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Pediatrando

Menino de 10 anos de idade, encaminhado da oncologia infantil para discutir uso de GH (hormônio de crescimento). Fez tratamento para ependimoma aos 6 anos de idade com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. História familiar: mãe com 168 cm. Pai com 180 cm. Desde os 7 anos, faz uso de prednisona 1mg/dia e levotiroxina 25 μg/dia, por diagnóstico de hipopituitarismo parcial após tratamento do tumor no SNC. Apresenta estatura -4 DP, Tanner G1P1 com velocidade de crescimento de 2cm por ano, observado nos dados antropométricos dos últimos 2 anos. Nos exames: Ressonância de crânio sem lesões residuais. TSH: 1,5 mUI/ml (VR: 0,4 a 5,1); T4 livre: 0,4 ng/dl (VR: 0,8 a 1,6) e IGF-I: 25 ng/ml (40-255). Diante desse caso, qual a conduta?

Espaços perdidos entre palavras no enunciado restaurados. Alternativa A: espaço restaurado (e reavaliar). Alternativa B: espaços restaurados (da oncologia, importante desaceleração). Alternativa C: espaço restaurado (a cada). Alternativa D: espaços restaurados (de testosterona, de crescimento).

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Resposta: B

  1. A) Manter dose da levotiroxina pois TSH está normal, diminuir dose do glicocorticoide e reavaliar velocidade de crescimento em 6 meses.

    Na deficiência de TSH por lesão hipotálamo-hipofisária, o TSH fica normal ou baixo mesmo com T4 livre reduzido; guiar a dose pelo TSH mantém a criança hipotireóidea. Prednisona 1 mg/dia é dose baixa, de reposição (na criança prefere-se hidrocortisona), e reduzi-la não corrigiria a desaceleração.

  2. B) Ajustar dose da levotiroxina, pois T4l está baixo, e discutir com a familia e equipe da oncologia sobre o uso de somatropina diante da baixa estatura e importante desaceleração do ritmo de crescimento.

    T4 livre de 0,4 ng/dL com TSH normal mostra reposição insuficiente no hipotireoidismo central: aumenta-se a levotiroxina. Estatura de -4 DP, 2 cm/ano, IGF-1 baixo e irradiação craniana indicam deficiência de GH; com mais de 1 ano sem doença e ressonância sem lesão residual, a somatropina deve ser discutida com a família e a oncologia.

  3. C) Ajustar dose da levotiroxina, frente ao T4l baixo, solicitar ITT com dosagem de GH a cada 30 minutos, mas não indicar somatropina, diante do risco da neoplasia.

    Um teste de estímulo pode até confirmar a deficiência, mas negar a somatropina pelo risco de neoplasia não se sustenta: o GH não aumenta a recidiva do tumor primário, e o pequeno risco de segunda neoplasia entra na decisão compartilhada.

  4. D) Ajustar dose da levotiroxina, e como criança está pré-púbere, realizar dose de testosterona ¼ da ampola IM, solicitar Rx idade óssea, reavaliar velocidade de crescimento em 3 meses, e contra-indicaria uso da somatropina.

    Priming com esteroide sexual serve apenas para melhorar a acurácia do teste de estímulo de GH em crianças peripuberais, não como tratamento. Contraindicar a somatropina num sobrevivente em remissão, com deficiência de GH, não tem respaldo.

Resumo para lembrar

No hipotireoidismo central o TSH não serve de guia: ajusta-se a levotiroxina pelo T4 livre, visando a metade superior da normalidade. Após tumor de SNC irradiado, estatura baixa, velocidade de 2 cm/ano e IGF-1 baixo indicam deficiência de GH; a somatropina pode começar após 1 ano sem doença, em decisão conjunta com a oncologia.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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