Menina de seis anos de idade é avaliada em consulta de pediatria, sendo identificada telarca com Tanner M2P1 à direita e M1P1 à esquerda. Genitora e criança negavam queixas. A criança apresenta crescimento e desenvolvimento compatíveis com a idade e sexo, bem como velocidade de crescimento normal. Não foram observados sinais clínicos de virilização, sendo ausentes os pelos pubianos e axilares. Foi solicitada radiografia de mãos e pulsos, confirmando compatibilidade de idade óssea e idade cronológica. Diante desse caso, qual deve ser a orientação?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, a idade da paciente, seis anos, é crucial. Em pediatria, essa idade já nos acende um alerta para puberdade precoce, que é definida como o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos oito anos em meninas.
- Em seguida, o achado de telarca, ou seja, o desenvolvimento mamário, classificado como Tanner M2 à direita e M1 à esquerda. Isso significa que há um início de desenvolvimento mamário, mas ainda não é completo, e é unilateral, o que é um dado importante.
- A genitora e a criança negarem queixas é um ponto positivo, indicando que não há sintomas associados que sugiram um quadro mais grave.
- É fundamental observar que o crescimento e desenvolvimento estão compatíveis com a idade e sexo, e a velocidade de crescimento é normal. Isso é um forte indício de que não há uma progressão rápida da puberdade.
- A ausência de pelos pubianos e axilares é outro dado importante, pois a presença desses pelos, junto com a telarca, indicaria uma puberdade mais avançada ou completa.
- Por fim, a radiografia de mãos e punhos confirmou que a idade óssea é compatível com a idade cronológica. Se a idade óssea estivesse avançada, seria um sinal de que a puberdade está progredindo mais rapidamente do que o esperado.
- Juntando todos esses dados, temos uma menina de seis anos com telarca unilateral, sem outros sinais de puberdade, sem aceleração do crescimento e com idade óssea compatível com a idade cronológica.
- Esse quadro é muito sugestivo de telarca precoce isolada, que é uma condição benigna e não progressiva na maioria dos casos.
- Nesses casos, o mais importante é monitorar para ter certeza de que não haverá progressão para uma puberdade precoce central.
- A alternativa A sugere um seguimento habitual anual. No entanto, um seguimento anual é muito longo para um quadro de telarca precoce. Precisamos monitorar mais de perto para detectar qualquer progressão.
- A alternativa C propõe a solicitação de exames de hormônios sexuais. Mas, nesse momento, com a telarca isolada e sem outros sinais de progressão, os hormônios geralmente estariam em níveis pré-puberais e não mudariam a conduta inicial de observação.
- Já a alternativa D fala em requisição de ressonância magnética de crânio. A ressonância só seria indicada se houvesse confirmação de puberdade precoce central, com elevação do hormônio luteinizante, e principalmente em meninas abaixo de seis anos ou com sinais neurológicos, o que não é o caso aqui.
- Portanto, a alternativa B, que indica acompanhamento clínico trimestral, é a mais adequada. A conduta correta para telarca precoce isolada é a observação com reavaliação clínica a cada três a seis meses, para verificar se há progressão do Tanner, aceleração do crescimento ou avanço da idade óssea.
- Então, lembre-se: em uma criança com telarca isolada, sem outros sinais de puberdade e com idade óssea compatível, a conduta é observar de perto, com reavaliações frequentes.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Telarca aos 6 anos: observar de perto — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Puberdade precoce central (Ministério da Saúde / Conitec (acervo SBP), 2022) · Puberdade precoce — Departamento de Endocrinologia (SBP, 2019–2024) · Precocious puberty: Diagnosis and evaluation; Definition, etiology, and evaluation of precocious puberty (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT — Puberdade precoce centralMinistério da Saúde / acervo SBP, 2022 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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