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Pediatrando

Paciente do sexo masculino, 13 anos, deu entrada em serviço de pronto atendimento com quadro de palidez importante há 5 dias, associado a sangramento nasal e gengival intermitentes no período. Relatava 2 picos febris no dia da admissão, termometrados em 38,8°C. Ao exame, paciente encontra-se em bom estado geral, descorado (+3/4+), hidratado. Presença de adenomegalia em cadeias cervicais, axilares e inguinais, gânglios de 2 a 4 cm, móveis e algo endurecidos. Petéquias dispersas pelos membros inferiores. FC de 100 bpm, com 2 bulhas normofonéticas e rítmicas, com sopro sistólico 2+/4+ em focos da base. Boa perfusão periférica. FR de 22ipm, sem desconfortos, com MV presente e simétrico, sem ruídos adventícios. Abdome com presença de baço palpável a 5 cm do RCE, endurecido. Fígado não palpável. Sem alterações neurológicas ou do exame clínico do períneo. Foi colhido hemograma na chegada, que mostrou o seguinte resultado: Hemoglobina 7,5 g/dL (VN 10,8 a 15,6); Hematócrito 27% (VN 33,0 a 45,0); Leucócitos 218.000/mm³ (VN 5.000 a 13.000); Linfócitos 60% (VN 20 a 50%); Presença de células atípicas (blastos) 40%; Plaquetas 10.000 /mm³ (VN 200.000 a 400.000); Anemia normocítica e normocrômica, plaquetopenia. Você está de plantão em enfermaria de especialidades de pediatria, e recebe este paciente transferido, para realizar internação e prescrição das medidas iniciais de manejo clínico, enquanto aguarda a avaliação do hematologista pediátrico. Com base nos dados descritos sobre o caso, qual dos itens listados a seguir não deve constar da sua prescrição para este paciente?

Artigo omitido.

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Resposta: C

  1. A) Tratamento com antibiótico.

    Febre de 38,8 °C num paciente com 218.000 leucócitos, mas com 60% de linfócitos e 40% de blastos, significa neutrófilos praticamente ausentes: é neutropenia febril, que exige antibiótico de amplo espectro IV em até 1 hora, após hemoculturas.

  2. B) Soro de hiper-hidratação endovenoso.

    Hiper-hidratação venosa (2.500 a 3.000 mL/m²/dia, sem potássio) previne a síndrome de lise tumoral e ajuda a reduzir a viscosidade na hiperleucocitose; faz parte da prescrição inicial, junto com alopurinol ou rasburicase e controle de eletrólitos e diurese.

  3. C) Transfusão de concentrado de hemácias.

    Com 218.000 leucócitos, a transfusão de hemácias aumenta a viscosidade sanguínea e pode precipitar leucostase cerebral e pulmonar. Com Hb de 7,5 g/dL, bom estado geral e boa perfusão, não deve ser prescrita; se houver anemia sintomática grave, usar volumes pequenos (5 a 10 mL/kg) em infusão lenta.

  4. D) Transfusão de concentrado de plaquetas.

    Plaquetas de 10.000/mm³ com epistaxe e gengivorragia, somadas ao risco de hemorragia intracraniana na hiperleucocitose, indicam transfusão de plaquetas, que não eleva a viscosidade de forma importante. A meta é manter a contagem acima de 20.000 a 30.000/mm³.

Resumo para lembrar

Leucemia aguda com hiperleucocitose (acima de 100.000/mm³) arrisca leucostase e lise tumoral. Hemácias aumentam a viscosidade e só se transfundem na anemia sintomática grave, em alíquotas pequenas e lentas; plaquetas pouco alteram a viscosidade e devem ficar acima de 20.000 a 30.000/mm³. Hiper-hidratação e antibiótico se houver febre são prioridades.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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