Em maternidade, nasceu uma criança cuja mãe apresenta história de sífilis tratada durante o pré-natal (diagnóstico por VDRL 1:32). A mãe refere que fez uso de 2.400.000 UI de penicilina benzatina, durante 3 semanas seguidas (intervalos de 7 dias entre as doses). O parceiro não recebeu tratamento, mas a mãe refere que não teve mais relação sexual com ele. O VDRL da mãe no momento do parto da mãe foi 1:2, e do RN, após o nascimento, foi não reagente. Ao exame físico, o recém-nascido encontra-se assintomático. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. O enunciado nos diz que a mãe teve sífilis tratada durante o pré-natal, o que já nos alerta para a exposição do bebê.
- O diagnóstico materno inicial foi de VDRL 1:32, um título significativo que confirma a infecção.
- A mãe fez uso de 2.400.000 unidades internacionais de penicilina benzatina, durante 3 semanas seguidas, com intervalos de 7 dias entre as doses. Isso é importante para avaliar a adequação do tratamento materno.
- Apesar do parceiro não ter recebido tratamento, a mãe refere que não teve mais relação sexual com ele, o que diminui o risco de reinfecção materna.
- O VDRL da mãe no momento do parto foi 1:2. Esse dado, comparado ao inicial de 1:32, mostra uma queda de quatro títulos, indicando resposta ao tratamento.
- O VDRL do recém-nascido, após o nascimento, foi não reagente. Isso é um bom sinal, mas não exclui completamente a sífilis congênita, pois pode haver infecção e o teste ainda não ter reagido, ou ser apenas anticorpos maternos passivos.
- Ao exame físico, o recém-nascido encontra-se assintomático. Mais um ponto positivo, mas a ausência de sintomas também não afasta a sífilis congênita, que pode ser assintomática ao nascimento.
- Agora, vamos conectar esses achados. O tratamento materno foi adequado, com as doses e intervalos corretos de penicilina benzatina.
- A queda do VDRL materno de 1:32 para 1:2 demonstra que a mãe respondeu bem ao tratamento, o que diminui o risco de transmissão vertical.
- O fato de o recém-nascido ser assintomático e ter um VDRL não reagente, somado ao tratamento materno adequado e à boa resposta da mãe, classifica este bebê como de baixo risco para sífilis congênita.
- No entanto, mesmo em casos de baixo risco, a exposição intrauterina à sífilis exige um acompanhamento rigoroso para descartar uma infecção tardia ou persistente.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A diz que a criança deve ser notificada como sífilis congênita e tratada com penicilina.
- Essa alternativa está incorreta porque, com o tratamento materno adequado e a avaliação neonatal normal, não há indicação para classificar a criança como sífilis congênita e iniciar o tratamento de imediato.
- A alternativa B sugere que é necessário completar a investigação com radiografia de ossos longos e análise do líquor para definir a conduta terapêutica.
- Essa alternativa está incorreta porque a investigação invasiva, como radiografia de ossos longos e punção lombar para análise do líquor, só é indicada em casos de maior risco ou com achados clínicos ou laboratoriais sugestivos, o que não é o caso aqui.
- A alternativa D propõe que, se o líquor apresentar 20 células e 80 miligramas por decilitro de proteína, o recém-nascido deve receber 10 dias de penicilina cristalina.
- Essa alternativa está incorreta porque, além de não haver indicação para a punção lombar neste caso, a interpretação dos valores do líquor depende da idade do bebê e de outros fatores. Números isolados não são suficientes para definir um tratamento tão específico.
- A alternativa E afirma que não há como definir conduta, pois o diagnóstico materno não foi confirmado com teste treponêmico durante o pré-natal.
- Essa alternativa está incorreta. Embora o teste treponêmico seja importante, o VDRL de 1:32 já estabelece um diagnóstico de sífilis materna e permite a estratificação de risco e a definição de conduta, como fizemos ao longo da análise.
- Finalmente, a alternativa C diz que o recém-nascido deve ser acompanhado laboratorialmente, com VDRL controles (1, 3, 6, 12 e 18 meses), até a obtenção de dois exames negativos.
- Essa é a alternativa correta. Mesmo com o tratamento materno adequado e o bebê assintomático com VDRL não reagente, o seguimento sorológico é fundamental. Ele serve para verificar a negativação dos anticorpos maternos passivos e para identificar uma possível sífilis congênita tardia, caso o bebê tenha sido infectado e não manifestado sintomas ou soroconversão inicial.
- Então, uma criança exposta à sífilis, mesmo com tratamento materno adequado e assintomática ao nascimento, precisa de um acompanhamento laboratorial rigoroso para garantir que não haja sífilis congênita tardia.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT para prevenção da transmissão vertical — sífilis congênitaMinistério da Saúde, 2020 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.