Uma paciente de seis anos e quatro meses de idade foi encaminhada à avaliação por início de broto mamário há cerca de quatro meses, sem pelos pubianos nem odor axilar. A mãe referiu que a velocidade de crescimento aumentou discretamente no último ano. Ao exame físico, mostrou estadiamento M2, P1; peso no p50 e estatura no p60. A radiografia de mão e punho realizada evidenciou idade óssea compatível com sete anos e seis meses. O teste de estímulo com GnRH revelou pico de LH em 7,2 UI/L. Considerando o quadro e a fisiopatologia envolvida, qual é a conduta mais apropriada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma paciente de seis anos e quatro meses de idade, e essa idade é importante porque a puberdade precoce é definida por sinais puberais antes dos oito anos em meninas.
- A mãe relata o início de broto mamário há cerca de quatro meses. A presença de broto mamário, ou telarca, é o primeiro sinal de puberdade na maioria das meninas.
- É importante notar que ela não tem pelos pubianos nem odor axilar, o que nos diz que outros sinais de puberdade ainda não se manifestaram, ou seja, a puberdade não está completa.
- A mãe também observou que a velocidade de crescimento aumentou discretamente no último ano. Um estirão de crescimento é um achado comum na puberdade, e um aumento na velocidade de crescimento pode indicar progressão puberal.
- Ao exame físico, o estadiamento de Tanner M2, percentil 1 confirma o broto mamário (M2) e a ausência de pelos pubianos (percentil 1), corroborando o que a mãe referiu.
- A radiografia de mão e punho mostrou uma idade óssea compatível com sete anos e seis meses, o que é um avanço significativo em relação à idade cronológica da criança, que é de seis anos e quatro meses. Isso sugere uma maturação acelerada, típica da puberdade precoce central.
- Por fim, o teste de estímulo com GnRH revelou um pico de LH em 7,2 unidades internacionais por litro. Um pico de LH acima de cinco unidades internacionais por litro após o estímulo é diagnóstico de puberdade precoce central, confirmando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.
- Juntando todos esses dados, temos uma menina com idade abaixo de oito anos, com sinais de puberdade (telarca e estirão de crescimento), idade óssea avançada e um teste de estímulo com GnRH positivo. Isso nos leva ao diagnóstico de puberdade precoce central.
- Além disso, a presença de telarca há quatro meses e o aumento da velocidade de crescimento indicam que essa puberdade precoce central está em progressão.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa B sugere a solicitação de ultrassonografia pélvica e suspensão de qualquer investigação adicional. Embora o ultrassom pélvico possa complementar a investigação, ele não encerra o processo, especialmente em um caso de puberdade precoce central já diagnosticada e progressiva.
- A alternativa C propõe acompanhamento clínico sem intervenções, considerando o quadro compatível com uma variante normal da puberdade. No entanto, a idade óssea avançada e o teste de estímulo com GnRH positivo afastam a possibilidade de uma variante benigna, como a telarca precoce isolada. A progressão dos sinais puberais também não sustenta essa conduta.
- A alternativa D sugere a introdução de antiestrogênio para evitar a progressão da telarca. Antiestrogênios não são o tratamento padrão para a puberdade precoce central. O tratamento visa bloquear o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.
- Por fim, a alternativa A propõe o início de análogo de GnRH para bloqueio da puberdade central. Essa é a conduta mais apropriada, pois o análogo de GnRH é o tratamento de escolha para a puberdade precoce central progressiva, com o objetivo de suprimir a secreção de gonadotrofinas e, consequentemente, a produção de hormônios sexuais, freando a progressão puberal e a maturação óssea.
- Para revisar rapidamente, em uma criança com idade inferior a oito anos, com telarca, idade óssea avançada e teste de GnRH positivo, pense sempre em puberdade precoce central e na necessidade de tratamento com análogo de GnRH.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT — Puberdade precoce centralMinistério da Saúde / acervo SBP, 2022 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.