RN, 8 dias de vida, internado por sífilis congênita, vinha recebendo tratamento com penicilina cristalina desde o primeiro dia. Os exames laboratoriais revelaram VDRL sérico de 1:4, VDRL no líquor não reagente, líquor com proteínas totais de 69 mg/dl, 5 leucócitos/mm³ e glicose de 60 mg/dl. O raio X de ossos longos estava normal. A enfermagem informou que não estava mais conseguindo acesso vascular intravenoso periférico no bebê. Considerando as diretrizes brasileiras para o manejo dessa condição, qual é a conduta mais adequada para a finalização do tratamento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Temos um recém-nascido, com oito dias de vida, o que já nos situa na faixa etária neonatal e nos faz pensar em doenças congênitas.
- Ele está internado por sífilis congênita, então o diagnóstico já está estabelecido e precisamos focar no tratamento e sua finalização.
- O tratamento foi iniciado com penicilina cristalina desde o primeiro dia, o que é um esquema parenteral adequado para sífilis congênita.
- Os exames laboratoriais mostram um VDRL sérico de um para quatro, que é o VDRL do bebê, e o VDRL no líquor não reagente, o que é um dado muito importante.
- Ainda sobre o líquor, as proteínas totais de 69 miligramas por decilitro, cinco leucócitos por milímetro cúbico e glicose de 60 miligramas por decilitro estão dentro dos parâmetros de normalidade para um recém-nascido.
- O raio X de ossos longos estava normal, o que afasta outra evidência de sífilis congênita grave ou neurosífilis.
- O problema crucial é que a enfermagem informou que não estava mais conseguindo acesso vascular intravenoso periférico no bebê, o que inviabiliza a continuação do tratamento atual.
- Com base nos exames do líquor e do raio X, podemos classificar a sífilis congênita como sem evidências de neurosífilis ou doença grave.
- Para sífilis congênita sem neurosífilis, o tratamento padrão é penicilina parenteral por dez dias, seja cristalina intravenosa ou procaína intramuscular.
- Como o acesso intravenoso foi perdido, precisamos encontrar uma alternativa que mantenha o esquema parenteral de dez dias e seja igualmente eficaz.
- A alternativa A sugere completar o tratamento com penicilina benzatina em dose única. Essa opção está incorreta porque a penicilina benzatina em dose única não é um esquema completo para sífilis congênita que requer um tratamento parenteral de dez dias.
- A alternativa C propõe completar o tratamento com penicilina procaína intramuscular até o décimo quarto dia de tratamento. Essa também está incorreta, pois quatorze dias não é a duração padrão para o esquema de sífilis congênita sem neurosífilis; o correto são dez dias.
- A alternativa D sugere solicitar acesso venoso central e completar o tratamento com penicilina cristalina até o décimo dia de tratamento. Embora seja uma opção para manter a medicação intravenosa, um acesso central não é obrigatório se houver uma alternativa intramuscular apropriada e menos invasiva, como é o caso aqui.
- A alternativa B, que é a correta, indica completar o tratamento com penicilina procaína intramuscular até o décimo dia de tratamento. Esta é a conduta mais adequada, pois a penicilina procaína diária por via intramuscular é uma opção válida para sífilis congênita sem neurosífilis, mantendo o esquema parenteral de dez dias necessário, sem a necessidade de um acesso venoso central.
- Então, criança com sífilis congênita sem neurosífilis, que perdeu o acesso venoso, pense sempre em continuar o tratamento com penicilina procaína intramuscular por dez dias.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT para prevenção da transmissão vertical — sífilis congênitaMinistério da Saúde, 2020 · conferida em 22/09/2026
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