Adolescente de 13 anos, assintomático, realiza exames após mãe ser diagnosticada com hepatite B. Resultados: HBsAg: positivo, Anti-HBc total: positivo, Anti-HBc IgM: negativo, HBeAg: negativo, Anti-HBs: negativo, alanina aminotransferase (ALT): normal. Qual é a interpretação mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar este caso de hepatite B, que é bem comum na pediatria e exige um bom entendimento dos marcadores sorológicos.
- O fato de ele estar assintomático é muito importante, porque já nos faz pensar que não se trata de uma fase aguda da doença.
- A informação de que a mãe foi diagnosticada com hepatite B é crucial, pois sugere uma possível transmissão vertical ou intrafamiliar, o que é comum em casos de infecção crônica em adolescentes.
- O HBsAg positivo indica a presença do antígeno de superfície do vírus da hepatite B, ou seja, o vírus está presente no organismo do adolescente.
- O Anti-HBc total positivo nos diz que houve contato com o vírus em algum momento, seja na fase aguda ou crônica.
- Mas o Anti-HBc IgM negativo é a chave para descartar a infecção aguda, pois este marcador estaria positivo se a infecção fosse recente.
- O HBeAg negativo sugere que o vírus está em uma fase de baixa replicação, ou que o paciente já fez a soroconversão para o Anti-HBe.
- O Anti-HBs negativo significa que não há anticorpos protetores contra o vírus, ou seja, o paciente não está imune e não eliminou o vírus.
- E a alanina aminotransferase, ou ALT, normal, reforça que não há inflamação hepática significativa no momento, o que é compatível com uma fase de baixa replicação viral.
- Juntando o HBsAg positivo com o Anti-HBc total positivo, e o Anti-HBc IgM negativo, temos o diagnóstico de infecção crônica pelo vírus da hepatite B.
- A ausência de sintomas, o HBeAg negativo e a ALT normal nos indicam que ele está na fase de infecção crônica HBeAg negativa, que antes chamávamos de portador inativo.
- A história da mãe com hepatite B reforça a probabilidade de uma infecção crônica adquirida precocemente, seja por transmissão vertical ou intrafamiliar.
- A alternativa A, que fala em imunidade por vacinação, está incorreta porque a imunidade por vacina se caracteriza apenas pelo Anti-HBs positivo, sem HBsAg ou Anti-HBc reagentes.
- A alternativa C, que sugere infecção aguda, está errada. Na infecção aguda, teríamos o Anti-HBc IgM positivo e, geralmente, a ALT estaria elevada, o que não é o caso aqui.
- Já a alternativa D, infecção resolvida, também está incorreta. Para ser uma infecção resolvida, o HBsAg deveria ser negativo, indicando que o vírus foi eliminado, e aqui ele é positivo.
- Portanto, a interpretação mais provável é a alternativa B, portador crônico de hepatite B, pois todos os marcadores sorológicos e o quadro clínico do adolescente se encaixam perfeitamente nessa condição.
- Então, criança ou adolescente com HBsAg positivo, Anti-HBc total positivo e Anti-HBc IgM negativo, pense sempre em infecção crônica pelo vírus da hepatite B.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e CoinfecçõesMinistério da Saúde, 2023 · conferida em 28/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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