Um adolescente de 13 anos queixa-se de dor testicular esquerda súbita e intensa, iniciada há 2 horas. Nega trauma. Ao exame físico, tem testículo esquerdo elevado, horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente. A dor não melhora com a elevação do testículo. Qual a conduta imediata mais adequada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de um adolescente que chega com dor testicular aguda, que é uma emergência urológica importante na pediatria.
- Ele se queixa de uma dor testicular esquerda que é súbita e intensa, o que já nos acende um alerta para torção.
- E o tempo de evolução é crucial aqui: iniciou há apenas duas horas, o que nos dá uma janela de tempo para salvarmos o testículo.
- A história de não ter trauma é importante para descartar outras causas, como uma contusão, por exemplo.
- Ao exame físico, o testículo esquerdo está elevado e horizontalizado, que são sinais clássicos de torção testicular.
- E a ausência do reflexo cremastérico é um achado muito forte que corrobora a suspeita de torção.
- Por fim, a dor não melhorar com a elevação do testículo, o que chamamos de sinal de Prehn negativo, nos afasta de uma epididimite e reforça a torção.
- Então, com todos esses achados — dor súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo —, a gente tem um quadro clínico altamente sugestivo de torção testicular.
- E o fato de ter iniciado há apenas duas horas é crucial, porque a viabilidade do testículo é muito alta nas primeiras seis horas, mas cai drasticamente depois de doze a vinte e quatro horas.
- Portanto, estamos diante de uma emergência cirúrgica que exige uma conduta imediata para tentar salvar o testículo.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa B propõe prescrever analgésicos e antibióticos orais e reavaliar em quarenta e oito horas. Isso estaria completamente errado para torção testicular.
- Essa conduta seria para uma epididimite, que tem um início mais gradual, o reflexo cremastérico presente e a dor que alivia com a elevação do testículo, o que não é o caso aqui. Esperar quarenta e oito horas em uma torção significa a perda certa do testículo.
- A alternativa C sugere solicitar tomografia computadorizada de pelve e iniciar antibiótico. A tomografia não tem papel na avaliação do escroto agudo, pois irradia, demora e avalia mal o fluxo testicular.
- Além disso, o antibiótico não trata a torção e só atrasaria ainda mais a cirurgia necessária.
- A alternativa D fala em tentar manobra terapêutica de rotação manual e dar alta se conseguir. A distorção manual pode ser tentada em situações onde a cirurgia não está imediatamente disponível, mas ela nunca dispensa a exploração cirúrgica.
- Isso porque há risco de torção residual e de recidiva, exigindo sempre a orquidopexia. Dar alta após a manobra é um erro grave, pois o paciente precisa de acompanhamento e fixação cirúrgica.
- Por fim, a alternativa A, que é a correta, diz para solicitar ultrassonografia, mas encaminhar para cirurgia se demorar.
- O ultrassom com Doppler de bolsa escrotal é o exame que confirma a falta de fluxo sanguíneo e ajuda muito nos casos duvidosos. No entanto, com um quadro clínico tão típico como este, a cirurgia não pode ser atrasada esperando o exame.
- O cirurgião deve ser acionado imediatamente, e a exploração cirúrgica com orquidopexia deve vir antes do exame se houver qualquer demora para realizá-lo. O tempo é crucial para a viabilidade testicular.
- Então, um adolescente com dor testicular súbita e intensa, testículo elevado, horizontalizado e reflexo cremastérico ausente, pense sempre em torção testicular, que é uma emergência cirúrgica onde o tempo é testículo.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Acute scrotal pain or swellingRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 24/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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