Recém-nascido, 7 dias de vida. Parto normal, 39 semanas, 3.200 g, 59 cm. Alta com 48h de vida, pesando 3.130 g. Mãe vem à consulta de rotina e relata que há dois dias seu filho está cansando ao mamar, com redução do tempo de mamadas. Exame físico: Peso 3.200 g, FR: 66 ipm, FC: 165 bpm, Tax: 36,50C. ACV: RCR, 2T, clique sistólico em foco aórtico, bulhas normofonéticas, B3, sem sopros. PA: 110/60 mmHg em MSD, leve tiragem intercostal, enchimento capilar 2s. Palpação: pulsos radiais normais, pulsos femorais de difícil palpação, mas presentes e pulsos tibiais posteriores ausentes. Abdômen discretamente distendido, com fígado 1,5 cm do RCD. A conduta indicada é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um recém-nascido, com sete dias de vida, o que é um período crítico para a manifestação de algumas cardiopatias congênitas.
- A mãe relata que há dois dias o bebê está cansando ao mamar e com redução do tempo das mamadas. Isso é um sinal importante de que algo não vai bem, especialmente em um lactente, podendo indicar dificuldade respiratória ou cardíaca.
- No exame físico, a frequência respiratória de sessenta e seis incursões por minuto e a frequência cardíaca de cento e sessenta e cinco batimentos por minuto indicam taquipneia e taquicardia, que são sinais de desconforto e sobrecarga.
- A presença de um clique sistólico em foco aórtico e a terceira bulha cardíaca, ou B3, são achados que podem sugerir uma cardiopatia, sendo o clique aórtico muitas vezes associado à valva aórtica bicúspide, que por sua vez tem relação com coarctação da aorta.
- Os pulsos femorais de difícil palpação e os pulsos tibiais posteriores ausentes são um achado clássico e muito importante, indicando um gradiente de pulsos entre os membros superiores e inferiores, o que é altamente sugestivo de coarctação da aorta.
- Por fim, o fígado palpável a um centímetro e meio do rebordo costal direito, ou hepatomegalia, é mais um sinal de insuficiência cardíaca congestiva, mostrando que o coração está sobrecarregado.
- Juntando todos esses achados, temos um recém-nascido de sete dias com sinais de insuficiência cardíaca, como a fadiga às mamadas, taquipneia, taquicardia e hepatomegalia, além de um forte indício de coarctação da aorta pelos pulsos.
- A coarctação da aorta é uma cardiopatia obstrutiva que, nesse período de vida, muitas vezes é dependente do canal arterial para a perfusão da aorta descendente. Com o fechamento fisiológico do canal, o bebê pode descompensar rapidamente.
- Portanto, a situação é de emergência, pois o fechamento do canal arterial pode levar a choque, acidose e falência de múltiplos órgãos se não for revertido imediatamente com prostaglandina E1.
- A alternativa A sugere iniciar diuréticos e indometacina. A indometacina é um medicamento que fecha o canal arterial, e neste caso, o canal é a única via de perfusão para a aorta descendente, então fechá-lo aceleraria o choque e a falência dos órgãos, o que é totalmente contraindicado.
- A alternativa B propõe solicitar ecocardiograma, iniciar diuréticos e rever em vinte e quatro horas. Essa conduta ignora a urgência do quadro. O canal arterial está se fechando, e esperar vinte e quatro horas pode levar o bebê a um choque irreversível.
- A alternativa D sugere orientar a mãe a procurar um cardiologista para realizar um ecocardiograma. Um encaminhamento ambulatorial para um exame eletivo atrasaria a administração da prostaglandina e a cirurgia, que são cruciais para salvar a vida do bebê. Uma cardiopatia obstrutiva em descompensação não espera consulta.
- A alternativa C, que indica encaminhar à emergência para avaliação cardiológica de urgência, é a conduta correta. O bebê precisa de atendimento imediato para iniciar a prostaglandina E1 e realizar o ecocardiograma e a cirurgia o mais rápido possível.
- Então, sempre que você tiver um recém-nascido na primeira ou segunda semana de vida, com sinais de insuficiência cardíaca e gradiente de pulsos entre membros superiores e inferiores, pense sempre em coarctação da aorta dependente do canal arterial e aja com urgência.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Coarctation of the aortaAmerican Heart Association, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.