Adolescente, masculino, 10 anos é trazido de ambulância ao pronto-socorro após síncope na rua. Ficou inconsciente por 1 minuto. Teve 3 ou 4 movimentos clônicos durante o evento. Relato de desmaios duas vezes esse ano durante as aulas de educação física. Não há história familiar de morte súbita ou doença cardíaca. Exame físico: apenas laceração no queixo. A conduta indicada é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos um adolescente, um menino de dez anos, e a idade é importante porque algumas causas de síncope são mais comuns em faixas etárias específicas.
- Ele foi trazido ao pronto-socorro após um episódio de síncope na rua, que é a queixa principal.
- A inconsciência durou cerca de um minuto, o que é um tempo razoável para uma síncope.
- Ele teve de três a quatro movimentos clônicos durante o evento, e isso é um dado crucial, pois pode nos fazer pensar em crise convulsiva, mas precisamos contextualizar.
- O relato de desmaios duas vezes esse ano indica que não é um evento isolado, é uma síncope recorrente, o que já acende um alerta.
- E o mais importante: esses desmaios ocorreram durante as aulas de educação física, ou seja, durante o esforço físico. Síncope no esforço é um sinal de alarme cardíaco muito significativo.
- A ausência de história familiar de morte súbita ou doença cardíaca é um dado que, embora tranquilizador, não exclui uma causa cardíaca no nosso paciente, especialmente com os outros sinais de alarme.
- Por fim, o exame físico revelou apenas uma laceração no queixo, o que sugere que a queda foi abrupta, sem tempo para se proteger, e sem pródromos claros que o fizessem sentar ou deitar antes de desmaiar.
- Juntando todos esses pontos, temos um adolescente com síncope recorrente, que ocorre durante o esforço físico, e que resultou em trauma. Esses são sinais de alarme importantes para uma causa cardíaca.
- Os movimentos clônicos breves que ele apresentou são característicos de uma síncope convulsiva, que é uma resposta à hipoperfusão cerebral durante a síncope, e não indicam necessariamente uma crise epiléptica primária.
- Portanto, a investigação deve focar em descartar as causas cardíacas graves que podem levar à morte súbita, mesmo que a família não tenha histórico.
- A alternativa A sugere encaminhar ao neurologista por crises convulsivas tônicas generalizadas. Isso está incorreto porque os abalos clônicos breves após a perda de consciência por hipoperfusão cerebral são típicos de síncope convulsiva, e não de uma crise tônico-clônica generalizada, que teria duração maior e confusão pós-ictal. Além disso, a repetição no esforço não se encaixa em epilepsia.
- A alternativa B propõe colher exames laboratoriais para investigação de distúrbios metabólicos. Isso também está incorreto, pois distúrbios metabólicos não explicam uma síncope reprodutível ao exercício em um adolescente saudável. Embora uma glicemia capilar possa ser feita, a investigação decisiva, neste caso, é cardíaca.
- A alternativa D sugere checar a glicemia sanguínea e dar alta para casa por provável síncope vasovagal. Esta é uma conduta perigosa e incorreta. A síncope vasovagal geralmente tem gatilho ortostático ou emocional e pródromos como tontura e sudorese, e não ocorre no meio do esforço físico. Dar alta sem um eletrocardiograma a um paciente com tantos sinais de alarme é um erro grave.
- A alternativa C, que indica internar o paciente, solicitar eletrocardiograma e acionar o cardiologista, é a conduta correta. A síncope no esforço, recorrente e com trauma, obriga a internação para monitorização, eletrocardiograma para avaliar intervalo QT, pré-excitação e hipertrofia, ecocardiograma e avaliação cardiológica, devido ao risco de morte súbita. A ausência de história familiar não afasta essa necessidade.
- Então, sempre que tivermos uma criança ou adolescente com síncope no esforço ou síncope recorrente, pense sempre em uma causa cardíaca subjacente que precisa ser investigada a fundo.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- SyncopeRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.