente à radiação. Elas são reservadas para casos mais complexos, como suspeita de abscesso ou obstrução não esclarecida, e não para o primeiro momento em um adolescente estável.
- A alternativa C sugere urocultura com antibiograma e tomografia computadorizada do abdome. Embora a tomografia sem contraste seja muito sensível para cálculos, ela não é o primeiro passo em um adolescente estável. Começamos com exames menos invasivos e com menos radiação, e só escalamos se houver dúvida ou piora.
- Já a alternativa D propõe urocultura com antibiograma e hemocultura com antibiograma. A hemocultura é mais útil em lactentes pequenos, pacientes imunodeprimidos ou com aspecto séptico grave. Em um adolescente em bom estado geral, como o nosso paciente, ela acrescenta pouco. Além disso, essa alternativa não inclui um exame de imagem, que é fundamental dada a recorrência e a história familiar de litíase.
- A alternativa B, por sua vez, indica urocultura com antibiograma e ultrassonografia de rins e vias urinárias. A urocultura é essencial para identificar o agente e guiar o tratamento. O ultrassom é o exame de imagem de primeira linha, pois rastreia cálculos, obstruções, dilatações e outras anomalias sem usar radiação, o que é ideal para um adolescente, especialmente com a história de recorrência e urolitíase familiar.
- Então, em uma criança ou adolescente com pielonefrite febril recorrente e história familiar de urolitíase, pense sempre em solicitar urocultura com antibiograma e ultrassonografia de rins e vias urinárias para investigar a causa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevençãoSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.