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Pediatrando

Recém-nascido, sexo feminino, 12 horas de vida, nascida a termo (39 semanas), parto cesáreo eletivo. Apgar 9/9. Nas primeiras horas de vida, apresentou cianose central persistente (SatO₂ 80% em ar ambiente), sem gemência ou retrações. Após oxigênio a 100%, por 10 minutos, a saturação manteve-se em 82%. Ausculta cardíaca: bulhas normofonéticas, sem sopros. Pulsos periféricos presentes, simétricos. Saturação pré-ductal: 83%; pós-ductal: 81%. Radiografia de tórax: campos pulmonares normais, área cardíaca normal. Gasometria arterial: pO₂: 45 mmHg (referência > 60 mmHg). Diante do exposto, o diagnóstico provável e a conduta inicial indicada são:

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Resposta: A

  1. A) Transposição das grandes artérias; iniciar infusão de prostaglandina E1 para manter o canal arterial pérvio e solicitar ecocardiograma urgente.

    Cianose intensa em RN a termo sem desconforto, sem sopro, com pulmões e área cardíaca normais na radiografia e PaO2 de 45 mmHg que não sobe com O2 a 100% é o retrato da transposição com septo íntegro. Prostaglandina E1 mantém o canal aberto para misturar as circulações; se o forame oval for restritivo, faz-se atrioseptostomia com balão (Rashkind).

  2. B) Atresia tricúspide; iniciar diurético de alça para reduzir a congestão pulmonar.

    Atresia tricúspide também cursa com cianose, mas costuma ter sopro de CIV, hipofluxo pulmonar na radiografia e desvio do eixo para a esquerda no ECG. Não há congestão pulmonar a tratar com diurético; quando o fluxo pulmonar depende do canal, a conduta é prostaglandina.

  3. C) Coarctação crítica da aorta; suspender oxigênio e iniciar vasopressores inotrópicos.

    Coarctação crítica se manifesta com choque e pulsos femorais fracos quando o canal fecha, em geral após alguns dias, e a saturação pós-ductal fica menor que a pré-ductal. Aqui os pulsos são simétricos, e o tratamento da coarctação crítica também é prostaglandina, não vasopressor.

  4. D) Comunicação interventricular grande; iniciar restrição hídrica e oxigenoterapia contínua.

    CIV grande é acianótica: o shunt é da esquerda para a direita e a insuficiência cardíaca aparece após 4 a 8 semanas, quando a resistência pulmonar cai. Não explica cianose grave com 12 h de vida.

  5. E) Tetralogia de Fallot; administrar betabloqueador endovenoso para controle de espasmo infundibular.

    Na tetralogia de Fallot o sopro sistólico da estenose pulmonar é quase constante, a radiografia mostra hipofluxo pulmonar e coração em bota, e a cianose neonatal costuma ser leve. Betabloqueador EV é uma das medidas da crise hipoxêmica, que não é o quadro descrito.

Resumo para lembrar

Cianose central nas primeiras horas, sem desconforto respiratório nem sopro, com radiografia normal e PaO2 que não sobe com O2 a 100% (teste da hiperóxia), sugere cardiopatia cianótica, e a transposição das grandes artérias é a mais comum no período neonatal. A conduta é prostaglandina E1 (0,01 a 0,05 mcg/kg/min), preparo para apneia e ecocardiograma urgente.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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