Pular para o conteúdo
Pediatrando

Uma criança do sexo masculino de 5 anos previamente hígida, procura a UPA em companhia da mãe, devido a cefaleia há 3 semanas. A cefaleia é descrita como pulsátil, generalizada, de forte intensidade (necessitando de dipirona), com duração variável de 30 minutos a 2 horas, e com aumento progressivo na frequência; inicialmente ocorria uma vez a cada 3 dias e agora ocorre diariamente. A dor geralmente é noturna, acordando o menino durante a madrugada, o que motivou a procura por atendimento. Nega vômito, náusea, febre ou trauma prévio. A mãe, de 30 anos, tem diagnóstico de migrânea desde a juventude. A intensidade da dor é classificada como 7/10. A otoscopia, rinoscopia e oroscopia são normais. A ausculta cardíaca e pulmonar são normais. O abdome é flácido. As pupilas estão isocóricas e normorreativas, a movimentação ocular é normal, a mímica facial está preservada, a força e os reflexos estão normais, os sinais meníngeos são negativos e a marcha não apresenta alterações. Qual é o exame principal para prosseguir na investigação?

Acento omitido em mímica.

Ver o gabarito comentado

Resposta: A

  1. A) Tomografia simples de crânio.

    Cefaleia que desperta a criança, com piora progressiva da frequência em 3 semanas, é sinal de alarme para lesão expansiva ou hipertensão intracraniana, e a neuroimagem é obrigatória. Entre as opções, a tomografia é a indicada; quando disponível, a ressonância é preferível por avaliar melhor a fossa posterior e não usar radiação.

  2. B) Punção lombar com sedação.

    Punção lombar sem neuroimagem prévia é contraindicada quando se suspeita de lesão expansiva, pelo risco de herniação. Sem febre nem sinais meníngeos, não há suspeita de infecção que justifique o líquor como primeiro exame.

  3. C) Hemograma e proteína C reativa.

    Hemograma e proteína C reativa não investigam cefaleia secundária a lesão intracraniana; seriam úteis num quadro febril ou inflamatório sistêmico, ausente aqui.

  4. D) Testes de refração ocular.

    Erro de refração causa cefaleia frontal leve, ligada ao esforço visual e ao fim do dia, que não acorda a criança. Diante de sinais de alarme, a avaliação oftalmológica não substitui a neuroimagem, embora o fundo de olho faça parte do exame.

Resumo para lembrar

Cefaleia recente, de frequência progressiva, que acorda a criança à noite, tem sinais de alarme para causa secundária (tumor de fossa posterior, hidrocefalia) mesmo com exame neurológico normal e mãe com migrânea. Exige neuroimagem: a ressonância é o exame de escolha quando disponível, e a tomografia é a opção imediata no pronto-atendimento.

Reportar
Fontes 1
  • HeadacheRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 28/09/2026

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

Questões do mesmo tema