Adolescente de 16 anos procura o ambulatório com queixa de dor abdominal difusa e vômitos há dois dias, sem outros sinais e sintomas. A menstruação é irregular. Ela informa ter um namorado, vida sexual ativa e que faz uso irregular de camisinha. É filha mais velha de três irmãos. Está fora da escola e ajuda sua mãe cuidando da casa e dos irmãos. Ao exame físico, verificam-se IMC = 36, PA = 145x90mmHg e abdômen levemente doloroso difusamente. Além de prescrever antiemético e analgésico e orientar quanto à alimentação, a conduta indicada nesse caso é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, destacando os pontos importantes. Primeiro, temos uma adolescente de dezesseis anos, o que já nos alerta para questões de saúde sexual e reprodutiva, além da autonomia dela.
- Ela procura o ambulatório com queixa de dor abdominal difusa e vômitos há dois dias. Esses são sintomas inespecíficos, mas que, no contexto de uma adolescente, podem levantar algumas suspeitas.
- Um dado muito relevante é que a menstruação dela é irregular. Isso, combinado com os sintomas anteriores, aumenta a probabilidade de pensarmos em gravidez.
- E confirmando essa suspeita, ela informa ter vida sexual ativa e que faz uso irregular de camisinha. Esse é um fator de risco claro para uma gestação indesejada.
- No exame físico, o Índice de Massa Corporal dela é de trinta e seis, o que indica obesidade. Isso é um achado importante para a saúde geral, mas talvez não seja o foco principal da conduta imediata aqui.
- A pressão arterial dela está em 145 por 90 milímetros de mercúrio. Esse valor está elevado para a idade, e precisa ser investigado, mas não necessariamente tratado de imediato.
- O abdômen está levemente doloroso difusamente, o que é consistente com a queixa dela, mas não nos dá um diagnóstico específico.
- A questão já nos diz que prescrever antiemético e analgésico e orientar quanto à alimentação são condutas iniciais. O que precisamos é a próxima conduta indicada.
- Considerando a idade da paciente, a vida sexual ativa com uso irregular de preservativo, a menstruação irregular e os sintomas de dor abdominal e vômitos, a primeira coisa que vem à mente é a possibilidade de gravidez.
- Portanto, investigar uma possível gestação com um exame de beta-HCG é uma prioridade nesse cenário, para confirmar ou afastar essa hipótese tão importante.
- Em relação à pressão arterial elevada, um único valor alterado não é suficiente para o diagnóstico de hipertensão, especialmente em adolescentes. Precisamos de mais medidas para confirmar.
- A alternativa A sugere solicitar beta-HCG, o que é correto, mas também propõe fazer propranolol sublingual. O propranolol sublingual não é uma conduta padrão para uma medida isolada de pressão arterial elevada, ainda mais sem um diagnóstico confirmado de hipertensão.
- A alternativa B propõe solicitar lipidograma, encaminhar ao serviço social e prescrever anti-hipertensivo. Embora a avaliação metabólica e social possa ser útil no futuro, prescrever um anti-hipertensivo sem confirmar a hipertensão e sem avaliar a gravidade é precipitado.
- A alternativa D sugere orientar a prática de atividade física, encaminhar ao serviço social e prescrever anti-hipertensivo. As medidas de estilo de vida são importantes, mas novamente, prescrever um anti-hipertensivo neste momento, sem a devida confirmação, não é a conduta correta.
- A alternativa C é a mais adequada. Solicitar o beta-HCG é fundamental para investigar a gravidez, que é uma hipótese forte. A orientação alimentar é sempre importante, especialmente para uma paciente com obesidade.
- E, por fim, verificar a pressão arterial em mais duas ocasiões é a conduta correta para confirmar se a elevação é persistente e se realmente se trata de hipertensão, evitando um diagnóstico e tratamento precipitados.
- Então, lembre-se: em uma adolescente sexualmente ativa com queixas abdominais e menstruação irregular, pense sempre em gravidez e confirme a pressão arterial antes de qualquer intervenção medicamentosa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Código de Ética Médica — sigilo, autonomia e pesquisaCFM, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.