Um lactente de 4 meses é levado ao pronto-socorro com diarreia aquosa e vômitos há 24horas. Ao exame, o médico nota que a criançaestá letárgica, hipotônica, com olhos muitofundos e secos, e não é capaz de beber a soluçãode reidratação oferecida. O enchimento capilarestá muito prejudicado (acima de 5 segundos).Identifique a classificação do estado dehidratação e o plano terapêutico imediato:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. O enunciado nos apresenta um lactente de 4 meses, e essa idade é crucial porque bebês pequenos são mais vulneráveis à desidratação e suas complicações.
- A queixa principal é que ele está com diarreia aquosa e vômitos há 24 horas. Isso nos indica que a perda de líquidos é aguda e significativa, o que pode levar rapidamente a um quadro de desidratação.
- Ao exame, o médico nota que a criança está letárgica. A letargia é um sinal de alerta muito importante, sugerindo comprometimento neurológico devido à desidratação grave ou até mesmo choque.
- Além disso, o bebê está hipotônico. A hipotonia, assim como a letargia, é um sinal de gravidade que indica um comprometimento significativo do estado geral da criança.
- Os olhos estão muito fundos e secos. Esses são sinais clássicos e bem visíveis de desidratação grave em lactentes, indicando uma depleção volêmica acentuada.
- Outro dado crucial é que a criança não é capaz de beber a solução de reidratação oferecida. Isso significa que a via oral não é uma opção viável para a reidratação imediata, o que agrava o quadro.
- E, por fim, o enchimento capilar está muito prejudicado, acima de 5 segundos. Um enchimento capilar prolongado é um sinal objetivo e muito fidedigno de hipoperfusão periférica e choque, indicando uma situação de emergência.
- Com base em todos esses achados, como a letargia, a hipotonia, os olhos muito fundos e secos, a incapacidade de beber e, principalmente, o enchimento capilar acima de 5 segundos, temos um quadro clínico que aponta inequivocamente para uma desidratação grave.
- Diante de uma desidratação grave com sinais de choque e falha da via oral, o plano terapêutico imediato é o Plano C, que preconiza a terapia de reidratação parenteral, ou seja, a hidratação venosa.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B sugere Desidratação Plano B, devendo iniciar solução de reidratação oral de 50 a 100 mililitros por quilo em 4 a 6 horas na unidade.
- Essa alternativa está incorreta porque a gravidade circulatória do paciente, evidenciada pelo enchimento capilar prolongado e pela letargia, excede em muito a situação que seria manejada apenas com o Plano B, que é para desidratação moderada sem sinais de choque.
- A alternativa C propõe Ausência de desidratação, Plano A, indicando apenas suplementação de zinco e líquidos caseiros.
- Essa alternativa está claramente incorreta. O paciente apresenta múltiplos sinais de desidratação grave, como letargia, olhos fundos e enchimento capilar prolongado, o que é totalmente incompatível com a ausência de desidratação ou com o Plano A.
- A alternativa D sugere Desidratação Plano B com falha da via oral, indicando reidratação por sonda nasogástrica, a gastróclise.
- Essa opção está incorreta porque a gastróclise, embora útil em algumas situações de falha da via oral, não substitui a ressuscitação circulatória em uma criança com hipoperfusão grave, como é o caso do nosso paciente com enchimento capilar acima de 5 segundos. Ele precisa de hidratação venosa imediata.
- Por fim, a alternativa E menciona Desidratação leve, Plano A, pois o sinal da prega cutânea não foi mencionado.
- Essa alternativa está incorreta porque a ausência da descrição de um sinal, como a prega cutânea, não anula os múltiplos e graves sinais de desidratação já presentes no enunciado, que indicam um quadro muito mais sério do que uma desidratação leve.
- A alternativa correta é a A, que afirma Desidratação grave, Plano C, indicando terapia de reidratação parenteral.
- Essa é a resposta certa, pois a letargia, a incapacidade de beber e a hipoperfusão grave, com enchimento capilar acima de 5 segundos, são sinais que sustentam o diagnóstico de desidratação grave e a necessidade de iniciar imediatamente a terapia de reidratação parenteral, conforme o Plano C.
- Para revisar rapidamente, uma criança com diarreia e vômitos que apresenta letargia e sinais de choque, como enchimento capilar prolongado, deve sempre ser tratada como um caso de desidratação grave que requer hidratação venosa imediata.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diarreia aguda infecciosaSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.