Um lactente de 10 meses de vida foi levado à consulta ambulatorial. A mãe referiu alimentação predominante com leite de vaca integral desde os quatro meses, bem como palidez progressiva. Ao exame, o paciente mostrava-se ativo, com palidez cutânea leve, sem sopros; FC = 124 bpm, FR = 30 irpm, SpO2 = 98%, e peso e estatura adequados. Hemograma mostrou Hb = 8,7 g/dL; VCM = 68 fL e RDW aumentado. A estratégia mais efetiva para prevenção desse tipo de anemia é a
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, temos um lactente de dez meses de vida, o que já nos situa na faixa etária em que a anemia ferropriva é bem comum, especialmente se a alimentação complementar não for adequada.
- A mãe refere que ele toma leite de vaca integral desde os quatro meses, e isso é um dado crucial. O leite de vaca integral não é recomendado antes de um ano de idade, pois pode causar micro-hemorragias intestinais e tem baixa biodisponibilidade de ferro.
- A queixa principal é palidez progressiva, um sinal comum de anemia.
- Ao exame, ele está ativo, com palidez cutânea leve, mas sem sopros, o que é bom, e os sinais vitais estão dentro da normalidade para a idade. O peso e a estatura adequados nos mostram que a desnutrição calórico-proteica não é o problema principal aqui.
- O hemograma é o que confirma nossa suspeita. Uma hemoglobina de 8,7 gramas por decilitro já configura anemia. O volume corpuscular médio de 68 fentolitros, que está baixo, e o RDW aumentado, que indica anisocitose, são características clássicas da anemia microcítica e hipocrômica, ou seja, anemia ferropriva.
- Juntando o histórico de introdução precoce de leite de vaca integral com os achados do hemograma, que mostram uma anemia microcítica e hipocrômica, a gente tem um quadro clássico de anemia ferropriva.
- A questão nos pede a estratégia mais efetiva para a prevenção desse tipo de anemia, a anemia ferropriva.
- A alternativa A sugere a introdução de leite de vaca integral a partir dos dois meses. Isso é totalmente incorreto, pois o leite de vaca integral antes de um ano de idade aumenta muito o risco de inadequação nutricional e deficiência de ferro, como vimos no nosso caso.
- A alternativa C propõe a restrição completa de carnes por um ano. Isso seria um erro grave, pois a carne é uma fonte importantíssima de ferro heme, que tem alta biodisponibilidade e é essencial para prevenir a deficiência de ferro.
- A alternativa D fala em redução de ingestão de frutas cítricas. Pelo contrário, as frutas cítricas são ricas em vitamina C, que na verdade favorece a absorção do ferro não heme. Restringi-las não previne a anemia, e sim pode prejudicar a absorção de ferro.
- A alternativa B, que é a correta, indica a introdução de ferro na dieta após seis meses, com alimentos ricos e suplementação, quando indicada. Essa é a estratégia mais efetiva. A alimentação complementar rica em ferro, especialmente com carnes, e a profilaxia com suplementação de ferro, conforme o risco e as recomendações atuais, são fundamentais para prevenir a anemia ferropriva em lactentes.
- Então, uma criança de dez meses, com anemia microcítica e histórico de leite de vaca integral precoce, nos faz pensar sempre em anemia ferropriva e na importância da prevenção com alimentação adequada e suplementação de ferro.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Prevenção e tratamento da deficiência de ferro em lactentes — atualização 2026SBP, 2026 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
- Caderno dos Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes — 2ª edição revisadaMinistério da Saúde, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.