Lactente de 2 anos de idade, previamente hígido, vai ao pronto atendimento com história de diarreia líquida há 2 dias, esverdeada, sem sangue, e volumosa. Hoje apresentou cerca de 7 evacuações. Apresentou 2 picos febris não aferidos. Está com dificuldade de ingerir alimentos devido à náusea e vômitos pós prandiais, conseguindo beber alguma quantidade de água em casa. Ao exame físico, apresenta irritabilidade alternada com sonolência, olhos fundos e sem lágrimas, boca seca, turgor da pele pastoso, pulsos periféricos filiformes e tempo de enchimento capilar maior que 4 segundos. De acordo com as orientações mais recentes do Ministério da Saúde, além do antiemético, qual a conduta inicial correta para esse caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um lactente de dois anos de idade, e essa informação é crucial porque a idade da criança define qual protocolo de reidratação vamos seguir.
- Ele apresenta uma história de diarreia líquida há dois dias, esverdeada, sem sangue e volumosa. Isso nos indica uma diarreia aguda, provavelmente infecciosa, e a característica volumosa já nos alerta para a perda significativa de líquidos.
- A criança teve cerca de sete evacuações hoje, o que reforça a intensidade da perda hídrica.
- Ele também teve picos febris não aferidos, o que é comum em quadros infecciosos, mas não nos dá um valor exato para a febre.
- A dificuldade de ingerir alimentos devido a náuseas e vômitos pós-prandiais, mesmo conseguindo beber alguma água, mostra que a via oral está comprometida e a reposição hídrica está insuficiente.
- Agora, vamos aos sinais de desidratação grave e choque. A irritabilidade alternada com sonolência é um sinal neurológico importante de gravidade.
- Os olhos fundos e sem lágrimas, e a boca seca, são sinais clássicos de desidratação.
- O turgor da pele pastoso também indica uma desidratação mais acentuada.
- Os pulsos periféricos filiformes e o tempo de enchimento capilar maior que quatro segundos são sinais inequívocos de choque hipovolêmico, indicando um comprometimento circulatório grave.
- Com todos esses dados, fica claro que estamos diante de uma criança de dois anos com desidratação grave e sinais de choque hipovolêmico.
- Nesse cenário de choque, a prioridade é a reposição volêmica rápida por via intravenosa, seguindo o protocolo do Plano C do Ministério da Saúde.
- A alternativa D propõe oferecer terapia de reidratação oral. No entanto, a via oral isolada é insuficiente e até contraindicada como conduta inicial em casos de choque hipovolêmico grave, como o que vemos aqui, com pulsos filiformes e tempo de enchimento capilar prolongado.
- A alternativa E sugere iniciar terapia de reidratação por gastróclise. A gastróclise também não substitui a reposição venosa prioritária quando há comprometimento circulatório grave e choque, como é o caso deste paciente.
- A alternativa C fala em soro fisiológico vinte mililitros por quilo endovenoso em trinta minutos. Embora vinte mililitros por quilo seja um bolus comum em algumas situações, no Plano C para crianças maiores de um ano, a primeira etapa é de trinta mililitros por quilo.
- A alternativa B propõe soro fisiológico trinta mililitros por quilo endovenoso em uma hora. Essa velocidade mais lenta, de trinta mililitros por quilo em uma hora, é a recomendada para lactentes menores de um ano no protocolo do Ministério da Saúde. Nosso paciente tem dois anos, então essa não é a conduta mais adequada para a idade dele.
- Finalmente, a alternativa A indica soro fisiológico trinta mililitros por quilo endovenoso em trinta minutos. Para uma criança maior de um ano, como nosso paciente de dois anos, com desidratação grave e choque, a primeira etapa do Plano C do Ministério da Saúde é exatamente essa: trinta mililitros por quilo de soro fisiológico administrados em trinta minutos.
- Então, lembre-se: uma criança de dois anos com sinais de choque hipovolêmico, como pulsos filiformes e tempo de enchimento capilar prolongado, sempre deve receber reposição volêmica intravenosa rápida, seguindo o Plano C para crianças maiores de um ano.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diarreia aguda infecciosaSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.